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Ricardo Trêpa em retiro espiritual: "A vida só faz sentido quando sabemos amar"

Durante um mês e meio, o neto de Manoel de Oliveira viajou em busca de respostas.

Cristiana Rodrigues
2 de janeiro de 2013, 11:17

Completou 40 anos há dois meses e este número redondo foi, quem sabe, um despertar para Ricardo Trêpa. O ator decidiu experimentar uma espécie de retiro espiritual através de uma viagem que o levou à Andaman Island, na Índia, a Colombo, no Sri Lanka, e ainda à Tailândia. Partiu com o fotógrafo Nuno Lobito, que já visitou todos os países do mundo, como guia. Conheceu templos e uma cultura que o fascinou. Ficou ainda com mais certeza de que a vida tem muito mais para lhe dar. Falámos com o ator a meio desta aventura. Não estivemos muito tempo ao telefone, mas o suficiente para percebermos que o neto do cineasta Manoel de Oliveira está a atravessar uma nova fase na sua vida, depois de ter vivido uma relação conturbada com Cláudia Jacques, que inclui um ano de casamento, e de uma breve paixão com Catarina Mantero.
– O que é que o motivou a embarcar nesta aventura?
Ricardo Trêpa –
Há muito tempo que eu queria fazer esta viagem. Quando o Nuno Lobito me disse que ia para a Índia e para o Sri Lanka, decidi agarrar a oportunidade e vir com ele. O Nuno conhece o mundo inteiro e é uma grande sorte ter alguém como ele a mostrar-me de uma forma diferente os sítios por onde já passei desde que cá chegámos. E está a ser enriquecedor.
– O que leva na bagagem?
Trouxe uma grande vontade de aprender, de parar para me conhecer melhor e assim poder crescer. O mundo atravessa um momento de muito egocentrismo, portanto, achei que devia parar, refletir. Pensar de que forma é que me posso tornar uma pessoa melhor, e de que forma é que os outros poderiam usufruir disso. Depois, uma grande vontade de recuperar na totalidade a alegria de viver. Deixei de saber o que é o verdadeiro amor e a vida só faz sentido quando sabemos amar. Amar a nossa família, amar a nossa mulher, amar os nossos filhos, o nossos trabalho. A base da vida é o amor e provavelmente esta viagem é também uma busca dessa essência tão importante que é o amor na vida de uma pessoa.
– Então serve também de balanço... O que pretende mudar?
Isto é um processo, não vou encontrar todas as respostas no momento imediato. Costumo processar rapidamente as coisas, aliás, é por ser uma pessoa muito rápida na vida que achei que devia parar um bocado e refletir. Há um velho ditado tibetano que diz: “Se caminhares apressadamente não chegarás a Lhasa [capital do Tibete]. Anda devagar e atingirás o teu objetivo.” Se as pessoas correrem não chegarão lá... Portanto se eu for com calma, acabo por chegar onde quero e a grande questão desta viagem é o amor
– É um tema delicado...
Concordo! Porque é um tema em que rapidamente nos perdemos. Perdemos as nossas prioridades, o bom senso, a intenção de fazer as coisas como deve ser. A base de toda a vida em relação a tudo é o amor. Acho por isso importante termos conhecimento absoluto sobre nós próprios e em relação àquilo que somos capazes de dar. Essa tam­bém é uma das minhas metas: Repensar, perceber o que tenho feito mal e perceber em que posso ser melhor. Amar tudo sem medo, sem preconceito, sem limites... mas com juízo, claro. [risos]
– Dando tanta importância ao amor, foi frustrante viver um casamento [com Cláudia Jacques] que não deu certo?
Não foi frustrante. Foi uma grande aprendizagem. As experiências que vamos passando na vida ensinam-nos e tornam-nos  pessoas com uma maior sabedoria.
– Acha que se já tivesse feito este retiro as coisas teriam sido diferentes?
Se não fiz esta viagem era porque não tinha de ser feita. As pessoas têm de passar pelas coisas... Agora estou noutro pata­mar e a andar para a frente.
– E de que forma é que esta viagem poderá influenciar a relação que supostamente mantém com a Catarina [Mantero]?
Não tenho namorada. Estou solteiro!
– Se tivesse o dom de mudar o seu percurso, o que é que lhe retiraria?
Não retiraria nada, senão não tinha chegado onde cheguei, não estava aqui. Agora espero tornar-me uma pessoa mais sensata, mais atenta aos outros. Quero tornar-me uma pessoa melhor.

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