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Hernâni Carvalho: "Um jornalista não é insensível à realidade"

Licenciado em Psicologia e doutorando em Psicologia do Terrorismo, o jornalista e comentador está agora dedicado à apresentação do programa da SIC, ‘Nas Ruas’, onde dá a conhecer histórias reais.

Andreia Cardinali
23 de novembro de 2012, 14:00

Hernâni Carvalho, de 52 anos, iniciou a carreira de jornalista há 30 anos. Trabalhou vários anos na RTP, onde se destacou nas reportagens de guerra. Acompanhou o processo de independência de Timor Leste, e terá sido então, em 99, que mais se deu a conhecer ao público em geral. Nos últimos anos dedicou-se sobretudo a análises e crónicas de temas do foro criminal e judicial. Atualmente, apresenta na SIC o programa Nas Ruas, onde dá a conhecer histórias reais.
Foi sobre esta última experiência, mas também sobre o seu percurso, sempre seguido pelo olhar atento da mulher, Ana Rita Carvalho, de 32 anos, com quem se casou há três anos, e dos filhos, Hernâni, de 25, e Dinis, de dez, que o jornalista conversou com a CARAS.
– Como está a viver este papel de apresentador?
Hernâni Carvalho –
É diferente do que tenho feito ultimamente, mas não é novidade, pois já o tinha feito na RTP. Este é um registo diferente, já que não é sobre crime mas sobre histórias de vida das nossas cidades, por isso sem opinião e mais factual. Está a correr muito bem, tem sido uma experiência muito boa.
– Como é que consegue conviver de perto com vidas tão difíceis, algumas até desumanas, e ‘desligar’ quando chega a casa?
Os jornalistas são pessoas, não são insensíveis nem dissociados da realidade... Aprendem, ao longo dos anos, a conter-se no momento e depois, no seu recanto, choram, indignam-se e às vezes até participam na solução dos problemas. E eu não sou diferente.
– Além deste novo desafio é ainda comentador do progra­ma Querida Júlia, vereador da Câmara de Odivelas... Como tem tempo para equilibrar todas as vertentes da sua vida, já que é também um homem de família?
A dedicação à profissão pa-ga-se com a vida privada. Às vezes paga-se caro...
– Sente que perdeu alguma coisa do crescimento dos seus filhos por essa dedicação?
É provável que tenha perdido, mas também ganhei coisas que não teria ganho... O meu filho mais velho, quando cheguei de Timor, teve uma reação fantástica, já que a preocupação dele assentava em dois pilares: o direito do povo timorense a ser independente e o dele a ter o pai perto dele... Hoje recordamos isso com alegria e carinho e a minha convicção é que o trabalho nos tirou momentos vitais, mas também nos deu momentos juntos que não teriam acontecido.
– Com o seu filho mais novo isso já não aconteceu...
A época é diferente, eu ten­ho outra atividade e o Dinis tem outra visão do pai.
– É agora mais presente?
Ao contrário do que as pes­soas acham, somos sempre pais diferentes, porque os filhos também o são. O Dinis vive o pai que tem com a idade que tem e de acordo com época em que vivemos. Não tenho mais para o Dinis do que tive para o Hernâni.
– Há três anos voltou a ca­sar-se...
Todos temos direito a ser felizes e a cada momento devemos criar condições para isso.
– E tempo a dois?
É sempre gerido com as contingências que a profissão ofere­ce. Quem tem uma relação com profissionais muito dedicados já o sabe logo à partida... Não dá para mudar as regras do jogo depois [risos].

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