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Luís Evaristo revela: “Estive sete meses e meio numa clínica de recuperação”

Numa conversa franca com a CARAS, o empresário conta que foram os amigos que o levaram a procurar ajuda, que o vício da cocaína já está ultrapassado e que hoje é um homem mais maduro.

Inês Neves
15 de julho de 2012, 16:00

Depois de se divorciar deHelga Barroso e de assumir publicamente que era viciado em cocaína, LuísEvaristo conta agora que esteve sete meses e meio internado numa clínica derecuperação. O empresário garante que o passado ficou lá atrás e que agora é umhomem novo, mais maduro e responsável.
– Há cerca de ano e meio anunciou que se ia divorciar e assumiu ser viciadoem cocaína. Depois disso, desapareceu...
– Sim. Parecia estar a viver numa guerra. Estive durante sete meses e meio numaclínica de recuperação, num processo em que aprendi a viver comigo próprio...
– Foi para essa clínica por vontade própria?
– Não sei se alguma vez senti essa necessidade, honestamente. Tenho de estaragradecido aos meus verdadeiros amigos, que me levaram a isso, foram eles queme ajudaram nesse processo.
– Então acha que se não fossem eles estaria na mesma...?
– Qualquer indivíduo que é afortunado e sobrevive ao ‘fundo do poço’, como eu,terá a maior motivação do mundo para iniciar uma nova fase da vida. Elestiveram um papel muito importante, mas eu também sabia que era esse o caminho.
– Disse que bateu no fundo do poço. Quando sentiu isso? Foi com o divórcio?
– As minhas razões para ter necessitado de ir para uma clínica já forampartilhadas com o meu terapeuta e estão resolvidas, daí não haver necessidadede as partilhar com mais ninguém. Mas olhando para trás... foi estar a magoaros que me eram próximos. E é disso que mais me arrependo. Felizmente, essaspessoas ainda me são próximas!
– Como foram esses meses na clínica?
– Tive altos e baixos, bons e maus dias. Mas já era de esperar, faz tudo partedo processo de evolução, mudança e crescimento pessoal.
– O que fazia lá?
– Integrei vários grupos de terapia, para aprender a ser responsável, aresponsabilizar-me pelo que fiz no passado, a aprender a olhar o futuro e aorganizar a minha vida de forma mais equilibrada. Diariamente, tinha doisgrupos de terapia, terapia individual com uma psicóloga, trabalhos espe­cíficosde leitura e escrita, para desenvolver a humildade, pensar e agirpositivamente, assim como todas as tarefas básicas como fazer a cama, lavar aroupa...
– Mantinha contacto com o exterior?
– Mantinha contacto com o exterior telefonicamente, duas vezes por semana, e deseis em seis semanas passava um fim de semana com minha família ou amigospróximos.
– Foi uma adaptação difícil?
– Não, até porque não tinha escolha.
– O que foi pior nesse processo?
– Estar calmo, sem confusão, sem telefone e sem assistentes!
– O que mudou em si?
– A verdadeira pergunta deveria ser: ‘O que não mudou em mim?’, pois tudo teveque mudar. Hoje penso e comporto-me com mais maturidade e de uma forma maispositiva e objetiva. Ouço os bons conselhos dos outros e sinto-me mais calmo etranquilo. Estou de bem comigo. Esta mudança, inevitavelmente, teve um impactotanto na minha vida pessoal como profissional.
– Arrepende-se de alguma coisa?
 – Sim, de não ter iniciado este processomais cedo. E hoje, olhando para trás, arrependo-me de ter confiado totalmenteem indivíduos que, no momento mais vulnerável da minha vida, escolherammagoar-me emo­cionalmente e prejudicar-me fi­nanceiramente.
– E agora que está cá fora, como estão a correr as coisas?
– A adaptação a esta nova fase da minha vida não foi difícil, porque estavafortalecido e, também, mais uma vez, porque pude contar com a família e os meusverdadeiros amigos.
– Já sentiu a tentação de vol­tar a consumir?
– Não. Agora estou focado em ser uma pessoa melhor, a dar o meu melhor anível profissional, e ainda a aprender a passar a ferro [risos].
– Mas teve de se afastar das velhas e más companhias?
– Se eu for bondoso comigo próprio, não importa onde estou ou com quem estou...
– Como e onde tem vivido desde que saiu da clínica? Quan­do entrou estavasem dinheiro, sem negócios, sem casa...
– Tenho contado com a ajuda do mesmo grupo de amigos e dos meus pais, que têmestado ao meu lado. Este processo mostrou-me quem são os meus verdadeirosamigos.
– Mas já voltou ao trabalho? Está a fazer o quê?
– Sempre gostei de trabalhar e hoje não é diferente. Vou ao escritóriotodos os dias, estou a trabalhar em consultadoria na área que melhor conheço, oentretenimento. O futuro, para mim, está cheio de oportunidades, em Portugal efora. E quando o próximo projeto avançar, a CARAS será a primeira a saber.
– Já há planos? Vai ser ligado à noite?
– As áreas que melhor conheço são o entretenimento e a restauração. Porquehavia de querer fazer algo de diferente? Acho que a história demonstra quetenho algum talento a esse nível. E estou bastante entusiasmado em relação aofuturo!
– Mas se voltar a trabalhar na noite, não tem medo de cair nos mesmosvícios?
– Conforme já respondi, não vou mudar de vida profissional, vou continuar afazer o que mais gosto e sei, e estou confiante, preparado e motivado.
– O Luís construiu uma fortuna e perdeu tudo. Não há espaço para or­gulhoferido?
– Tudo o que fiz e me mo­tivou na vida nunca foi acumular fortunas, mas simrealizar eventos de que os portugueses pudessem gostar. E nada mudou. Para mimo que é importante é olhar para o futuro e seguir em frente. A vida é demasiadocurta para ficar preso ao passado.
– Depois do divórcio, como ficou a sua relação com a Helga?
– A Helga foi uma das pessoas mais importantes e que mais me motivou aseguir esta nova fase da minha vida e, por isso, vou agradecer-lhe sempre. Elaé uma pessoa linda, por dentro e por fora. Partilhámos momentos maravilhosos!Foi a relação com maior significado na minha vida.
– Sabe que a Helga tem atualmente um namorado. Como reagiu a isso?
– Ela tem o direito de seguir com a vida dela com as pessoas que quer queestejam ao seu lado. Todos nós temos direito de ser felizes.
– Vocês sempre trabalharam juntos. Como vai ser daqui para a frente? Vaicada um para seu lado ou ponderam voltar a estar lado a lado nos negócios?
– A Helga é uma grande profissional, mas ninguém sabe o que irá acontecer nofuturo. E eu sigo a máxima: ‘Nunca digas nunca.’
– E o Luís, não está apaixonado? Ainda não tem ninguém?
– Não. Esperemos que o grande amor esteja por perto!

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