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Anabela Moreira: “O amor de um homem pode ser algo muito doloroso”

A atriz de ‘Sangue do Meu Sangue’ conversou com a CARAS e mostrou o seu lado mais emocional.

Marta Mesquita
13 de outubro de 2012, 10:00

Anabela Moreira sempre foi fascinada pelo mundo do cinema e o que começou com pequenas representações em casa ao lado da irmã gémea, Margarida, tornou-se com os anos uma vocação “séria e pensada”, como nos explicou. Apaixonada pelo que faz, é com uma dedicação total que se entrega a cada nova personagem. Se for preciso engordar mais de 20 quilos, engorda, se sentir que é necessário ir viver durante várias semanas para o local onde vai ser rodado o filme, vai. A procura da excelência já lhe valeu vários prémios e distinções, como a sua nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Cinema pela sua participação em Sangue do Meu Sangue, filme agora proposto pela Academia Portuguesa de Cinema para os Óscares.
Durante uma conversa intimista, Anabela partilhou com a CARAS os sonhos que gostava de alcançar, revelando ainda o seu lado mais privado e emocional.
– Como é que descobriu que queria ser atriz?
Anabela Moreira
– Quando era criança, gostava de fazer discursos, de falar sozinha, de estar em frente ao espelho a reproduzir emoções. Eu e a minha irmã inventávamos personagens e representávamos juntas. O meu pai tinha o Cinema Turim, que agora é um teatro, e lembro-me de ir às matinés ao domingo. Foi lá que percebi que o cinema me fascinava. Depois, comecei a representar em grupos de escola, com os amigos, até que se tornou uma vocação mais séria e pensada.
– É uma atriz ambiciosa?
– Já fui mais ambiciosa. Quando era mais miúda sonhava muito e acreditava que ia realizar todos os meus desejos. Agora, o que ambiciono é ter propostas de trabalho, olhar para as personagens e perceber que posso ser uma mais-valia para aquele trabalho. Gosto de sentir que fiz tudo o que estava ao meu alcance para que aquela personagem resultasse.
– Parece ser uma atriz muito segura. Essa imagem é verdadeira ou é uma pessoa mais insegura do que aquilo que aparenta?
– Acho que tenho tido muitos problemas por ter uma imagem tão diferente daquilo que se passa no meu íntimo. Sou capaz de ser a pessoa mais insegura do mundo, mas aquilo que projeto para fora é o contrário. Já percebi que há pessoas que me consideram um pouco arrogante e até narcísica. Como sou insegura, falo pouco, fico no meu canto e isso, aliado a uma imagem de mulher segura, faz-me parecer uma pessoa que não sou!
– Então, quem é a verdadeira Anabela?
– Estou em permanente análise de mim mesma. Se alguém me faz um elogio, não levo muito em conta, mas se me criticam, sou capaz de ficar obcecada com isso, porque quero melhorar sempre. A pergunta mais difícil que me podem fazer é: “Quem és tu?” Há sentimentos tão profundos que são impossíveis de reproduzir em palavras. Sou uma pessoa contraditória, não sou linear. Ainda sou um pouco ingénua, talvez por ter sido demasiado protegida pela minha família, sou insegura a maior parte dos dias, sou demasiado pensativa, melancólica, mas na maioria das vezes não demonstro nada disso! Sou carinhosa, mas também fria.
- Não é um bocadinho castradora consigo própria?
– Sim, muito. Sou a minha pior amiga, porque estou sempre a criticar-me. Mas essa obsessão de pensar que posso sempre dar mais também me permite superar-me. Quando recebo um guião, vou logo à procura daquilo que posso fazer. Se for preciso ir viver durante uns tempos para o sítio onde vamos filmar, vou. Gostava de experimentar a sensação de “isto chega”. Não sei o que é isso. O ideal para mim era poder fazer apenas um filme por ano e ganhar muito bem por esse trabalho. Não consigo perceber como é que as pessoas conseguem estar envolvidas em dois e três projetos ao mesmo tempo!
É uma pessoa muito emotiva?
– Já não sou tanto como era, mas mesmo assim ainda preciso de trabalhar esse meu lado. Sou muito sonhadora e divago imen­so. Estou sempre muito atenta às sensações. Houve uma altura em que deixei de ver os telejornais, porque estava a ficar verdadeiramente doente com aquilo que via.
– E que sonhos mais pessoais gostaria de realizar?
– Gostava muito de ter filhos, mas é um sonho que tenho vindo a adiar, porque comecei a ver o casamento como uma construção social que muitas vezes implica mais sacrifício do que amor, ao fim de muitos anos. E para mim, ter filhos está necessariamente associado ao casamento, foi isso que me foi transmitido em famí­lia. E apesar de eu ser uma pessoa muito independente, quando se trata da minha família, não gosto de chocar nem de sair do esquema. Nunca me senti com confiança para pôr a minha vida nas mãos de outra pessoa, porque o amor de um homem pode ser algo muito doloroso. Nunca tive a coragem de me casar, mas sei que isso vai fazer parte da minha vida, tal como ter filhos. Se vir que estou a chegar àquele limite de idade e que não estou casada, então avanço para ter filhos mesmo sem casamento!
– Mas neste momento há alguém especial na sua vida?
– Não. Já estou sozinha há sensivelmente um ano.
– E vive bem com o facto de estar sozinha?
– Nunca estive sozinha, tive sempre relações. Atravessei uma fase muito dolorosa e só há três, quatro meses é que percebi que podia ser feliz mesmo estando sozinha. Tenho muita dificuldade em apaixonar-me. Todos os meus namorados andaram atrás de mim durante meses. O sentimento é uma coisa que se vai construindo. Nunca me aconteceu olhar para alguém e apaixonar-me. Tenho de ser conquistada e sentir confiança para me entregar. Por isso é que prefiro defender-me.

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