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Paulo de Carvalho: “Quero é que os meus filhos sejam felizes"

A comemorar 50 anos de carreira, o cantor prepara-se para dividir o palco com os filhos Mafalda e Agir, além de outros artistas de renome, no próximo dia 7, no Teatro Tivoli, em Lisboa.

Andreia Cardinali
16 de setembro de 2012, 10:00

Com 50 anos de carreira, Paulo de Carvalho, de 65, é um nome incontornável da música portuguesa e um marco associado à liberdade do país com o tema E Depois do Adeus, que deu sinal para o início da revolução de 1974. Despreocupado com o que os outros possam dizer de si, mas agradecido a quem continua a seguir o seu percurso, o artista prepara-se para mais um espetáculo da Tour 50 anos, no Teatro Tivoli, no próximo dia 7 de setembro. Ocasião em que partilhará o palco com outros artistas, mas também com dois dos seus cinco filhos, Mafalda Sacchetti, de 35 anos, e Bernardo, de 25, conhecido pelo nome artístico de Agir. O músico é ainda pai de Paulo Nuno, de 44 anos, Maria, de nove, e Flor, de quatro, estas últimas fruto da sua relação de 14 anos com Susana Lemos, de 39. Foi na companhia de Mafalda e Agir, também eles músicos, que o cantor conversou com a CARAS.
– Como descreve estes 50 anos?
Paulo de Carvalho –
Têm sido anos muito felizes, ainda que a felicidade seja obviamente feita de momentos. Haverá momentos menos bons, mas maus não, sobretudo analisando o país em que vivemos, culturalmente falando. Profissionalmente, tenho-me divertido a sério e com seriedade, conforme o público me merece, já que se não fosse ele eu não estaria aqui.
– Quando começou a sua carreira acreditava que poderia chegar tão longe?
Foi uma coisa vivida diariamente. Quando comecei, na altura dos Shake, queríamos somente fazer música pela música. Quer dizer, sabia que gostava muito de música, mas só passado alguns anos entendi que era o que ia fazer para o resto da vida.
– E hoje ainda há esse amor pela música?
Só há. Continua a haver um entusiasmo muito grande em fazer música, em descobrir uma série de coisas e em continuar a fazer com que as pessoas gostem daquilo que faço, embora eu nem sempre seja coerente naquilo que faço, já que não gosto de pertencer a prateleiras, mas sim de estar sempre em mudança. O que sinto nestes anos todos é que tem havido grandes descobertas em termos musicais e pessoais.
– Onde vai buscar inspiração para compor?
A tudo, sobretudo à pessoa que sou, já que não me dissocio do trabalho que faço. Há ideias que já tenho para coisas que virão a seguir, onde todos os meus filhos vão estar representados. Temos de andar sempre à procura de ideias para desenvolver trabalhos.
– É também isso que o faz sentir-se vivo...
Claro que sim. Há duas questões principais, uma é a paixão grande pela profissão, outra é um respeito muito grande pela própria.
– A Mafalda e o Agir seguem o seu caminho na música. Sente-se orgulho­so, receoso...?
Os problemas base dos mais novos na música são exatamente os mesmos que eu tenho com 50 anos de profissão, que é o problema da divulgação do nosso trabalho. Se me orgulho deles, claro. Não fiz nada para que tal acontecesse, a não ser tê-los influenciado com a música que foram ouvindo, que era a que eu ouvia. Eu defendo muito aquela ideia vulgar de que quero é que os meus filhos sejam felizes.
– Considera que para os seus filhos, a nível profissional, é benéfico ou prejudicial serem filhos do Paulo de Carvalho?
Já levaram muito ‘bofetão’, sobretudo a Mafalda. Eles têm andado comigo nestes espetáculos e são dois dos convidados principais, não por serem meus filhos, mas porque têm nível artístico para isso e inclusivamente uma das músicas do espetáculo é do Bernardo. Ele não liga muito a isso e penso que já ultrapassou, se é que alguma vez se sentiu afetado. A Mafalda não. Não digo que não lhe tenham acontecido coisas boas e simpáticas por ser filha de quem é, mas a maioria das coisas foram piores do que as melhores.
– E como é que o Paulo lida com isso enquanto pai?
Já os tinha prevenido que esta era uma vida complicada. Esta é uma profissão em que se pode ganhar dinheiro com muita facilidade, mas com seriedade é mais complicado. Estas coisas fazem parte do crescimento.
– Apesar de ter cinco filhos, esta é a primeira vez que tem dois deles na mesma casa em per­manência, neste caso a Maria e a Flor, já que os mais velhos têm mães diferentes. É uma novidade...
Sim, é um facto muito feliz e que me dá experiências totalmente novas. Têm coisas muito engraçadas e muitas guerras saudáveis que fazem parte do crescimento. Aprendo muito com elas, como aprendi com todos eles, já que cada pessoa é um mundo.
– Deve ser engraçado ser pai em fases da vida tão diferentes...
No essencial, não há grandes diferenças, a não ser percebermos as pessoas que eles são. São pessoas como outras e eu trato as pessoas de quem gosto de uma forma correta, sempre respeitei o ser humano. Não sou nada paternalista, acredito que vivemos todos juntos e que tudo o que fizermos serve para todos, para nós e para os nossos.
– Mesmo não sendo paternalista, prepara-os para o mundo?
Não sou muito de conversas, sou mais de exemplos e se sinto que me porto bem no meu dia-a-dia, acho que estou a fazer o que é suposto.
– Sente algum peso por ser o Paulo de Carvalho?
Hoje em dia creio que não. Já houve alturas em que a nossa vida estava separada por esquerdas e direitas e as pessoas não podiam tomar caminhos de uma forma clara e eu sempre os tomei. Sempre disse o que pensava, o que fazia e quem era e por vezes era atingido por pessoas que não concordavam comigo, mas isso já passou. Acre­dito que passou, porque as pessoas veem que sou coerente, aquilo que dizia é o que continuo a fazer.
– Sente-se feliz com o percur­so que fez?
Sinto-me feliz com a maior parte das coisas que fiz. Claro que há coisas que não faria da mesma maneira, mas também não me arrependo. Tudo isto é viver, umas vezes melhor, outras pior, e isso é o essencial. Devemos usufruir das coisas boas que temos.

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