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Betty Lago: “Pensei que o meu tempo tinha acabado”

A lutar contra um cancro na vesícula, a atriz brasileira, de 57 anos, conta como lidou com o medo da morte.

CARAS Brasil
15 de dezembro de 2012, 10:00

Descoberta por um fotógrafo quando era bastante jovem, Betty Lago trabalhou como modelo durante mais de duas dé­cadas, tendo desfilado nos principais palcos de moda internacionais. Depois disso, tem feito sucesso como atriz, brilhando tanto no cinema como em televisão. Ironicamente, foi no início das gravações da novela Vidas em Jogo que a atriz brasileira descobriu que tinha um tipo de cancro raro, na vesícula, que a obrigou a interromper as gravações para iniciar o tratamento. Nove meses depois de lhe ter sido diagnosticada a doença, a atriz, de 57 anos, aceitou o convite para passar uns dias no castelo da CARAS, em Nova Ior­que, naquela que foi a sua primeira viagem internacional após as sessões de quimioterapia. Com uma alegria renovada, Betty deu uma entrevista exclusiva em que conta como lidou com o medo da morte, a queda do cabelo e as reações aos medicamentos, destacando a importância do amor incondicional do filho, Bernardo, de 34 anos, fruto do seu casamento de dez anos com o também ator Eduardo Conde, que morreu em 2003, vítima de de cancro de pulmão.
– Como reagiu quando soube que tinha cancro?
Betty Lago –
Nunca tive uma gripe mais séria! Fui operada para retirar a vesícula, o que já deveria ter feito há oito anos, mas o médico abriu e viu outra coisa... Na altura, nem consegui chorar. Só tremia e batia os dentes. Nem perguntei: ‘Porquê eu?’ Mas mexe com a nossa mortalidade. A vida é muito bacana. Não pensamos que um dia não estaremos aqui. É uma consciência real de que o nosso tempo pode ter terminado. Mas sou jovem e há tanta coisa que quero fazer!
– E a quimioterapia?
Não quis sair de perto de casa, da família e dos meus cães, apesar de não poder ter muito contacto com eles por causa da baixa imunidade. Mas era importantíssimo que eles estivessem ali. E o meu filho mudou-se para minha casa. Quando comecei a quimioterapia, vieram as reações e, aos poucos, fui melhorando. O cabelo começou a cair, mas não quis rapá-lo. Como atriz, já troquei de cor, de corte e já o deixei crescer... Uso chapéus para proteger e não acho que esteja feio.
– Que momento pesou mais?
Enjoava por tudo e por nada, não podia sequer mexer a cabeça. Ficamos com uma sensação de vazio... Acho que são muitos me­dicamentos, ficamos muito para­dos. Tive dormência nas mãos e nas pontas dos pés. Incomoda um pouco, mas acostumamo-nos a conviver com o problema e sabemos que o tempo é o juiz das situações. É preciso ter domínio sobre a cabeça, para não nos tornarmos ‘coitadinhos’. É preciso dominar os ímpetos. Se sentirmos qualquer fraqueza, temos que nos levantar.
– O que mudou efetivamente?
Nas coisas práticas, instinti­vamente li muitos livros que tinha sobre ayurveda, a tradicional medicina indiana. Já não fumava, mas estava tudo errado: saía muito, bebia... Estava acima do peso. A vesícula estava mal. Cortei completamente as gorduras, os doces, a carne e o álcool. No primeiro mês emagreci 11 quilos, não por causa do tumor, mas pela reeducação alimentar. Gostei de voltar a ser magra.
– Está pronta para regressar à televisão?
Tenho muita vontade de trabalhar porque me divirto. Depois da doença, tudo fica mais simples. Estou com menos pressas depois desta experiência.

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