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João Correia Anacleto e Bárbara Galvão: "Temos exatamente os mesmo gostos"

O casal conheceu-se na Fundação Champalimaud, onde Bárbara coordena a Comissão de Ética e João é cirurgião plástico de reconstrução.

Andreia Cardinali
24 de dezembro de 2012, 14:00

João Correia Anacleto, de 41 anos, e Bárbara Galvão, de 31, conheceram-se na Fundação Champalimaud, onde trabalham, e desde então nunca mais se separaram. Juntos desde o início do verão, o cirurgião plástico de reconstrução e estética e a coordenadora da Comissão de Ética já fazem planos para se casarem, até porque acreditam que o amor deve ser vivido sem receios. Este amor é partilhado com Maria, de sete anos, filha de João, e Caetana, de três, filha de Bárbara, que mantêm uma com a outra uma amizade que o casal considera comovente.
Foi sobre a forma como conciliam na perfeição o lado pessoal com o profissional, mas também como, em tão pouco tempo, conseguiram criar uma família no verdadeiro sentido da palavra, que a CARAS conversou com os dois.
– Conheceram-se aqui na Fundação. Houve uma empatia imediata?
João Correia Anacleto –
Claro que sim, mas demorou algum tem­po, pois a Bárbara demorou a aceitar o meu primeiro passo [risos].
Bárbara Galvão – Demorei por todas as razões e mais algumas... [risos] Trabalhamos juntos, embora não diretamente, e tem de haver alguma contenção.
– Ambos têm uma filha, elas foram a principal preocupação?
João –
Elas estiveram juntas durante as férias e deram-se logo bem. A Maria encara a Caetana como uma irmã, mas também com um lado maternal. Tem imensa piada vê-las juntas.
Bárbara – Para nós era muito importante que cada uma delas aceitasse a pessoa que escolhemos para estar ao nosso lado. É sempre uma mudança na vida de qualquer criança, mas estão a adaptar-se muito bem.
– Foi difícil voltar a acreditar no amor, já que ambos viveram relações falhadas?
Bárbara –
Eu venho de um mundo tão cor de rosa que sempre acreditei no amor e sinto que fi­nalmente encontrei ‘a tal’ pessoa.
João – Para mim, foi difícil du­rante algum tempo, mas depois, com a Bárbara, tudo passou a fazer sentido. Sinto-me lindamente.
– E planeiam casarem-se?
Acho que o casamento e ter mais filhos faz parte de qualquer relação séria como a que vivemos.
Bárbara – Alguma vez eu não ia querer casar com ele?! Claro que quero [risos]!
– Rapidamente perceberam que estavam apaixonados. Têm o mesmo conceito de vida?
João –
Completamente. Temos a mesma educação, pensamos da mesma forma e somos muito semelhantes.
– Já sabiam que eram tão se­melhantes?
João –
Acho que tínhamos uma ideia, mas fomos tendo certeza com o evoluir da relação.
– Têm dez anos de diferença de idades. Alguma vez isso foi um problema?
João –
Não, somos um casal todo-o-terreno. Da neve à praia, ao trabalho, às músicas, à leitura, temos exatamente os mesmos gostos.
– Conseguem ter tempo para momentos a dois?
Bárbara –
Claro que sim, tudo se faz. Somos muito tranquilos. As nossas filhas têm horas para ir para a cama e, depois disso, podemos estar os dois com calma. Além disso, elas vão connosco para todo o lado, é tudo muito fácil.
– E como conseguem conci­liar a vida familiar com a profissional?
João –
Trabalhamos no mesmo sítio, mas em unidades completamente diferentes. É normal que ao chegarmos a casa gostemos de partilhar as coisas do dia-a-dia. Na Fundação há o conceito da investigação translacional, no qual várias ciências se juntam para cada uma dar o seu melhor, por isso, todas as experiências partilhadas ajudam a adquirir um conhecimento superior. E é isso que também fazemos em casa.
– Então, se trabalham juntos, acabam por se encontrar durante o dia. Não temem que isso desgaste a relação?
Bárbara –
Encontramo-nos muito pouco, a fundação está dividida em três unidades: a própria fundação, a área de investigação e a clínica. Nós estamos em departamentos diferentes e, a não ser que combinemos, não nos cruzamos.
– Como é que a cirurgia es­tética e plásti­ca reconstrutiva se insere na fundação?
João –
O que faço na fundação é essencialmente reconstrução e não estética. A maior parte das pessoas desconhece que aqui se tratam doentes. Fui convidado para fazer parte da primeira unidade de reconstrução do cancro da mama e fiquei muito satisfeito.
– Deduzo que seja um trabalho bastante gratificante, mas que não seja fácil desligar-se do mesmo quando chega a casa...
Todos nós temos de nos blindar um pouco. É óbvio que há situações que me tocam mais, mas o trabalho em si é muito compensador. Fazer reconstru­ção é algo muito bonito e imediato, o que é fabuloso. Aqui as mulheres reconstroem o peito assim que tiram o cancro e muitas vezes até ficam com mamas mais bonitas do que tinham.
– Também é cirurgião esté­tico. Não acha que se está a banalizar muito o recurso a esse tipo de intervenção?
Acho que por vezes há uma noção errada da cirurgia estética. As pessoas acham que a estética aumenta a autoestima, mas não o faz. A autoestima vem de dentro e não de uma cirurgia. Agora não acho que esteja banalizada, mas sim mais democratizada, e as pessoas têm menos vergonha de fazer e até de falar nisso. Claro que a sociedade pressiona para que se sigam alguns padrões de beleza, mas as pessoas têm de ter noção do que podem ou não fazer. Eu só faço aquilo que me parece normal e ajustado às pessoas. Não acredito em coisas que sejam desajustadas e já me recusei muitas vezes a fazer determinadas cirurgias plásticas.

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