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Marcelo Caetano: Livro evoca o homem e o político

'Marcelo Caetano - Tempos de Transição' é o mais recente livro sobre a vida do homem que presidiu ao Governo português nos últimos anos do Estado Novo.

Marta Mesquita
27 de novembro de 2012, 18:30

Várias personalidades assistiram, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, à apresentação de Marcelo Caetano –Tempos de Transição, obra que reúne vários depoimentos sobre a intimidade e a vida política do homem que presidiu ao Governo português nos últimos anos do Estado Novo, entre 1968 e 1974, e que acabou morreu no exílio, no Brasil, em 1980.
Coordenado por Manuel Braga da Cruz e Rui Ramos, este livro só foi editado porque Pedro Rebelo de Sousa nunca desistiu de cumprir uma antiga promessa. “Não me considero o autor moral desta obra, apenas fui um facilitador e fiz com que esta iniciativa se tornasse possível. Dois dias antes de o meu pai morrer, comentávamos que não havia nenhum testemunho das personalidades vivas que tivessem vivido a governação marcelista de  dentro. Então, no enterro do meu pai, prometi a mim mesmo que ia tentar fazê-lo. Há três anos, organizámos várias palestras, que agora aparecem no livro, devidamente enquadradas e sistematizadas”, explicou o advogado à CARAS.
Marcelo Rebelo de Sousa, que deve o seu próprio nome a Marcelo Caetano – padrinho de casamento dos seus pais – partilhou algumas das memórias que tem deste homem que foi também um dedicado professor de Direito: “Esteve para ser meu padrinho de batismo, mas acabou por não ser porque já se considerava velho para isso. Tenho muitas recordações de Marcelo Caetano. Lembro-me de ir brincar muitas vezes para a sua primeira casa, junto ao Liceu Camões. Mais tarde, foi também meu professor. Era duro, sobretudo com os filhos dos seus amigos, como era o meu caso. Fazia parte do seu estilo de isenção. Passava a imagem de uma pessoa muito rígida, ortodoxa e distante, mas, na intimidade, não era necessariamente assim.”
Ana Maria Caetano, filha do antigo governante, também partilhou algumas confidências: “É bom ver que não só as pessoas que estavam contra o meu pai foram ouvidas, como as que estavam a seu favor, o que considero muito interessante. O meu pai era um grande português, que amou a sua pátria. Penso que gostava de ser recordado como tal e como um grande professor. Foi um ótimo pai, sempre tive uma relação muito especial com ele. Recordo-o com uma saudade imensa.”

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