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Oceana Basílio: "Não tenho medo de assumir as derrotas"

No início de um novo ano, a atriz partilhou com a CARAS os sonhos e desejos que a movem. Continuar a trabalhar e garantir a harmonia familiar e emocional são as suas grandes prioridades.

Marta Mesquita
19 de janeiro de 2013, 10:00

Quando faz o balanço de 2012, Oceana Basílio, que está quase a completar 34 anos, garante que este foi um bom ano na sua vida. Além de continuar feliz ao lado do namorado, o ex-jogador de futebol Abel Xa­vier, Oceana integrou o elenco da novela da SIC, Rosa Fogo, fez teatro e teve ainda a oportunidade de participar no filme norte-americano Body High, do realizador Joe Marklin.
Apesar de saber que 2013 não será um ano fácil para o país, a atriz não perde o otimismo e garante estar de braços abertos para as oportunidades profissionais que possam surgir.
Numa conversa franca, Ocea­na Basílio re­velou um pou­co mais sobre a mulher que é, sem medo de expor as suas conquistas e fragilidades.
– Oceana, qual é o balanço que faz do ano que terminou?
Oceana Basílio
– Foi um óti­mo ano para mim. Não me posso queixar de 2012, seja a que nível for. No campo familiar esteve tudo bem, a minha filha [Francisca, de oito anos] está ótima. No campo profissional, tive a digressão da peça 3 Atores à Procura de um Papel, foi o ano em que terminou a novela Rosa Fogo, em que fiz a curta-metragem Quarto 261, de Marcos Cosmos, e fui para os EUA participar no filme Body High. Portanto, foi um ano com muitas experiências novas.
– Acredito que ter trabalhado nos EUA tenha sido um marco na sua carreira...
– Trabalhar nos EUA foi uma experiência tão boa como tantas outras que já tive na área da representação. É ótimo ter a oportunidade de trabalhar com pessoas que admiro. Todos os atores me trataram muito bem, mas para mim foi como trabalhar com um ator português. Não sinto o deslumbramento que quem olha de fora pode imaginar que seja natural sentir-se. Contudo, ir para o estrangeiro, ter de falar outra língua e adaptarmo-nos a outra cultura acaba por ser uma mais-valia para uma atriz. É sempre muito bom termos esse tipo de experiências. Gosto muito daquilo que faço e quero é trabalhar, seja onde for.
– Não ambiciona ter uma carreira cada vez mais internacional?
– Para mim tem o mesmo peso trabalhar em Portugal ou no estrangeiro. Se existirem mais oportunidades para ir trabalhar para fora e fazer grandes filmes, fico feliz. Gosto de representar e de ter boas personagens e isso tem-me acontecido muito mais no teatro. Claro que tenho o sonho de trabalhar numa grande produção em Hollywood, por exemplo, mas não planeio nada.
– Como é que gostava de ser vista enquanto atriz?
– Não penso tanto na maneira como gostava de ser vista... Eu quero conseguir sobreviver do meu trabalho até ser velhinha, mas em Portugal esse desejo começa a ser cada vez mais difícil de realizar. Há muitos atores, atrizes, muitas pessoas novas que estão a começar e que também merecem ter uma oportunidade para mostrar aquilo que valem. Cada vez mais vamos trabalhar por amor.
– É difícil manter-se otimista?
– Eu sou uma pessoa otimista e penso sempre que posso ir para qualquer sítio do mundo e fazer aquilo de que gosto. Desde que es­teja a representar, sou uma pessoa feliz. Claro que também é ótimo poder desfrutar dos prazeres da vida, porque não vivemos apenas para o nosso trabalho.
– E pegando nessa ideia, acredito que a sua relação com Abel Xavier seja fundamental para se sentir realizada... Têm sido dois anos felizes?
– Sim, ótimos! Continuamos felizes e acho que estamos cada vez mais unidos. O tempo vai passando e vamos estruturando a nossa relação. O que mais valorizo no nosso relacionamento é a confiança que sentimos um no outro e o facto de pensarmos a vida da mesma maneira.
A Oceana e o Abel são parecidos?
– Somos muitos parecidos. Às vezes chocamos, porque temos ambos personalidades fortes. Mas temos um grande respeito um pelo outro e aceitamo-nos como somos. Tomamos decisões em conjunto, respeitando sempre o que o outro pensa.
– O Abel passa muito tempo no estrangeiro. Tem sido bom não estarem permanentemente juntos, tendo cada um o seu espaço?
– Para mim é fundamental ter espaço. Todos nós somos, em primeiro lugar, indivíduos. Se conseguir estar bem sozinha, melhor vou estar com a pessoa de quem gosto.
– A sua filha, Francisca, está com oito anos. Acredito que já seja uma boa companheira...
– A minha filha é uma excelente companheira! Conversamos imenso e acompanha-me em quase tudo. Ela tem uma personalidade forte, mas tem sido uma criança fácil, porque é muito respeitadora e meiguinha. Quero dar toda a segurança e estabilidade à minha filha para ela poder realizar os seus próprios sonhos. Agora, educar é a tarefa mais difícil que qualquer ser humano pode ter.
– Já sente vontade de voltar a ser mãe?
– Tenho vontade de voltar a ser mãe, mas não para já. Quando tiver um outro filho, gostava de ter mais tempo para poder ser uma mãe mais presente.
– A Oceana tem 33 anos. Sente que hoje é uma mulher muito diferente da que era há uns anos?
– Não consigo ver essa transição. Penso que senti essa mudança aos 25 anos, quando fui mãe. Aí, senti mesmo o peso da responsabilidade a aumentar. Não vivi os 20 anos daquela maneira mais descomprometida que grande parte das pessoas vive. Nessa fase já tinha um bebé para tratar. Os 30 trazem é a segurança para podermos dizer tudo aquilo que pensamos. Sentimos que as nossas ideias são mais credíveis e válidas.
– É uma mulher muito segura de si própria?
– Sou uma mulher muito lutadora e segura em relação àquilo que quero, mas também tenho as minhas inseguranças. Acho que, acima de tudo, sou uma pessoa muito decidida. Também tenho cada vez menos medo de perder as coisas materiais. Não sou tão apegada a espaços, por exemplo. Estou preparada para recomeçar a vida a qualquer momento e não tenho medo de assumir as minhas derrotas ou falhas. Antes, tinha imenso medo de perder aquilo que tinha ou que havia conquistado. Desde que a minha filha e a minha família estejam bem, posso sempre mudar e ter novas ambições. Não tenho grandes apegos. O que as pessoas pensam ou dizem é cada vez menos importante, exceção feita às opiniões dos meus amigos ou da minha família. O essencial é que eu saiba sempre aquilo que quero e que me faz feliz. Hoje, já aceito melhor as minhas fragilidades.
– É uma mulher muito bonita. Que relação tem com a sua imagem?
– Para estar bem comigo própria, tenho de me sentir bonita, mas não sou uma mulher obcecada com a imagem, nem pouco mais ou menos! Não me sinto todos os dias fantástica ou bonita, mas noto que com o passar dos anos tenho cada vez mais vontade de cuidar de mim. Por isso, quando tenho tempo livre, dedico-o a fazer mais desporto, por exemplo. Depois, quando nos sentimos mentalmente bem connosco próprios, a forma como nos vemos fisicamente também é valorizada.
– Disse que não faz planos, mas posso saber que desejos tem para o ano que agora começou?
– Gostava que 2013 fosse um ano com muito trabalho e saúde. Adorava que fosse um ano com novas perspetivas e que nos permitisse sonhar. Gostava que as pessoas vissem o nosso país de uma outra forma, por exemplo. Como todos nós sabemos, vai ser um período muito difícil para Portugal, por isso, só espero poder dar o meu melhor para continuar a sentir-me bem neste país.

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