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Teresa Guilherme: "Há um lado meu profundamente frágil, o da chorona"

A apresentadora está entregue ao programa ‘Casa dos Segredos’, mas não desiste de outros projetos.

Manuela Silva Reis
26 de outubro de 2012, 12:16

Não precisa de apresentações. Teresa Guilherme está de novo a tomar conta das noi­tes de domingo na TVI, à frente de mais uma edição de Casa dos Segredos. E gosta genuinamente do programa. É o que está a fazer agora, mas muito mais há para concretizar, como, por exemplo,  montar um projeto no Brasil, um trabalho hercúleo que não põe de parte. Por cá, gostava de fazer novelas, ficção e estruturar um canal por cabo.
Quanto à vida pessoal, “estou bem, obrigada”, diz, de sorriso rasgado. Não tem namorado que se conheça, mas não nega que o melhor das relações é namorar. Quanto a um novo casamento, não diz que sim nem que não.
– É saudosista?
Teresa Guilherme –
Nada. Este é o meu tempo, na minha década dos 50, como é o tempo dos que têm 20 ou 30. Este só deixa de ser o nosso tempo quan­do morrermos. Gosto imenso de biografias, por exemplo, mas o passado pesa, carregar o passado é um disparate. Não sou nada de ir ver imagens antigas do que já fiz. Tenho memórias e guardo-as, mas ir ver o que fiz ontem, nem pensar. É óbvio que gosto de recordar as pessoas com quem convivi, mas não sou nada saudosista.
– Acredita que as pessoas mudam ao longo da vida?
– O que pode mudar é a maneira como nos manifestamos, ou seja, eu sou a mesma, continuo a ralar-me tanto com as coisas como antes, mas já não me manifesto da mesma maneira porque não estou para me ralar. Imaginar que eu ia deixar de ser furiosa dramática a trabalhar era impossível. Já me dei muito bem e muito mal por dizer aquilo que penso. Se consigo calar-me hoje em dia? Às vezes, às vezes.
– Já teve de mudar atitudes por perceber que tinha de ser?
– A minha mãe está sempre a dizer-me: “Não te perguntaram nada, para que é que respondeste?” Porque é verdade! Talvez não seja tão impulsiva, mas é porque não me quero maçar,  mas não resisto a uma boa piada. Se apanhar uma situação pela frente que seja assassina mas que seja uma boa piada, ah, caramba, tenho de a dizer!
– Mesmo sabendo que a televisão é mãe e madrasta?
– As pessoas esperam que eu seja sincera e se começasse a ser politicamente correta, achariam que eu estava doente. Com o tempo tornamo-nos é mais comedidos. Não acredito na história da sabedoria, sabemos mais coisas, temos mais experiência, mas não quer dizer que saibamos viver melhor. Há muita gente velha que não tem sabedoria nenhuma, e muita gente nova que a tem.
– A ideia que temos de si enquanto mulher tremendamente independente e assertiva é correta?
 – Sou uma mulher forte porque acho que não vale a pena perder tempo com fraquezas. Também tenho medos, mas não tenho alternativa: domei-os. Sou forte no sentido em que sei que tenho de fazer determinada coisa e não tenho alternativa.  Não nos podemos render. Mas há um lado meu profundamente frágil, o lado chorão, embora menos chorona recentemente. Há uma Teresa de brincar, frágil, que se ofende, que gosta de receber flores. Há uma mulher e uma menina e eu exerço muito o meu lado criança, deixo-a brincar e manifestar em muitas circunstâncias. Nos programas, por exemplo, divirto-me imenso.
– Mas há uma mulher forte no sentido de que faz a sua vida sozinha...
 – Sim, meto na cabeça que tenho de fazer uma coisa e faço. Depois, nunca estou sozinha, há iPhone para falar com toda a gente e para todo o lado, o que é preciso é estar disponível para conhecer outras realidades. E aparece sempre imensa gente que fala connosco. Vou sozinha para todo o lado porque toda a gente fala comigo e mesmo que fique sozinha, tenho imensa coisa para fazer e preciso sempre de tempo para estar comigo. Tenho hábitos de filha única, gosto dos meus momentos, sou capaz de estar horas a olhar para uma paisagem bonita ou a ler.

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