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António Sala partilha as emoções de mais uma fase difícil na sua vida

Radialista enfrenta doença crónica.

Marta Mesquita
5 de setembro de 2012, 11:45

Seis meses depois de ter removido um cancro do rim, António Sala, de 63 anos, foi operado a um tumor benigno na coluna vertebral, na vértebra C1. A cirurgia realizou-se no dia 8 de agosto, no Hospital CUF  Infante Santo, e foi conduzida pelo neurocirurgião Sérgio Livraghi, estando o radialista a ser igualmente acompanhado pelo oncologista Nuno Gil.
Depois de analisada, chegou-se à conclusão que esta lesão na cervical é uma doença extremamente rara – e crónica – que se chama sinovite vilonodular pigmentada.
A recuperar em casa, o radialista e jurado do progra­ma A Tua Cara Não me é Estranha  contou à CA­RAS como tem vivido este período mais delicado, revelando as mudanças que vai ter obrigatoriamente de efetuar no seu dia-a-dia para preservar ao máximo a zona da cervical.
– Como é que descobriu que tinha uma lesão na cervical?
António Sala
– Cinco meses depois da operação ao rim, por causa de um tumor maligno, fui fazer exames de rotina para saber se estava tudo bem e detetou-se algo que não estava nos exames anteriores. Era uma lesão na C1, com todo o aspeto de ser um tumor. Foram feitos exames mais pormenorizados e partimos para a remoção do tumor, que esteve a ser analisado entre os dias 8 e 17 de agosto. Foram, naturalmente, dias de angústia. Finalmente, os resultados vieram e percebeu-se que a lesão é benigna e é uma doença rara e crónica. Portanto, vou ter de aprender a viver de outra maneira.
– Acredito que antes de ter a certeza de que era uma lesão benigna tenha ficado assustado com a possibilidade de ter novamente cancro, como há 14 anos [na cabeça] e novamente há seis meses...
– Fiz a minha vida normal, mas foram dias de angústia, de uma ansiedade muito grande, porque uma pessoa não sabe o que tem e na verdade tinha tido um caso de cancro há muito pouco tempo. E num quadro destes, por mais que nos esforcemos para afastar esse tipo de pensamentos da cabeça, é difícil. Sou um leitor compulsivo e nessa altura lia, mas não conseguia fixar nada. Chegava ao fim de duas páginas e não me lembrava do que tinha lido, porque estava completamente desconcentrado. Mesmo à noite, sonhava com o que me estava a acontecer. Quando há um grande ponto de interrogação à nossa frente, vivemos tudo de forma diferente.
– Nesses momentos, vale muito o apoio da família...
– A minha família é fantástica! Tentarem sempre pôr-me bem disposto, puxavam temas de conversa que nada tinham a  ver com a doença. E os meus amigos a mesma coisa. E ajudaram-me a ultrapassar tudo!
– O António descobriu que sofre de uma doença muito rara e crónica. Que mais pode adiantar sobre este diagnóstico?
– Não se sabe muito sobre este tumor, porque há poucos casos no mundo e em Portugal não há referência de nenhum caso há mais de uma década. Contudo, não há conhecimento de que o tumor passe da benignidade para a malignidade. Sabe-se que é um tumor lento, que vai destruindo e corroendo o osso. Vamos ver como as coisas evoluem, mas posso ser sujeito a uma nova cirurgia para colocar uns ferros que ajudem a sustentar a cabeça.
Que cuidados é que vai ter de adotar agora no seu dia-a-dia?
– Posso ter uma vida normalíssima, mas tenho de evitar coisas como fazer mergulho, por exemplo. Se for a um parque de diversões, não posso andar em montanhas russas. Depois, há outros cuidados que tenho de ter em situações diárias. Se estiver dentro do carro, parado num sinal vermelho, e outro carro me bater, pode ser gravíssimo, porque posso partir um osso ou mesmo ficar tetraplégico. Tenho de começar a ter muita atenção com comportamentos normais, que todos nós temos, mas que para mim são potencialmente perigosos.
– Já combateu por duas vezes o cancro e agora sabe que sofre de uma doença rara e crónica. Como é que encara todos estes momentos de debilidade que tem vivido? Vitimiza-se?
– Há 15 anos que sou voluntário no IPO e, portanto, já estou tão habituado a lidar com as adversidades dos outros que quando passo por estes momentos de maior fragilidade nunca penso: ‘Porquê eu?’ O que pergunto é: ‘Porque não eu?!’ Se acontece a tantas pessoas, porque não a mim também? Sou um homem forte e tenho fé, mas também tenho os meus momentos de fraqueza, em que me vou abaixo. De uma maneira geral acredito muito em Deus, tenho uma fé fortíssima e Ele faz com que nunca tenhamos uma cruz maior do que aquela que podemos suportar.
– Acredito que o apoio do público, das pessoas que têm acompanhado a sua carreira, também seja importante nestas alturas...
– É comovente. As pessoas têm deixado à porta de minha casa mensagens de força, de coragem, e nem sequer as conheço! Mas se tentar racionalizar, até percebo o porquê deste apoio... Ao longo da minha vida andei a semear afetos e agora colho esses frutos na altura em que mais preciso [comove-se].
– Sente que, de alguma maneira, é um exemplo para quem passa por situações semelhantes?
– As pessoas que são conhecidas têm sempre uma responsabilidade acrescida em tudo, porque aquilo que dizemos ou fazemos tem influência em quem nos vê e ouve. Se eu disser às pessoas para não desanimarem, para terem força, isso vai ter uma grande influência. Acabo por ter a postura de quem sabe que está a ser observado e, portanto, tento ter sempre uma atitude positiva.
– Quais são os seus planos para os próximos meses?
– Bem, agora em setembro, eu, a minha mulher, o meu filho e a minha nora vamos todos de férias, que estamos mesmo a precisar. Depois, quando regressar, em outubro, vou fazer uma ressonância magnética para fazermos um paralelo de comparação da deterioração do osso e os médicos perceberem o grau de progressão da doença. Nem sequer se sabe se tenho esta doença há muito ou pouco tempo. Podemos perceber que a doença tem uma progressão tão lenta que a minha vida vai continuar na mesma. Caso se perceba que está a progredir rapidamente, terei de ser operado. Mas a Medicina tem evoluído tanto que o que era muito complicado há vários anos hoje já não é. Vamos ser otimistas.

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