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Maria Eduarda Monteiro Grillo: ‘Em Abu Dhabi todos os dias aprendo alguma coisa’

“Sou uma exploradora (...) Hoje, posso dizer que já conheço mais do que muitas pessoas que vivem cá há mais tempo.”

Conceição Antunes/ Expresso
22 de julho de 2012, 16:00

A viver em Abu Dhabidesde janeiro de 2011, Maria Eduarda Monteiro Grillo, conhecida porDadinha Ribeiro da Cunha enquanto esteve casada com o seu segundo marido, JoséMaria Ribeiro da Cunha, afirma-se “compenetrada a representar Portugal”.Ao lado do atual marido, Jaime van Zeller Leitão, embaixador de Portugalnos Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, Maria Eduarda, que é decoradora deprofissão, foi a anfitriã perfeita do evento Portugal Experience, que decorreurecentemente na residência dos embaixadores de Portugal no Abu Dhabi. Umacidade cuja descoberta a tem apaixonado, o que a ajuda a ultrapassar um poucoas saudades que tem de Portugal, onde estão as suas três filhas, Mónica,Marta e Mafalda, e os quatro netos.
– Como é a sua nova vida nos Emirados Árabes?
Maria Eduarda Monteiro Grillo – Nestes países únicos, onde é tudo muitodiferente da nossa maneira de estar, todos os dias aprendo alguma coisa. Masmorro de saudades de Portugal, choro ao ouvir o hino, choro ao ouvir o fado!Temos um país extraordinário, em que eu acredito muito. Aqui, estoucompenetrada a representar Portugal, que é um trabalho como outro qualquer, eum dever de todos os portugueses.
– Que diferenças mais nota na forma de estar?
– O grande desafio é tentar perceber o porquê da vida das mulheres. As mulheresemiratis são cuscas, malandras, têm jogo de cintura, mas depois aceitama tradição e os costumes. E a aceitação da vida é o primeiro passo para afelicidade. Para quê fazer dramas? No fundo, acho que as mulheres aqui têmhonra de ser diferentes. As mulheres são iguais em todo o mundo, com véu ou semvéu, com burca ou sem burca.
– Alterou a sua forma de vestir?
– Gosto de respeitar os costumes, e quando fui convidada pela primeira vez paraum casamento, não sabia se havia de pôr uma abaya. Mas depois pensei: eusou eu e visto-me à europeia. O contrário seria o mesmo que convidar uma emiratipara um casamento em Portugal e ela aparecer vestida de noiva do Minho. Deforma que nessas ocasiões acabo sempre por ir um pouco freirática, mas aochegar verifico que as mulheres estão vestidas com roupas fantásticas!
– Ainda a tratam por Dadinha Ribeiro da Cunha?
– Em Portugal, sim, bastante, apesar de eu já não assumir esse nome. Há tempos,fui a um supermercado e perguntaram-me na caixa: não é a Dadinha Ribeiro daCunha? Respondi que não, que essa era a minha irmã. Foi bom dizer isso, porqueme responderam logo: “Claro que sim, a outra é mais velha. [risos]”
– É conhecida por ser bastante ativa e também o tem sido nos EmiradosÁrabes, até como re­presentante das embaixatrizes europeias em eventosoficiais. O que faz neste campo?
– Aqui não trabalho, o estatuto diplomático não mo permite, mas dou os chamadosconselhos de borla. Faço decorações, pinto para a caridade, também gosto decozinhar. Essencialmente, sou uma criativa, se não crio morro, nem que seja ir àtelevisão fazer uma demonstração culinária. Sou uma pessoa que não vive só desonhos, tenho de concretizar, mesmo que seja a pintar um quadro ou a fazer umprato. Quando me convidaram a representar as embaixatrizes na reunião do Excom[Comité Executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados],disse logo que a minha especialidade era ser organizadora e criativa, que nãome pusessem num compu­tador a mandar e-mails.
– A embaixada de Portugal no Abu Dhabi foi decorada por si?
– Claro que sim. Também na decoração de outras embaixa­das dou os taisconselhos de borla. Perguntam-me onde se pode arranjar o cortinado, a cadeiraou até o par de sapatos. Em Portugal sou as Páginas Amarelas, e aqui também. Eusou uma exploradora, ando a pé, vou aos sítios das vendas dos paquistaneses,gosto de ver tudo. E aqui há coisas verdadeiramente extraordinárias. Hoje,posso dizer que já conheço mais do que muitas pessoas que cá vivem há maistempo.
– Consegue encontrar coisas portuguesas nos Emirados Árabes?
– Algumas marcas, como a Sacoor e a Salsa, ou a Parfois, que está em todosos centros comerciais. Mas nós, portugueses, não temos aquele sentidopatriótico de afirmar as marcas como portuguesas. Fomos educados a pensar que oque é estrangeiro é bom. Eu fiz vários hotéis e sempre privilegiei fornecedoresportugueses. Fiz obras na Alemanha, em vários castelos, e achava que os alemãeseram os melhores do mundo, mas a verdade é que fazem tudo by the book,não têm a nossa capacidade de trabalho e de dar a volta a situaçõesinesperadas. Gosto muito de trabalhar com portugueses, somos um povo incrível.Eu acredito imenso em Portugal!

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