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Sónia Brazão: “Tenho de ter forças para levar a vida para a frente”

Feliz com a imagem que vê ao espelho, a atriz nega ter um distúrbio alimentar.

Marta Mesquita
28 de novembro de 2012, 15:00

Sónia Brazão, de 37 anos, confessa estar “muito magoada” com as mais recentes notícias em que a acusam de sofrer de bulimia e de cleptomania [compulsão que leva a pessoa a roubar objetos diversos, independentemente do seu valor], o que nega peremptoriamente.
Ainda a recuperar das queimaduras que sofreu na sequência da explosão de gás em sua casa, em junho de 2011 (cuja responsabilidade verá avaliada no julgamento que deve acontecer para o ano), a atriz garante que se sente tranquila e otimista em relação ao que o futuro lhe reserva.
Durante uma tarde passada na penthouse do Farol Hotel, no edifício do Estoril Sol Residence, em Cascais, Sónia Brazão revelou à CARAS como se sente emocionalmente, partilhando os seus receios, fragilidades e, acima de tudo, as suas conquistas.
– É verdade que tem um distúrbio alimentar?
Sónia Brazão
– Não tenho nem nunca tive! Também disseram que sofria de cleptomania. O que se tem escrito é uma grande mentira e é de uma maldade extrema. Sinto-me muito magoada. Nunca fui gorda, porque sou celíaca [doença que afeta o intestino delgado e que interfere na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água]. Tenho uma alimentação muito equilibrada, como qualquer pessoa que durante anos praticou dança clássica. Aliás, eu até sou um bom garfo! Depois de ter tido o acidente poderei ter parecido mais inchada, porque tomei medicamentos à base de cortisona, mas agora o meu corpo já voltou ao normal. Sempre vesti o tamanho 34, tal como agora. Se a minha cara parece mais magra, talvez se deva ao tratamento dentário que fiz com o Dr. Miguel Stanley e que, admito, possa ter alterado um pouco os traços do meu rosto. Por favor, não pisem mais quem já foi tão massacrada.
– Depois da explosão de gás na sua casa, a sua vida mudou radicalmente. Que balanço faz deste ano e cinco meses?
 – Talvez tenha sido um dos melhores anos de sempre na minha vida. Aprendi muito, nomeadamente a apreciar as pequenas coisas. Este ano percebi realmente o que quer dizer a expressão: “Deus vive nos pequenos detalhes.”
– Mas não acha exagerado dizer que foi um dos melhores anos da sua vida, quando ficou com queimaduras graves em praticamente todo o corpo?
– Quando digo que foi dos melhores anos refiro-me à minha mudança de atitude perante a vida. Tenho muito respeito por tudo o que me aconteceu e foi muito duro passar por aquilo que passei. Aliás, as minhas dificuldades são evidentes! O que me aconteceu foi um milagre, porque depois de tudo fiquei bem. Este ano aprendi a desacelerar, a viver mais devagar e a ter mais tempo para mim e para desfrutar de um fim de tarde a patinar, por exemplo.
– O que tem sido o melhor e o pior nesta sua experiência de ‘renascimento’?
– O melhor – e gosto sempre de começar pelo melhor – foi mesmo aprender a viver mais devagar e a desfrutar do presente. A aceitação de tudo aquilo que me aconteceu, das mudanças no meu corpo e na minha vida foi uma das minhas maiores conquistas. Sofri muito na Unidade de Quei­mados. Foi mesmo um processo doloroso, mas, apesar de tudo, foi um tempo maravilhoso para mim. Fui tratada com um amor e dedicação que não esperava. Não houve um único momento lá dentro em que me sentisse feia [emociona-se]. O pior tem sido o sofrimento da minha famí­lia, as mentiras que se escrevem... É difícil ver a minha mãe chorar. Ela e o meu irmão têm sido o meu porto de abrigo.
– A Sónia tem tido uma atitude muito positiva em relação a tudo o que lhe aconteceu, mas acredito que passe por momentos difíceis, de negação ou de frustração. Como lida com essas alturas de maior fragilidade?
– Quando me sinto frágil corro para o colo da minha mãe. É ao lado dela que choro. É à família que vou buscar forças. Também tenho sentido o carinho das pessoas que me abordam na rua. Tenho de ter força para levar a vida para a frente. A minha mãe diz-me sempre que a parte pior já passou. Deixei de fazer planos para a vida, porque a vida tem planos para mim. Amanhã, sei o que vou fazer, depois, logo se vê.
– Mas não tem sonhos?
– Tenho! Sonho ser feliz, viajar e formar a minha própria família. Os meus pais sempre tiveram um casamento muito feliz e é esse exemplo que quero seguir.
– A Sónia admite que gostava de encontrar alguém para formar a sua própria família, mas na última entrevista que nos deu, em setembro, disse que estava solteira e que nem sequer pensava em ter um namorado...
– Sim, e mantenho essa ideia, porque neste momento tenho outras prioridades. Tenho algum receio de encontrar alguém e desencantar-me. Neste momento estou dedicada às pessoas que tenho a certeza que não me faltarão, que estão sempre lá.
– Como lida com a hipótese de vir a ser considerada culpada no julgamento?
– Só peço a Deus para me dar a mesma força que me deu até agora. Neste momento, vivo um dia de cada vez. Desfruto da minha liberdade, dos meus passeios, dos meus amigos... Estou a viver tudo com muita serenidade. Já soube o que é viver praticamente sem poder pensar no amanhã. Por isso não me vou preocupar com o que vai ser a minha vida daqui a um ano.
– Sente saudades da mulher, em termos físicos, que era antes do acidente? Sempre foi uma mulher muito bonita...
– Há uma idade para tudo na vida. Tenho saudades da minha pele, mas hoje, aquela que tenho, que conquistei, é muito mais importante! [emociona-se] Hoje, as imperfeições tornaram-se menores.
Tem projetos profissionais?
– Sim, e estou muito entusiasmada. Estou a ajudar o Heitor Lourenço na encenação de E Tudo o Casamento Levou e estou e encenar uma peça infantil, escrita por mim, que se chama Nesta Noite de Natal. Estou muito feliz, porque estou a trabalhar com amigos, que me acarinham e isso, sim, é ter sucesso.

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