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Maya Booth: “Nunca vivi um amor não correspondido”

A atriz abriu a cortina e deixou que a CARAS entrasse um bocadinho no seu mundo.

Cristiana Rodrigues
28 de outubro de 2012, 10:00

Chegou à hora marcada e apresentou-se: “Olá, sou a Maya.” Com a simplicidade de quem não se considera uma estrela. O que Maya Booth, de 28 anos, ainda não percebeu é que são poucas as pessoas que não a reconhecem de imediato, sobretudo desde que a SIC começou a transmitir Dancin’ Days. Na novela veste a pele de Inês, uma jovem arquiteta workaholic, filha de mãe bipolar e pai homossexual, e a viver um amor não correspondido com a personagem interpretada por Albano Jerónimo. Diz-se que, na vida real, nasceu um romance entre os dois atores, assunto que Maya não comenta nesta conversa com a CARAS, na qual faz referência aos pais, Amanda Booth e Henry Richard, e fala da aventura de viver em Londres quando tinha 18 anos. Porque é obviamente reservada, entrámos no seu mundo de mansinho...
– Onde nasceu a vontade de ser atriz?
Maya –
Envolvi-me desde muito cedo num grupo de teatro inglês em Lisboa, The Lisbon Players [ao qual pertence a mãe], que fica na zona da Estrela. Cresci praticamente ali. Fui brincando e experimentando, lembro-me inclusivamente de, em miúda, decorar as falas dos atores. Este foi um grande presente que a minha mãe me ofereceu...
– Daí até pôr ‘mãos à obra’ foi um instante...
[Risos] Sim. Entretanto, quando tinha 14 anos, consegui um pequeno papel na curta-metragem 'O Apartamento' e este trabalho acabou por me dar confiança e um empurrão para continuar a sonhar e seguir o percurso da representação. Aos 15 anos fui para a prestigiada escola National Youth Theatre fazer um curso intensivo de três meses e foi incrível.
– Estudava nessa altura?
Sim, claro, e não desisti! Só três anos mais tarde é que embarquei na aventura de ir estudar representação para Londres. Desta vez o curso foi de três anos e foram os três anos mais intensos, desafiantes e duros da minha vida, mas também os melhores.
– Ter pais ingleses facilitou a adaptação?
Conhecia bem a língua mas não os costumes. Toda a minha família estava lá, mas eu estudava em Londres e eles nos arredores, por isso estava por minha conta e risco. Tinha 18 anos e estava a viver num país novo. Foi maravilhoso. Partilhei casa com pessoas de todas as partes do mundo.
– Deve ter sido uma boa experiência, aos 18 anos queremos fazer tanta coisa...
Sim, temos sede de fazer tudo. E queremos fazê-lo a uma intensidade atroz...
– Foi a imensos castings ou esteve sempre à hora certa no sítio certo?
Já lhes perdi a conta, mas tenho a certeza absoluta de que houve alturas em que estava no sítio certo à hora certa. Também sei que trabalho muito, que me empenho e entrego a cem por cento, acho que isso também contou a meu favor.
– Alguma vez foi rejeitada?
Tantas! Mais vezes do que fui aceite.
– E como reagiu? Talvez hoje reaja de forma diferente...
Uma das coisas que aprendi em Londres foi a ser forte e dura. Recebia críticas constantemente. Lá não nos dizem se somos bons nisto ou naquilo, antes apontam as nossas fragilidades. Mas acaba por ser maravilhoso, dá-nos atitude para enfrentar este mundo.
– Mas aceitava bem os nãos?
Sim, não me deixava ir abaixo. Continua­va a querer sonhar. Se não era aquele papel, continuava em frente.
Agora, em Dancin’ Days, tem um papel que lhe dá alguma visibilidade. Lida bem com isso?
Não exponho a minha vida privada. Espero que as pessoas respeitem isso e que acreditem nas minhas personagens acima de tudo.
– Preocupa-se muito com o que transparece de si, com a imagem que cria nos outros?
Não. As pessoas que me interessam são os meus pais, que apoiaram sempre as minhas opções, a minha família e alguns amigos, e esses sabem quem eu sou. As opiniões deles é que são importantes. Não me preocupa a imagem que posso criar nas pessoas. Sou como sou.
– E como é que reagiu quando, este verão, foram publicadas fotos suas em topless?
Senti um grande vazio, senti que me tinham invadido. Estava de férias, com amigos, e esse momento foi exposto numa revista... Respirei, aceitei. Afetou-me negativamente, mas dei a volta por cima.
– Mudou a sua atitude? Passou a ter mais cuidado ou é o tipo de coisa que não afeta os seus hábitos?
No dia a seguir pode ter a certeza de que não fui para a mesma praia... [risos]
– Na novela, a sua personagem tem uma mãe bipolar, um pai homossexual... Já se imaginou a viver num ambiente desestruturado como este?
Não, não me imagino a viver num ambiente familiar assim, só a ideia é aterradora. Deve ser preciso ter muita força para gerir todas as emoções...
– Na novela vive ainda um amor pouco correspondido... Já viveu um amor assim?
Não, nunca vivi um amor não correspondido...
– Que sorte...
Sim, sou uma sortuda. [risos]
– Mas apaixona-se com facilidade?
Sim, por tudo. Pelas coisas, pela vida... Apaixono-me com muita facilidade.
– Por pessoas também?
Sim.
– E vive amores intensos ou é de paixões fugazes?
Cada coisa é única... Já tive várias experiências na minha vida, por isso não consigo responder a essa pergunta. Tudo tem a sua intensidade.
– Vive um grande amor neste momento?
Não vou responder!
– Na juventude era muito namoradeira?
Não. Era tão tímida... e depois tinha a barreira da língua e foi difícil. Escondia-me atrás da cortina, não queria ser vista por ninguém...
– Sendo tão tímida, como é que escolheu uma profissão em que é preciso dar a cara, sair de trás da tal cortina?
Quando estou a representar estou em personagem e isso deixa-me confortável... Como está a ver, aqui estou eu, sem artifícios, e está a ser muito difícil. [risos]

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