Nas Bancas

Vanessa da Mata: “A adoção foi um exercício poético de maternidade”

Aos 36 anos, a cantora brasileira está a fechar um ciclo de vida que a levou a adotar três crianças. Era algo desejado desde a infância, inspirada pela atitude da avó que a criou, como nos contou.

Redação CARAS
27 de outubro de 2012, 10:00

Um pai algo severo que queria que seguisse Medicina, uma mãe trabalhadora que a apoiou no sonho de ser artista e uma avó que lhe ensinou que a família é um projeto grandioso, em tamanho e sentimentos, acabaram por lhe moldar a personalidade. A música sempre fez parte da sua vida e a chegada do sucesso não escondeu a sua faceta tímida e discreta. Aos 36 anos, Vanessa da Mata está a fechar um ciclo, profissional e pessoal.
Depois de dois anos a promover ao vivo Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias, a cantora está agora em estúdio a trabalhar um novo disco.
No âmbito da sua vida privada, Vanessa, que é casada com o ator e fotógrafo Gero Pestalozzi, adotou recentemente três irmãos: Filipe, Micael e Blanca, com idades entre os seis e os dez anos. “Desde criança que queria adotar e percebi, através do testemunho de várias pessoas, principalmente de pais, que quando existem pais equilibrados, doces e amorosos, dificilmente qualquer filho, sanguí­neo ou de coração, vai dar errado”, explica, pesando cada palavra e acrescentando: “A adoção é um ato lindo. É quase surreal perceber que filhos biológicos têm atitudes completamente diferentes dos pais, e filhos adotivos têm total semelhança com os pais adotivos. É tudo uma questão de educação, limites e amor. Por ter sido praticamente filha adotiva da minha avó, em virtude de os meus pais trabalharem imenso, desde cedo percebi que não precisava de alimentar o ego fazendo filhos ao meu reflexo físico. E, já que precisava e queria exercer a minha decisão de maternidade, seria muito mais maduro, poético e satisfatório para mim fazê-lo de uma forma universal, através da adoção. É como uma adoção de amor a uma sociedade inteira. Não sei se as mães biológicas sentem o mesmo que eu, mas sinto-me abençoada.”
Voz maior da chamada nova geração da MPB (Música Popular Brasileira), Vanessa ganhou fama universal graças a uma música – Boa Sorte/Good Luck – composta e cantada a dois com o músico americano Ben Harper. Nesta entrevista, em Lisboa, a cantora e autora, que, curiosamente, não toca qualquer instrumento, falou também do seu “doloroso” processo criativo: “Preparar um novo disco é sempre um processo doloroso. Os sentimentos são muito fortes e deliberadamente fazem de mim um mero instrumento. Fazer uma música parece e é divertido, mas chega um momento em que me domina completamente, me inferniza e me pede para nascer, nem que seja de madrugada, quando não consigo dormir.”
Independentemente desta luta criativa, Vanessa confessa, re­ferindo-se a problemas de saúde que enfrentou em criança: “Foi a música que me salvou e me fez querer viver. E viver é um bom vício!”

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras