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Júlia Pinheiro: "Estou em plena fase de enamoramento por tudo o que se passa à minha volta”

A apresentadora e diretora de Gestão e Desenvolvimento de Conteúdos da SIC completou 50 anos no passado dia 6, na mesma data em que a SIC celebrou os seus 20 anos. A CARAS conversou com Júlia Pinheiro, que fez uma retrospetiva destas últimas duas décadas.

Marta Mesquita
17 de outubro de 2012, 11:20

O passado dia 6 foi uma data de dupla celebração na SIC. Além de se comemorarem os 20 anos da estação, Júlia Pi­nheiro, uma das fundadoras do canal e atual diretora de Gestão e Desenvolvimento de Conteúdos, completou 50 anos.
Apesar de ter passado o seu aniversário a trabalhar, a apresentadora confessou-nos que foi “um dia muito agradável”, já que trabalhar é das coisas que mais prazer lhe dá: “Divirto-me imenso com aquilo que faço. Tenho uma profissão que me apaixona profundamente. Em grande parte das minhas horas estou a pensar em televisão, em programas, em novos projetos.”
Se profissionalmente é uma mulher realizada, o mesmo se pode dizer no que respeita à sua vida pessoal. Agora que os filhos, Rui, de 23 anos, e as gémeas Matilde e Carolina, de 19, “já estão crescidos”, Júlia quer desfrutar ao máximo desta nova fase ao lado de Rui Pêgo, seu marido há quase 30 anos.
Tendo como mote o seu 50.º aniversário, a apresentadora  fez um balanço das últimas duas décadas e partilhou os seus obje­tivos e sonhos para os anos que se avizinham.
– Os 50 anos já são uma idade que pesa?
Júlia Pinheiro
– Eu não sei o que se está a passar, mas os 50 anos não me pesam nada, antes pelo contrário. Está a ser muito agradável. Não sinto que tenha meio século! Curiosamente, a única manifestação extra foi comover-me hoje, quando entrei em direto [na emissão de aniversário da SIC] porque estava ao lado da Conceição Lino, que foi a minha grande companheira quando começámos há 20 anos aqui na SIC. E ver-me ao lado dela, inteirinhas, com saúde, lindas de morrer, foi especial. Ela sempre foi uma das minhas grandes amigas, mesmo quando eu estava na TVI.  Foi só por aí que senti que os 50 tinham entrado. Está a ser um dia especial, com uma grande festa.
– Hoje também é um dia de festa para a SIC, que comemora 20 anos, e a Júlia foi uma das fundadoras…
– São 20 anos estrondosos. So­nhei muito com esta carreira. Co­mecei um bocadinho mais tarde do que os outros, só cá cheguei aos 30 e tive a imensa felicidade de vir como fundadora de uma empresa e de um projeto de televisão que nunca se afastou da sua ma­triz. Estes 20 anos trouxeram-me tudo: as alegrias, o crescimento profissional, a maturidade e uma gratificação constante. Continuo com o mesmo entusiasmo e sempre que entro em antena, faço-o como se fosse a última vez.
– Numa entrevista que deu à CARAS em 1995, dizia: “Desde os 15 anos que tinha perfeitamente definido como meta que queria ser profissional de comunicação em televisão.” Quando entrou para a SIC, sonhava chegar ao patamar profissional que já alcançou?
– Tinha essa esperança, mas não sabia que ia ter uma carreira tão esplendorosa. Trabalho muito e as carreiras não se fazem sem esse esforço, mas também tive muita sorte, porque estive nos momentos certos nos locais certos, ao lado das pessoas que acreditaram no meu talento e na minha capacidade de trabalho, e isso é uma bênção. Estou muito grata aos acontecimentos que me conduziram até aqui.
– A sua personalidade mudou muito ao longo destas últimas duas décadas?
– Há características da nossa personalidade que nunca se alteram. O tempo só nos dá mais espaço e maturidade para as usar. Sou a mesma pessoa de sempre, não mudei nada. Talvez esteja um bocadinho mais tolerante, a idade traz-nos isso. Não sou é muito paciente! Também me tornei muito mais exigente. Acho que tenho esta sorte, de estar aos 50 anos no sítio certo, com um desafio tremendo nas mãos. Estou numa empresa que sempre esteve à frente. Está a abrir-se um novo ciclo na indústria da televisão e eu estou aqui.
– Há 20 anos os seus objetivos eram criar os seus filhos e consolidar a sua carreira. Hoje, quais são as suas metas?
– Pessoalmente, é uma fase muito mais tranquila, porque os filhos já estão crescidos, já têm as suas vidas. Estou muito empenhada na minha carreira, em ter uma boa qualidade de vida. Trabalho muito, mas sinto que tenho de equilibrar as coisas. Também vivo uma etapa muito interessante no meu casamento. Agora tenho mais tempo para mim e para o meu marido e as coisas vão correndo muito bem. Depois, quero manter-me apaixonada e entusiasmada com tudo. Penso que a perda desse entusiasmo é um dos principais problemas quando se envelhece. Mas eu não estou nada desencantada, estou em plena fase de enamoramento por tudo o que se passa à minha volta.
– Estão juntos há quase 30 anos. O que é que tem pautado o vosso casamento?
– O meu marido é tudo, o princípio, o meio e o fim. Tenho muita sorte, mas ele também tem! [risos] A coisa mais fantástica é escolher-se bem e ele escolheu-me e eu escolhi-o. Continuamos profundamente apaixonados um pelo outro e felizes por nos reencon­trarmos no fim de todos os dias. Somos a melhor companhia um do outro. Estou ao lado de um homem que é inteligente, tem sentido de humor, que é muito carinhoso e que tem todas aquelas coisas que as mulheres adoram, que é o sentido do romantismo, o cuidado com a relação. Eu sou menos militante nisso. Ainda hoje de manhã, cheguei ao carro e tinha lá um presente dele! É um homem com esta sensibilidade.
– Agora que os seus filhos já são adultos, é mais fácil ser a mãe amiga em vez da mãe educadora?
– Não. Sou mãe, mãe. Não sou nada amiga ou cúmplice! Mas temos uma ótima relação e quando falo com eles já falo com gente adulta.
– Para quem, como a Júlia, já chegou ao topo de carreira, sobra espaço para se ser mais ambicioso?
– Na minha carreira como apresentadora não deve existir muito mais coisas que ainda não tenha feito. Mas uma carreira na apresentação é um projeto contínuo. Estou a fazer um programa diário, que ainda não é líder e tem de ser, tenho de ajudar a estruturar e a consolidar aquela que é a nossa estratégia para o day time... Tenho desafios de uma grande responsabilidade pela frente.
– Disse que se tornou uma pessoa muito mais exigente. Como é que lida, então, com os seus erros ou com aquilo que corre menos bem?
– Depois de termos feito um percurso muito completo, há coisas que já não podemos falhar. E quando isso acontece, confesso que fico um bocadinho irritada, mas depois passa. No campo pessoal, quase não dão por mim. Ao contrário do que pensam, em casa falo muito pouco ou muito menos do que aquilo que falo na televisão, o meu marido fala muito mais do que eu! Começa a falar às nove da manhã e não se cala o dia todo! Eu estou mais calada. As coisas lá em casa são muito serenas. Aliás, a minha casa é o meu refúgio. Cada vez mais preciso do meu silêncio, do meu recato e do meu sossego.
– Continua em excelente forma física. Quantos quilos é que já perdeu?
– Agora não sei bem... Para aí uns nove, dez. Se puder perder mais alguma coisinha, fico feliz. A menopausa põe quilos até nos joelhos e tornozelos!
– Lida bem com as marcas físicas do envelhecimento?
– Lindamente! Às vezes o ecrã é um bocadinho cruel e quando atingimos uma certa idade, começamos a ter o problema das roupas, o que fica bem, o que fica mal... O corpo já não é tão ‘bem acabado’ como era e temos de ter algum cuidado. De resto, lida-se bem.
– Gosta mais do que vê hoje ao espelho do que há alguns anos?
– Muito mais! Sou o que se chama um meio século muito bem sucedido!
– O que é que lhe alimenta o ego?
– Dizerem que sou fixe e boa pessoa alimenta-me o ego.

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