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Núria Madruga e Vasco Silva falam dos gémeos prematuros, hoje com 15 meses

“Tivemos muito medo de os perder. O nosso pensamento sempre foi positivo, mas claro que passámos dias com muita angústia”

Cláudia Alegria
1 de novembro de 2012, 10:00

Ninguém está verdadeiramente preparado para as mudanças que a chegada de um bebé provoca, muito menos de dois bebés... e prematuros. Nem deveria estar. Nascer antes do tempo é antinatura e ver bebés do tamanho da palma da mão lutar pela vida dentro de uma incubadora, serem sujeitos a constantes exames, picadas de agulhas e ruídos de máquinas pode ser traumático para os bebés e, sobretudo, para os pais, que assistem impotentes à luta dos filhos pela vida. Núria Madruga e Vasco Silva passaram por tudo isto e só começaram a descontrair quando Sebastião e Salvador completaram o primeiro ano de vida. Respirar de alívio, preveem, acontecerá quando atingirem os dois anos. “Vê-los crescer tão bem e a ultrapassarem todas as barrei­ras torna-nos mais descontraídos”, revela Núria, que passou 51 dias junto às incubadoras dos filhos.
Sebastião nasceu com 780 gramas e Salvador com 1,280kg. Nada nestes bebés, hoje com 15 meses, revela o quanto já sofreram. Felizes e ativos, os dois foram o centro das atenções durante um evento de apresentação de uma nova linha da Barral, da qual a atriz se tornou embaixadora. “Fiquei muito feliz com este convite porque confio na marca e esta nova linha oferece a segurança e qualidade que procuro dar aos meus filhos. Os produtos são hipoalergénicos e protegem a pele delicada das agressões diárias, o que no caso dos bebés prematuros é ainda mais importante”, diz Núria.
– Quando olham para os vossos filhos ainda vos vêm à memória as imagens dos seus  primeiros dias de vida?
Núria –
Já não estão tão presentes como nos primeiros meses. Todas as inseguranças e receios que sentimos na altura começam a desaparecer a partir do primeiro ano, quando os vemos a andar e a serem cada vez mais independentes. Claro que nunca nos vamos esquecer de que já foram pequeninos e que é uma vitória estarem cá. Mas, com o tempo, essas imagens acabam por ficar um bocadinho mais longínquas.
Vasco – Hoje faz-me muita confusão pensar que o Sebastião media um palmo meu. Essas imagens estão sempre muito presen­tes e é impossível esquecer a história por que passámos, mas a dimensão real fica um pouco distorcida à medida que os vamos vendo crescer.
– Hoje saberão, melhor que nunca, a definição das palavras angústia e ansiedade?
Núria –
E medo. Tivemos muito medo de os perder apesar de, na nossa cabeça, termos sempre presente que isso não poderia acontecer porque só fazia sentido sermos quatro. O nosso pensamento foi sempre muito positivo, mas claro que passámos dias com muita angústia, em que ninguém nos dava respostas. Hoje sabemos dar valor a coisas que antes não dávamos, até porque somos pais e antes não éramos, e isso muda tudo num ser humano.
Vasco – Felizmente correu tudo bem e, durante o tempo que estiveram no hospital, face aos problemas que poderiam ter acontecido, como infeções ou re­trocessos no processo evolutivo, eles portaram-se sempre às mil maravilhas. Superaram as provas todas e foram uns heróis.
– O que mudou na vossa relação enquanto casal?
Tentámos ultrapassar tu­do da melhor forma possível, juntos, com o nosso amor, e, à medida que o processo ia avançando, tentámos adaptar-nos a uma vida a quatro, nunca esquecendo os nossos momentos a dois. Mudou muita coisa, mas o nosso amor está intacto, e isso é o mais importante.
Núria – Unimo-nos muito naquela fase porque só nós os dois sabíamos o que estávamos a passar. A nossa família estava ao nosso lado, também sofreu muito, mas só nós sabemos o que foi estar 51 dias naquela unidade a ver os nossos filhos lutar pela vida. A nossa vida mudou e o nosso amor também ficou fortalecido. Temos dois filhos que são o resultado do nosso amor e nunca vamos poder esquecer. Os momentos a dois são muito menos, é verdade, mas os momentos a quatro são fantásticos e muito melhores.
– Dizem que gostavam de ter outro filho. Não receiam passar por tudo outra vez?
Vasco –
É uma possibilidade e esse receio existe, mas duas vezes seria demais, não? Queremos viver a maternidade de forma diferente, passar por fases que não passámos e não ter as preocupações que tivemos.
Núria – Eu gostava muito de viver uma gravidez até ao fim e passar por um parto normal... Mas só daqui a uns anos!

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