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Filipa Muñoz de Oliveira de regresso a Portugal

A empresária, que viveu sete anos entre Nova Iorque e Londres, abre as portas de sua casa para falar do projeto que criou há cinco anos, a Wiñk, depilação com fio e ‘styling’ de sobrancelhas.

Cláudia Alegria
6 de dezembro de 2012, 11:00

Quando surgiu o primeiro quiosque da Wiñk, num dos corredores do Amoreiras Shopping Center, houve quem duvidasse do sucesso de um negócio que consistia em arranjar as sobrancelhas das clientes num ambiente exposto a olhares curiosos. Mas a mentora da versão portuguesa do projeto, Filipa Muñoz de Oliveira, acreditava que este tinha tudo para dar certo. Descobriu o threading, método de depilação a fio, em Londres, onde viveu durante cinco anos e, quando regressou a Portugal, resolveu de uma só vez duas questões: a criação de um negócio próprio e a possibilidade de continuar a arranjar as sobrancelhas com a técnica da qual se tinha tornado fã. “Na altura, toda a gente pensou que eu era louca, mas como era um serviço inovador e exclusivo, aceitaram o projeto nas Amoreiras e foi um sucesso imediato. As pessoas aderiram e a taxa de fidelização é enorme. Quase toda a gente que experimenta regressa”, contou a empresária, no dia em que recebeu a CARAS em sua casa, na zona de São Bento, para nos contar a sua história, da qual faz parte o marido, o consultor João Coelho-Borges, os dois filhos, Francisca, de nove anos, e Frederico, de dois anos e meio, e uma experiência de sete anos vividos no estrangeiro, entre os EUA e Inglaterra.
Nova Iorque, cidade de sonho para muitos jovens, começou por ser um pequeno pesadelo para Filipa. Recém-casada, a empresária mudou-se para a Big Apple com o marido, que estava a tirar um MBA de dois anos na universidade de Columbia. “Os primeiros três meses foram os mais duros. Tinha acabado de sair de casa dos meus pais, onde fui muito protegida e, de repente, tive que me adaptar a uma série de coisas novas, como descobrir qual o serviço de telefone mais barato ou fazer máquinas de roupa, coisas com as quais nunca tinha precisado de me preocupar. Chorava e tentava mentalizar-me que devia aproveitar o facto de estar numa cidade espetacular”, recorda Filipa que, pouco depois, decidiu arregaçar as mangas e ir à luta: “Na altura, pedi o visto errado e não podia trabalhar. Por isso, aproveitei para estudar. Fiz dois cursos de marketing, um curso de espanhol e, no segundo ano em que lá estive, comecei a trabalhar na Christie’s como júnior adviser para o mercado da América Latina, porque precisavam de pessoas que falassem português e espanhol. Estive lá um ano e adorei. Trabalhava num departamento que tem os 500 maiores clientes da Christie’s, que compram de tudo, quadros, joias, carros, antiguidades... e nós acabamos por lidar com imensa gente interessante, como a Oprah Winfrey ou altos empresários brasileiros. Foi um trabalho com o qual aprendi imenso. Como havia especialistas em arte, nós só precisávamos de conhecer minimamente o mercado, perceber o que o cliente queria e ajudá-lo a fazer, por exemplo, licitações em leilões. Foi uma experiência muito gira.”
Dois anos mais tarde, o marido aceitou uma proposta de trabalho em Londres, onde Filipa começou a trabalhar no departamento de marketing da televisão Sky. “Tenho a certeza de que o que somos hoje enquanto casal e a vida familiar que construímos se devem aos anos que vivemos sozinhos no estrangeiro”, assegura a empresária, que passou pelos receios, angústias e dúvidas de um primeiro filho quando ainda estava em Londres. “Os meus pais ficaram lá comigo durante o primei­ro mês de vida da Francisca. Lembro-me perfeitamente do dia em que eles saíram porta fora e eu fiquei sozinha em casa com um bebé nos braços. Chorei imenso a olhar para ela. Foi um choque enorme perder aquele apoio familiar. O meu marido ajudou-me imenso, era um pai que fazia tudo e acabou por criar uma relação fantástica com a Francisca. Ela viajou connosco para o mundo inteiro, aprendemos a ser pais descontraídos, parecíamos os ingleses, que andam sempre com os filhos de um lado para o outro.”
Já em Portugal, Filipa foi mãe pela segunda vez e, devido ao “apoio de toda uma estrutura familiar”, admite que muitas vezes opta pela solução mais confortável quando tem de se ausentar. “Hoje sou mais preguiçosa e não faço o mesmo com o Frederico: é muito mais confortável deixá-lo em casa, embora tenha pena...”, lamenta a empresária, enquanto vai deixando no ar o desejo de poder alargar a família. “Confesso que gostava imenso de ter um terceiro filho. Claro que, quando começo a pensar em fraldas e noites mal dormidas, chego a hesitar, mas não digo que não. Tenho uma vida profissional muito ativa, mas sempre tentei encontrar um bom equilíbrio familiar. Por exemplo, faço questão de ir buscar todos os dias os miúdos à escola, mesmo que, depois, tenha de continuar a trabalhar em casa. Mas não nos esgotamos no papel de mãe. A Wiñk é um projeto muito importante para mim, foi uma coisa que criei de raiz e que me dá muito gozo gerir. Por isso, quando pensamos em filhos... Gosto muito de ser mãe, tenho paciência e brinco imenso com eles, mas nas alturas de maior volume de trabalho penso na loucura que seria ter outro filho. Ter filhos e não poder estar com eles custar-me-ia imenso. Mas acredito que ainda conseguiria dar atenção a um terceiro filho”, afirma Filipa, assegurando estar muito orgulhosa da relação de cumplicidade e alegria que ajudou a construir na sua familiar.

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