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Jorge Tenreiro e Cláudia Cudell partilham paixão pelo Douro com os filhos

Tanto o cirurgião vascular como a artista plástica passavam muito tempo no Douro em crianças e transmitiram aos filhos o seu amor pela região, onde desde há seis anos produzem um vinho que já é premiado a nível internacional.

Joana Brandão
4 de novembro de 2012, 16:00

Juntos há 18 anos, Jorge Ten­reiro e Cláudia Cudell concretizam desde há seis anos o sonho de produzir vinho no Douro, região onde tanto um como outro viveram muitos momentos felizes em crianças. Na Quinta do Cume, em Provesende, o cirurgião vascular e a artista plástica fizeram nascer um vinho homónimo que já se destaca en­tre os melhores do mundo. Feito artesanalmente, o Quinta do Cume foi premiado no AWC, em Viena, com a Medalha de Prata e recebeu ainda a cotação 88, em 100, do influente crítico Robert Parker, na revista Wine Advocate. Vendido na Alemanha, Suíça, EUA e Canadá, o vinho produzi­do pelo casal, sob a orientação do enólogo francês Jean-Hugues Gros, está no mercado gourmet, tal é a sua exclusividade.
A morar no Porto, Jorge e Cláudia fogem para a quinta todos os fins de semana. E os filhos do casal, Frederico, de 16 anos, Henrique, de 14, e Vicente, de dez, também já estão ligados à terra. Ali, praticam desportos radicais, enquanto o pai trata da vinha e a mãe trabalha formas de comunicar e exportar o vinho. A CARAS acompanhou um dia de vindimas em Provesende, onde também estava Francisca, fruto do primeiro casamento de Jorge, do qual nasceu ainda João.
Como é que um cirurgião vascular, outrora campeão de velocidade, se entrega à produção de vinho?
Jorge Tenreiro – Sempre fui um apaixonado pela terra, pela natureza. Desde miúdo que vinha para o Douro, para a Quinta do Ataíde, que era da minha família, e cresci neste ambiente. Ter um espaço como este foi sempre um sonho e a Cláudia entrou na aventura comigo.
Cláudia Cudell – A minha família também tinha uma quinta em Mirandela, e em setembro eu ajudava sempre nas vindimas. Gos­to muito do campo e lembro-me perfeitamente de, no primeiro fim de semana que passámos juntos no Douro, termos falado que gostávamos de ter uma quinta para produzir vinho de qualidade.
– Os vossos filhos partilham esta paixão? É fácil tirá-los do Porto para virem para aqui?
– Felizmente, eles adoram vir para cá. Educamos os nossos filhos com valores de família e com esta casa quisemos, também, ter um espaço onde pudéssemos estar todos juntos. Aqui podem andar à vontade, andar de mota, fazer esqui no rio, nadar na piscina e fazer coisas que não fazem no Porto.
Veem neles seguidores para a Medicina ou para a viticultura?
Jorge – Só o mais novo, o Vicente, é que diz que quer ser médico. Eles vivem a quinta com muito entusiasmo e acompanham todo o proces­so, portanto, qualquer um deles poderá dar seguimento ao nosso trabalho. Aliás, a produção de vinho passou de hobby a investimento, porque queria deixar aos meus filhos uma situação estável que eles consigam manter.
Os rótulos dos vinhos são pinturas da Cláudia. Já tem saudades das telas e dos pincéis?
Cláudia – Fazer vinho também é uma arte e eu gosto de comunicar através das duas. Quando decidimos investir nisto, tinha acabado de fazer a pós-graduação em Arte Contemporânea. O meu marido pediu-me uma mão e eu dei-lhe duas! No início de qualquer projeto, é preciso muita dedicação e isto é a nossa paixão. O Jorge trata das vinhas e eu da parte comercial. Somos uma equipa e, apesar de isto ser muito exigente, é igualmente gratificante. Mas sim, tenho saudades de pintar, e embora ainda haja muito para fazer aqui, vou começar a tirar um tempinho para pintar.

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