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Isabel Sartorius fala da sua relação com o ex-namorado, o príncipe Felipe

“Quando vimos de famílias muito disfuncionais e desestruturadas, os amigos acabam por ocupar um lugar especial nos nossos corações”

Cláudia Alegria
1 de setembro de 2012, 16:00

O livro Por Ti Faria Mil Vezes, recentemente apresentado em pré-publicação no nosso País pela CARAS, acaba de chegar às livrarias portuguesas, mas em Espanha já vai na 5.ª edição. Habituada a ser presença constante nas revistas ‘del corazón’ desde que se tornou público o seu namoro com o príncipe Felipe – romance que teve início no verão de 1989 e durou três anos –, Isabel Sartorius decidiu contar a sua história de vida nesta autobiografia, em que dedica algumas páginas à sua ligação com o herdeiro do trono de Espanha, com o qual diz manter uma relação de grande amizade. No seu livro, a filha mais velha do 4.º marquês de Mariño revela que a sua vida foi, durante décadas, condicionada pelos problemas de dependência da mãe, a argentina Isabel Zorraquín y de Corral. À CARAS, Isabel Sartorius explicou ainda que só quando ela foi mãe de Mencía, hoje com 15 anos, nascida da sua relação com Javier Soto Fitz-James, conseguiu, finalmente, encontrar o seu caminho.
– No prefácio do livro diz que foi a sua mãe quem lhe pediu para escrever a sua história. Porque é que só a lançou três anos depois da sua morte?
Isabel Sartorius –
Eu falava-lhe tanto da codependência que ela dizia-me, meio a brincar, que devia escrever um livro. Decidi fazê-lo, mas desde que ela morreu até conseguir recolher toda a informação e estruturar o livro passaram dois anos.
– Como é que a sua filha reagiu ao ler a sua história?
A minha filha ainda é pequena e este é um livro de adultos. Diz que o lerá quando for maior, mas sabe dos problemas da minha mãe com a droga e com a dependência.
– Sempre soube?
Não, só aos 13 anos é que tive de lhe explicar porque é que a minha mãe se estava a deteriorar fisicamente.
– Diz que o seu padrasto, Manuel Ulloa [antigo primeiro-ministro peruano], além de ter dado drogas a experimentar à sua mãe, também a submeteu a maus-tratos psicológicos. A Isabel, vivendo  na mesma casa, também esteve sujeita a esses maus-tratos?
Não, era algo que acontecia só entre eles. Insultavam-se, drogavam-se, e tanto desapareciam de casa durante três dias como passavam dias inteiros a dormir... Mas eu e os meus irmãos continuávamos com a nossa vida, íamos ao colégio. A mim não me tratou mal. Acontecia era mentir-nos muito. Estava doente, desequilibrado.
– Como é que, vivendo tantos anos nesse mundo, conseguiu resistir a cair nesses vícios?
Creio que é justamente por isso: vemos a nossa mãe destroçada, por isso fugimos deles. No meu caso, cheguei a experimentar droga para ver o que era, mas não gosto.
– A sua filha tem 15 anos, precisamente a idade que a Isabel tinha quando foi comprar droga para a sua mãe...
Sim, mas só o fiz três vezes.
– E não é angustiante olhar para ela e pensar no que aconteceu consigo nessa idade?
Não há comparação possível, porque tivemos infâncias completamente diferentes. A minha filha teve uma infância protegida, ordenada, muito estável, morou sempre na mesma cidade e teve um pai e uma mãe presentes. A nossa infância não teve nada a ver com isto: estivemos muito mais expostos ao mundo, com um padrasto que não era o nosso pai e a vivermos noutro continente [enquanto a mãe esteve casada com Ulloa, Isabel e os dois irmãos viveram no Peru]. Não tem nada a ver...
– Mas a Isabel era muito nova. Percebe isso agora, ao olhar para a sua filha?
Sim, mas não comparo a minha vida com a dela. Não me recordo de mim com 15 anos, já foi há muito tempo… Já sofri muito, mas se escrevi sobre isto é porque está tudo muito assimilado, caso contrário não teria escrito.
– Sentia-se obcecada com o dever de ajudar a sua mãe e de controlar a vida dela. Acha que hoje faz o mesmo com a sua filha?
Tento não o fazer. Às vezes sou um pouco ‘melga’, mas tive muita sorte, pois ela é muito independente e, como tenho confiança nela, não preciso de lhe ligar 70 vezes.
– Mas tem de lutar contra a tendência para controlar a vida dos outros, ou já conseguiu ultrapassar isso?
Agora é o contrário: não controlo nada. Já estou cansada. Tanto controle acaba por nos derrotar.
– Ver a sua mãe como vítima de um grande amor contribuiu para que a Isabel não conseguisse viver ao lado de um homem?
Por mais que tenha trabalhado em grupos de terapia, nunca cheguei a essa resposta. Creio que sim, que me afetou, mas também me tornei uma pessoa muito independente desde os meus 14 anos, por isso acho que é uma mistura de ambas as coisas.
– Como é que se cura uma codependência?
Só com um grupo de terapia.
– Terapia em grupo e nunca individualmente?
Ajuda muito mais se for em grupo, porque um terapeuta não fala o idioma da codependência. Isto é algo muito específico, que se aplica a familiares de pessoas com qualquer tipo de adição, como mulheres codependentes de parceiros que as maltratam. Por isso, além de terapeutas que saibam trabalhar com a codependência, ajuda muito estar num grupo que fale o mesmo idioma, porque nos vemos refletidos, já que os nossos assuntos dizem respeito aos outros e vice-versa. Com a codependência há uma simbiose tão grande entre nós e a pessoa dependente que acabamos por deixar de saber quem somos. Ficamos confusos e isolamo-nos.
– Hoje sente-se em paz?
Sim, finalmente vivo com paz interior e sem dor ou sofrimento.
– Quando pensa no passado, ainda chora?
Sim, mas cada vez menos.
– A sua filha foi a sua tábua de salvação?
A minha filha ajudou-me a focar. Antes vivia um pouco por todo o mundo, e ela ajudou-me a fixar, a estar em casa, a ter rotinas, horas para acordar e para comer. Até então não conhecia o conceito de ‘vida normal’.
– Falando do príncipe Felipe, terá sido ele o único e grande amor da sua vida? Não se lhe conhecem outras relações duradouras…
Houve, sim, com o pai da minha filha. Durou cinco anos.
– Reconciliaram-se após o nascimento da Mencía?
Sim. Estivemos para nos casar quando ela tinha quatro anos, mas eu não quis.
– Porquê?
Porque me apercebi de que não estávamos apaixonados. A nossa filha unia-nos muito e dávamo-nos muito bem, mas não era amor, era amizade. Eu não queria passar o resto da minha vida com ele, mas também não queria afastar a minha filha do pai. Por isso estávamos juntos pelas razões erradas.
– O príncipe Felipe já leu o seu livro?
Não sei. Antes de lançar o livro disse-lhe que não lhe ia perguntar nada, porque já sabia que me fariam essa pergunta e, assim, não poderia responder.
– Ninguém da família real o leu?
Não quero saber. A minha amizade é só com ele e com a sua mulher; aos restantes não vou perguntar nada.
– Como é a sua relação com o príncipe e com Letizia? Falam com frequência?
Fazemos parte do mesmo círculo de amizades, pelo que acabamos sempre por nos encontrar em casamentos, festas e jantares. Quando vimos de famílias muito disfuncionais e desestruturadas, os amigos acabam por ocupar um lugar muito importante nos nossos corações. Foi o que aconteceu com os meus amigos, como Felipe, e as pessoas com quem eles, entretanto, se casaram. Acabam por se tornar grandes irmãos de alma. Como não temos famílias que nos protejam, apoiamo-nos muito nestas amizades. E as pessoas com quem se casam vão-se juntando a essa família. Há muito carinho entre nós, até porque nos conhecemos desde muito jovens. É pura amizade.

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