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Cinha Jardim: “Sou uma mulher muito bem resolvida, não tenho traumas”

O prazer de ser avó e a estabilidade emocional que está a viver ficam bem visíveis nesta entrevista.

Cristiana Rodrigues
1 de dezembro de 2012, 10:00

Inspirada no neto Francisco, ou Kiko como o trata carinhosamente, e na cadela Juanita, Cinha Jardim, de 55 anos, aventurou-se a escrever um livro infantil que lançou recentemente. Foi por causa desse desafio que marcámos encontro. A conversa começou precisamente pela nova experiência, mas o neto, de dois anos, filho de Pimpinha e Francisco Spínola, acabou por dominar a entrevista, na qual Cinha se revela uma avó carinhosa, condescendente e tranquila. Por vontade dela, passaria o tempo todo com Francisco, mas a filha pô-lo num colégio e Cinha diz, resignada: “A Pimpinha e o Francisco são excelentes pais e sabem o que é melhor para o filho.”
– Tem noção de que tratar de uma criança pequena grande parte do dia seria duro?
Ele faz-me imensa companhia e, bem ‘levado’, é a melhor criança do mundo, por isso, levava-o comigo para todo o lado. [risos] Sinceramente, preferia que ele ficasse comigo, mas reconheço que foi bom ele ir para o colégio. Tornou-se mais sociável e sempre tem regras...
– Algum dia pensou que a Pim­pinha ia ser uma mãe tão disciplinada?
Não! Nunca pensei que ela fosse tão rigorosa com o filho. Eu nunca o fui nem nunca vou ser. Sempre fui condescendente e tolerante. Talvez por isso ela tente ser diferente, não sei...
– Talvez saia ao pai...
O Raul [Leitão] também era bastante condescendente, aliás, aprendi precisamente com ele a ser mais tolerante...
– Imagino que com uma avó que o deixa fazer tudo o Francisco queira estar sempre em sua casa...
Ele adora! Eu mimo-o imenso. Passamos horas a ver desenhos animados, conto-lhe imensas histórias... Ele dá imensas gargalhadas. Em minha casa não tem horários. Come quando tem fome e não tem horas para tomar banho.
– A Pimpinha deve adorar...
[risos] Dá-me imensos ralhetes! Em casa dos pais o Kiko tem horários para tudo. Depois, tanto a Pimpinha como o Francisco querem que ele saiba comer, que se sente direito à mesa, que não se levante a meio da refeição, que tome banho à hora marcada...
– Ser avó trouxe-lhe outra forma de saborear a vida?
Sim. Sempre ouvi dizer que ser avó era uma coisa do outro mundo. E realmente, quando penso na minha avó Isaura, que tratava de mim e das minhas irmãs, percebo que ela era muito feliz, passava a vida com um sorriso. É que como avós não temos obrigação de os educar, temos apenas de os mimar. [risos]
– Mas também mimou as suas filhas...
Sim, elas foram educadas cheias de mimo! E não estou nada arrependida. Aliás, deixei de trabalhar para ficar em casa a tomar conta delas.
– Depois, quando se separou do pai delas, acabou por ter de fazer também o papel de pai. Isso acabou por reforçar os laços entre as três?
Claro que sim. Não passamos umas sem as outras. Hoje orgulho-me porque tenho filhas fantásticas, que estudaram, que trabalham e não vivem à minha custa, embora eu goste de lhes proporcionar uma boa vida.
– E em que fase está da sua vida ?
Estou bem mais tranquila do que há uns anos, passo muito mais tempo em casa... Eu que até costu­mava dizer que tinha medo que o tecto me caísse em cima! [risos] Sinto que aproveitei tão bem a minha vida! Hoje sou uma mulher muito bem resolvida, não tenho traumas. E sinto-me privilegiada, porque consegui concretizar quase todos os meus sonhos.

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