Nas Bancas

Maria de Belém: “O meu marido tem sido sempre o meu grande pilar”

A propósito da publicação do seu primeiro livro, ‘Mulheres Livres’, a presidente do PS e antiga ministra da Saúde explica como sempre conciliou as exigências da carreira política com os papéis de mulher e mãe.

Inês Neves
18 de novembro de 2012, 14:00

Apretexto do lançamento do seu primeiro livro, Mulheres Livres, onde aautora conta a história de 12 mulheres portuguesas e estrangeiras de diversasáreas que lutaram pelos seus ideais e defenderam as suas ideias ao longo davida, a CARAS marcou encontro com Maria de Belém Roseira. Numa breve esincera conversa, a presidente do Partido Socialista mostrou o seu lado maispessoal e falou sobre o seu casamento com José Manuel Pina e da relaçãoque tem com a filha, Helena Pina.
– Identifica-se com estas mulheres sobre as quais escreveu?
Maria de Belém – O meu percurso é muito mais discreto. Mas sempre agi deacordo com aquilo que considerei justo e sempre fiz as minhas escolhas assentesnaquilo que, para mim, são critérios de justiça. E utilizando as funções àsquais ascendi, evidentemente tive sempre a preocupação de fazer com que elassignificassem alguma coisa. Acho que cada um de nós é irrepetível e como tal,cada um de nós tem um papel a desempenhar e esse papel deve ser desempenhadocom coragem, determinação e, de preferência, com bom senso.
– Como concilia as exigências da carreira política com os papéis de mãe emulher?
– Eu não diria que conciliei, mas sim que foi a família que conciliou comigo. Aminha família é extraordinária, pois sempre conseguiu aguentar as minhasausências, as minhas pressões e às vezes algumas tensões... Quando estamossobrecarregados isso também se manifesta em tensão relacional. Portanto, égente compreensiva, inteligente e moderna. E isso é que é o essencial. [risos]
– Dizem que por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Noseu caso passa-se o contrário?
– Não, o meu marido não está atrás de mim, está sempre ao meu lado. E é umimpulsionador, nunca foi uma pessoa que me limitasse no que quer que fosse esempre me ajudou a ir mais longe, mesmo que isso signifique menos tempo deconvívio. Tem sido sempre o meu grande pilar. A minha filha também éfantástica. Sempre foram, para além de compreensivos, facilitadores eimpulsionadores.
– Acha que a sua carreira a tornou uma mãe ausente? O seu marido poderá teracabado por compensar as suas ausências?
– É evidente que o meu marido esteve sempre lá para compensar as minhasausências.  Mas fiquei mais contentequando perguntei à minha filha – porque às vezes sou um bocado disciplinadora eporventura até muito exigente – se ela achava que eu era excessivamenteexigente e ela respondeu que eu era uma mãe atenta. E eu acho que ter uma mãeatenta é aquilo que, hoje em dia, muitos jovens precisam de ter.
– É uma boa mãe...
– Isso é melhor perguntar à minha filha. Mas sempre a deixei seguir o seupróprio caminho e muitas vezes ao arrepio daquilo que seriam as minhas escolhaspara ela. Mas tive de respeitar as escolhas dela, porque chega uma certa alturaem que nós não nos podemos impor e temos de os ajudar. Nós temos uma relaçãomuito boa e próxima, ainda que ela esteja longe, a viver em Londres. É umafilha muito carinhosa e protetora da mãe, portanto, digamos que às vezes háaqui uma inversão de papéis.
– Foi por causa da sua carreira que não teve mais filhos?
– Não tive porque a vida não me permitiu ter mais. Claro que gostaria de tertido mais, mas não aconteceu, não me foi possível.
– E netos? Está desejosa de ser avó?
– O futuro do mundo sus­ci­ta-me demasiadas preocupações para que veja comtranquilidade e expectativa positiva o aparecimento destas novas crianças. Nemé uma coisa que converse com a minha filha porque considero que nunca a devoinfluenciar nessas escolhas. Ela é muito sensível, delicada e afetiva,portanto, tem direito de decidir sobre essa parte tão importante na vida dequalquer mulher ou de um casal. Aí retenho-me e apago-me completamente.
– Dizem que a política pode tornar as pessoas mais frias e distantes.Aconteceu consigo?
– Isso não aconteceu comigo. Eu reflito muito sobre mim própria e sobre a formacomo estou no mundo. E como tive um contacto muito precoce com o mundo e com umcomportamento muito falso das pessoas em determinados ambientes, fiz semprequestão de não me deixar contaminar. Portanto, nunca aceitaria, pelo grau deexigência que tenho em relação a mim própria, que a política me mudasse. Eu seique, 40 anos de vida pública depois, não mudo a política, mas a minha grandederrota teria sido se a política me mudasse a mim.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras