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Catarina Furtado: Recordações de adolescência

A apresentadora e atriz regressou aos tempos de escola numa sessão fotográfica que decorreu no liceu que frequentou.

Cristiana Rodrigues
1 de novembro de 2012, 16:00

Com Catarina Furtado o assunto não esgota. Tem sempre histórias para contar e difícil é centrarmo-nos apenas numa delas. Desta vez fomos obrigados a deixar de fora algumas experiências, inspiradoras por um lado, dramáticas por outro, que tem vivido como Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População, assim como alguns episódios passados em Moçambique, Guiné-Bissau, Haiti ou Sudão do Sul ‘ao serviço’ do programa da RTP Príncipes do Nada. A apresentadora e atriz, que completou 40 anos em agosto, sugeriu ela própria que deixássemos para segundo plano a vida que partilha há sete anos com o ator João Reis, de quem tem dois filhos, Maria Beatriz, de seis anos, e João Maria, de cinco, e dois enteados ou “filhos do coração” como prefere referir-se a Maria, de 15 anos, e a Francisco, de 11.
Assim, a ação desta história desenrola-se na sua adolescência, parte dela passada no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde foram tiradas as fotos que ilustram estas páginas. Abrimos um parêntesis para Catarina partilhar o seu mais recente projeto humanitário, uma continuidade do trabalho que tem feito nos países em desenvolvimento mas agora em Portugal, a associação sem fins lucrativos Corações com Coroa...
– Aos 40 anos está a realizar um sonho?
Catarina Furtado – Sim, a verdade é que a consciência de que somos todos melhores seres humanos se estivermos atentos aos outros nasceu muito cedo, fruto da minha educação. A descoberta do associativismo cresceu, precisamente, neste liceu e os 12 anos de trabalho voluntário nas Nações Unidas, em que as viagens de estudo são essenciais para compreender as verdadeiras e dramáticas necessidades de outros povos, fizeram surgir em mim uma urgência em também atuar em Portugal. Apesar de serem realidades diferentes, existe ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito à discriminação e à falta de igualdade de oportunidades, nomeadamente em matéria de género: meninas, jovens e mulheres. A Igualdade de Género é uma estratégia eficaz para combater a pobreza e a exclusão social. A associação Corações com Coroa é um sonho tornado realidade que dá muito trabalho, mas que acrescenta mais sentido à minha vida.
– Como é que recorda a sua adolescência?
Tinha 12 anos e já passava os meus dias a subir e a descer a Calçada do Combro, pois tinha de me dividir entre o liceu e o curso de dança no Conservatório. Neste liceu não só conheci bons professores que me marcaram e que me despertaram a vontade de ser mais e melhor, como descobri um espírito inquietante, que ainda hoje tenho, de não me conformar. Descobri ainda grandes amigos que ficaram para sempre, como o Bernardo Sassetti, de quem tenho muitas saudades.
– Era bem comportada ou pisava o risco?
Fui ‘para a rua’ algumas vezes, mas regra geral era bem comportada. Por exemplo, os meus pais nunca tiveram de me mandar estudar ou repreender-me por causa das notas, e, no entanto, não era uma aluna extraordinária. Tinha boas notas às disciplinas que adorava, algumas muito boas, razoáveis às que gostava mais ou menos e más às que não gostava.
– E era uma miúda gira, que se destacava?
Era um bocadinho maria-rapaz. Era mui­to magra, os rapazes gostam mais de curvas. [risos] Tinha uma relação com os rapazes do ponto de vista do amigalhaço, portanto, nunca fui a rapariga desejada!
– Tinha espírito de líder?
Tinha espírito empreendedor. Não tenho problemas com o poder nem ambição de mandar. Não me importo que mandem em mim desde que me respeitem e respeitem as minhas convicções.
– Na adolescência vive-se tudo. O primei­ro beijo, o primeiro ‘charro’, a primeira bebida com álcool. Consigo foi assim?
Andamos a explorar... Sempre fui muito controlada, e no que diz respeito à droga, por exemplo, não sinto necessidade de experimentar sensações que me possam descontrolar ou pôr vulnerável. Consigo trabalhar as minhas emoções muito bem, controlo-as, conheço-as e gosto de as explorar. Gosto de rir, de abraçar, dançar, portanto, levo isso até ao limite. Quanto ao primeiro beijo, lembro-me de todos os namorados que tive, o que quer dizer que não foram muitos... mas quase todos bons.
– Sofreu algum desgosto de amor, daqueles em que achamos que o mundo vai acabar?
Lembro-me de aos 15 ter achado que o mundo ia acabar quando o meu namorado da altura foi para o estrangeiro e eu não via nenhuma esperança na minha vida [risos].
– Partilhava todas as suas preocupações com os seus pais?
Mais com a minha mãe. Sempre tivemos uma relação muito aberta. Com o meu pai era, e ainda hoje é, diferente. Sendo eu mulher, há um certo acanhamento, mas entre nós as coisas têm sido bem resolvidas através do silêncio, que pode ser uma opção fantástica de aconchego. Mesmo que num momento difícil nem eu nem ele tenhamos a capacidade de falar, esse silêncio é precioso e eficaz.
– A filha mais velha do seu marido é adolescente. Revê nela traços da sua adolescência?
Sim... Temos uma relação próxima e partilhamos imensas coisas. Dou-lhe conselhos, ela a mim e eu ouço-a. E isso é fundamental. À medida que vamos ficando mais velhos achamos que já sabemos muita coisa, mas é bom pararmos e ouvirmos os jovens. Estar atento é o maior conselho que dou a mim própria como futura mãe de adolescentes.
– Receia a adolescência dos seus filhos?
Claro que sim! Principalmente assusta-me o fenómeno da rapidez. Eles vivem à velocida­de com que enviam um SMS. Se para nós os tempos ‘mortos’ são tempos de maturação, de encantamento, de observação... para eles é uma ‘seca’. E essa rapidez reflete-se até nas relações humanas.

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