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Elsa Raposo e Patrick Haillot: "É muito bom estar ao pé de quem se ama"

Juntos há dois anos, a ex-manequim e o empresário, que vivem na África do Sul, estão de visita a Portugal.

Andreia Cardinali
9 de setembro de 2012, 13:00

Afastada de Portugal há dois anos, Elsa Raposo, de 48 anos, está a atravessar uma das fases mais tranquilas e apaixonantes da sua vida, junto do empresário francês Patrick Haillot, de 56 anos. Este amor, vivido na África do Sul, tem contado com o apoio incondicional dos filhos de Elsa, Afonso, de 18 anos, Lourenço, de 17, e Francisco, de 15, assim como dos filhos de Patrick, Jonathan, de 27 anos, Emanuel, de 26, e Morgane, de 18.
De férias no Alentejo, onde se conheceram, foi na véspera de completarem o segundo aniversário de namoro que contaram à CARAS como se sentem felizes juntos.
– Como é que se conhece­ram? Foi amor à primeira vista?
Patrick Haillot –
En­con­trámo-nos no Alentejo, por intermédio de amigos comuns, e foi bastante rápido.
Elsa Raposo – Quando conheci o Patrick senti um turbilhão enorme de emoções e imensa vergonha. Parecia uma adolescente. Percebi que não era muito vulgar sentir essas emoções ao rubro, mas ao mesmo tempo de uma forma muito tranquila. O Patrick é uma pessoa extraordinária e tem o dom de saber receber os amigos, com uma simplicidade rara e elegância única, e isso é algo que me cativa. Depois, é um homem lindíssimo e o tempo trouxe-nos momentos únicos. Em curtos dias, somente uma semana, percebemos o quanto queríamos estar juntos e um mês depois fomos para a África do Sul.
– É o que se chama partir à aventura...
Na vida há muitas aventuras e se não houvesse risco seria muito aborrecido, pois não se conseguiria atingir metas. Na minha idade não me atrevo a envolver-me em aventuras que não me digam nada e foi uma boa aposta [risos]. Essa é a parte mais divertida e picante da vida. O sofrimento e a liberdade têm um limite, mas a felicidade e a esperança não.
– O Patrick já fazia vida naquele país...
Patrick –
Sim, já lá estava há um ano. Há 15 anos criei uma empresa de desenvolvimento de projetos de energias renováveis e decidi apostar no mercado africano, que estava em expansão. Agora já não há nenhuma razão para voltar para cá, tudo corre bem.
– Elsa, acredito que a sua ida se deva também à vontade de mudar o seu caminho...
Estava triste com algumas coisas, sim, mas já tinha mudado de caminho antes disso. Desisti de trabalhar numa estação de televisão em que estava a aprender bastante – e tenho muito a agradecer à TV Record – para me afastar daquilo que me magoava. Ser uma figura pública torna-nos alvo de coisas menos boas. Inconscientemente, acho que muitos portugueses não sabem lidar com o sucesso dos outros. Eu gosto de estar rodeada de pessoas que estejam de bem com a vida e tenham sucesso, já que uma fatia dessa alegria também é minha. Foi uma decisão muito dura, já que a minha família não entendia porque é que estava a desistir de um trabalho, mas as consequências desse trabalho estavam a deixar-me muito infeliz. Fui trabalhar para Angola, mas entretanto conheci o Patrick. Tinha tudo planeado para embarcar, com o objetivo de fechar um contrato com uma companhia de hotéis, mas mudei de ideias e fui para a África do Sul [risos]. É muito bom estar ao pé de quem se ama e sabermos que vamos envelhecer lado a lado.
– Mas é preciso ter coragem para tomar uma decisão dessas quando se tem três filhos que ficaram em Portugal...
Sim, e aconteceu o mesmo com o Patrick. Os nossos filhos, com as idades que têm, já percebem as coisas. Os meus filhos preferem que eu esteja lá e bem... Além disso, as distâncias são cada vez mais curtas e há outras formas de diminuirmos a falta que sentimos uns dos outros. A verdade é que não deixo de estar presente em nenhum dia das suas vidas e o amor que nos une é incondicional e muito bonito. Tenho muita sorte. O mais difícil para mim foi ver-me num país novo, pois em Cape Town as pessoas são um pouco fechadas, mas agora já temos um grupo de amigos muito simpático e interessante. Temos uma vida muito agradável.
– A vossa vida lá é muito diferente da de cá?
Patrick –
A vida lá é realmente um pouco diferente, mas é mais europeia do que africana. Tudo está organizado de forma diferente e os meios também são outros. Conseguimos fazer as mesmas coisas com menos tempo e de facto as pessoas lá tornam-se mais calmas, ficam mais perto da natureza e têm imensa qualidade de vida. Começa-se a trabalhar mais cedo e também se termina mais cedo.
– Há uma Elsa diferente antes e após o Patrick?
Não posso ter mudado tanto em dois anos. Mudei talvez a minha forma de estar, porque me habituei a um ritmo diferente de vida, tive mais tempo para mim e pude, dessa forma, ter um conhecimento maior de mim própria, assim como aproveitei para me dedicar à escrita e desenvolver essa área. Vou começar a trabalhar agora em outubro, na área da decoração, e estou muito feliz por isso. Acho que não houve grandes mudanças, a estrutura é a mesma, tenho é de facto oportunidade de ser eu a 100%. Não tenho de me restringir a regras ou estar sob o olhar de pessoas que julgam tudo da maneira que entendem. Mas a verdade é que me sinto muito mais descontraída.
– E essa nova fase profissional, em que consiste?
Vou voltar a trabalhar em decoração para uma companhia que existe na África do Sul há mais de 15 anos e que trabalha com outros países africanos. Estou muito feliz com a oportunidade que me deram. É bom estar mais ocupada [risos]. Ocupo-me muito com as coisas da casa e graças a Deus temos muitos amigos que nos vêm visitar. Este ano foi muito ocupado, estivemos quatro meses seguidos com pessoas em casa. Adoramos! Com este trabalho vou ter oportunidade de viajar, algo de que também gosto muito, e vai ser maravilhoso.
– Estão preparados, enquanto casal, para essa nova fase, já que têm vivido muito em função um do outro?
Continuaremos a ser um casal [risos]. Acho que também é importante haver independência no seio de uma relação. Eu tenho três filhos e com as dificuldades que estamos a passar neste país, também tenho de pôr mãos à obra, pois tenho de pensar no futuro deles. Naquilo que eu puder ajudar, fá-lo-ei. Há muitas situações das quais quero fazer parte. O meu filho mais velho, por exemplo, já vai para a faculdade.
– E como é a relação entre os vossos filhos? Já se conhecem?
Têm idades diferentes, a filha mais nova do Patrick é da idade do meu filho mais velho. Não estão sempre juntos, porque vivem em locais diferentes [os filhos mais velhos do empresário vivem em França e a mais nova em Cape Town, mas não com o pai], mas quando estão, estão bem. Tudo funciona bem.
– Era importante para ambos a aceitação dos respetivos filhos?
Patrick – 
Acho que sim. A família é sempre a família e julgo que isso é importante para qualquer casal. Antes de estarmos juntos nenhum dos nos­sos filhos estava connosco e isso também facilita.
Elsa – Todos os filhos já são crescidos e, independentemente das escolhas pessoais que eles façam na vida deles, também não vamos prejudicá-los, queremos é que sejam felizes. E eles sentem o mesmo em relação a nós. Não há aqui qualquer incompatibilidade.
– Elsa, acredito que tenha aproveitado estas férias para mimar muito os seus filhos...
Claro. Eles agora estão na altura das férias com o pai, mas até então estivemos sempre juntos, aqui em Portugal é sempre mais fácil. Este ano vamos ter de vir cá mais vezes, pois agora temos uma casa em Lisboa, por isso vamos ver-nos ainda mais. Fico muito contente.
– Apesar de estar de férias em Portugal, não sentiu necessidade de estar com as pessoas com quem se dava anteriormente ou até de ir a algum evento. Foi uma decisão ponderada?
 –
Já tinha sido antes, mas agora também. Acho que sofri de uma obsessão e perseguição ingratas e tomei a opção de me proteger.
– Numa fase da vida em que os filhos estão crescidos e há mais experiência, deve ser reconfortante reencontrar o amor...
Patrick –
Há sempre essa esperança. Depois da minha separação estive uns anos sozinho e esta foi a primeira vez que tive alguém. É preciso dar tempo ao tempo para se encontrar a pessoa certa e isso é o lado bom da vida. Em qualquer área, a esperança tem de ser sempre a última a morrer.
Elsa – Quando procuramos não encontramos nada, repetimos padrões e cometemos erros. De facto foi tão bom quando encontrei o Patrick, sentir que afinal o amor ainda existe... E nessa altura estávamos ambos sozinhos, sem estar à procura de nada, e acho que até o universo funcionou a nosso favor e nos juntou na altura certa. Foi um belo presente. Aquilo que semeamos acabamos por colher.
– É percetível o carinho com que se tratam. Têm a preocupação de cuidar da relação?
Claro, isso é importantíssimo. Eu confio que estou em boas mãos. Falamos muito do que vamos fazer quando formos velhinhos e como vamos cuidar um do outro, mas isso é muito bom, saber que temos alguém que nos apoia e que está ali para nos abraçar e dar a mão. O Patrick, além de ser o meu amor, é realmente o meu melhor amigo e eu sei que não nos vamos nunca aborrecer e vamos sempre ajudar-nos, acarinhar-nos e tornar mais felizes os momentos que os dias nos proporcionam. Não é nada de extraordinário, é um exercício. Uma responsabilidade mútua e muito aprazível.
Patrick – O sucesso é o caminho, não a chegada. Devemos cuidar todos os dias um do outro. A vida é um desafio, desde que acordamos até que nos deitamos. Devemos estar sempre atentos a tudo e a cuidar de tudo o que nos rodeia.
– O diálogo é a base da vossa relação?
Elsa –
Sim, temos muita coisa que nos une, mas também que aprendemos um com o outro. Além do trabalho, o Patrick é um apaixonado pela gastronomia e pela fotografia, que são também duas coisas que me encantam. Gostamos muito de ler, de dar passeios, de conversar, de ver exposições. Há sempre tanta coisa para fazer e é tão fácil as pessoas manterem-se ocupadas. E nós temos o cuidado, de uma forma natural, de proporcionar momentos bons à nossa vida. Temos feitios diferentes, mas gostamos muito de partilhar. Até pela língua: às vezes não nos entendemos à primeira, já que há expressões muito próprias em francês ou português, as línguas que usamos entre nós, e até isso nos leva a conversar mais. Dessa forma, acabamos até por ir mais fundo nas questões, o que fortalece a relação.
– Referiram que gostariam de terminar a vida juntos... Na África do Sul?
Elsa –
Temos mais ou menos um plano, não sei se de­finitivo. Áfri­ca será uma base, mas Lisboa também.
Patrick – Nun­ca se sabe. Houve tantos locais onde estive que achei que seriam aqueles e depois não foram... É como um barco, vai para onde o vento o levar. Hoje a probabilidade para a África do Sul é muita e leva-nos a estar lá mais alguns anos.
Elsa – Este ano vai ser muito bom, já que vamos ter o nosso próprio espaço – até aqui estávamos numa casa arrendada –, vamos decorar juntos a nossa casa e não há nada como viver num espaço criado por nós.
– Que fase é esta que vive?
Não gosto de falar de fases, nem de fazer comparações, só posso dizer que estou feliz e tenho a vida com que sempre sonhei. Sonhei estar ao lado de alguém assim e ter a liberdade que tenho. Não tenho saudades nenhumas do passado, nem nunca vivi em função dele.

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