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Ana Marques no papel de mãe: "Quando se tem filhos dá vontade de acolchoar o mundo inteiro"

A apresentadora e comentadora da rubrica ‘Jornal Rosa’, do programa ‘Querida Júlia’, tem nas filhas gémeas, Francisca e Laura, e no companheiro Joaquim Barata Correia, as suas grandes paixões.

Andreia Cardinali
14 de julho de 2012, 10:00

Aos 40 anos, Ana Marques tem nas palavras a certeza de quem sabe o quer da vida e de quem está feliz com as opções que fez. Mãe de Francisca e Laura, de quase três anos, nascidas da sua relação como o economista Joaquim Barata Correia, a apresentadora tem conseguido equilibrar na perfeição família e trabalho, sentindo-se satisfeita com a sua participação na rubrica Jornal Rosa, do programa Querida Júlia.
– A sua carreira já passou por alguns altos e baixos, inclusive com ausências do ecrã. Como lidou com essas fases?
Ana Marques –
As carreiras em televisão são mesmo assim e nunca achei que a minha pudesse ser sempre ascendente. Todas as pessoas têm momentos altos e travessias do deserto... Há quem ache que estar num canal de cabo é menos prestigiante e para mim foi dos momentos que mais me deu prazer! Como também há quem ache que fazer um programa em day time não é tão exigente intelectualmente e a verdade é que é preciso uma ginástica mental e um poder de conhecer a verdadeira realidade do país que o torna um desafio muito rico.
– Alguma vez receou que por fazer o Jornal Rosa a menorizassem profissional e intelectualmente?
 –
Não, o que é estranho. Ou as pessoas dizem sem eu ouvir ou então não dizem que acham estranho eu de repente estar num conteúdo em que se fala do mundo cor de rosa. Talvez seja porque a minha abordagem ali é um pouco o contraponto ao Cláudio Ramos, que toda a gente tem como o crítico do social por excelência. Depois, acho que o Jornal Rosa é diferente de tudo o que já se fez, pois não nos levamos muito a sério, tentamos sempre rir-nos primeiro de nós próprios e desconstruir este tipo de notícias. É mais um espaço de humor do que de crítica social, já que nenhum de nós tem moral para criticar a vida dos outros.
– Analisando a fase profissional que vive, alguma vez achou que nesta altura já estaria com outro tipo de programa?
Sou uma pessoa descomplexada em relação aos conteúdos. Temos de servir o público e saber o que ele quer em todas as vertentes. Temos de ser condutores dos conteúdos que entretêm as pessoas. A televisão não nos serve a nós para sermos reconhecidos pelos nossos pares.
– Esta rubrica também permite que tenha mais tempo para a vertente familiar...
Obviamente. As minhas filhas ainda requerem muito acompanhamento e, desta forma, tenho alguma flexibilidade que me permite estar mais perto delas. Acho que tenho o melhor dos dois mundos.
– E sente que tem conseguido acompanhar realmente o crescimento delas?
Acho que a partir do momento em que os nossos filhos vão para a escola damos o primeiro passo para os largarmos no mundo. Dou muitas vezes comigo a olhar para elas e a pensar que já há coisas que não fui eu que lhe ensinei. A socialização já vai muito além da casa. Elas começam a ser pessoas para além de mim e do pai.
– E como é que se lida com isso?
Custa! Um dia elas vão sair à noite e andar em carros e isso assusta-me. Há pais que têm mais fantasmas com a droga e outro género de situações, eu tenho mesmo medo é dos acidentes.
– Há inevitavelmente uma Ana diferente antes e depois da maternidade...
Completamente. Quando somos mães parece que se acrescenta um coração novo. Ou que o nosso cresce de repente só para albergar este amor enorme. Mas depois também há uma outra parte que fica muito apertadinha, pois acho que com os filhos as coisas estão sempre nos antípodas: se qualquer coisa não correr bem, é o pior de tudo, mas quando as coisas correm é o melhor! E não há nada que supere isso.
– Sente medo de falhar?
Não vivo angustiada a pensar se lhes estarei ou não a dar a educação certa, mas há, isso sim, receios... Quando se tem filhos dá vontade de acolchoar o mundo inteiro para eles não baterem com a cabeça em nada. Não quero nunca criar expectativas em relação a elas, vamo-nos encaixando. E acredito que é pelos bons exemplos do dia-a-dia que se dá educação.
– Continuam a ser uma loura outra morena?
Sim, e uma tem caracóis, outra cabelo liso, uma maior do que a outra.
– E são muito diferentes uma da outra?
Sim, julgo que a Francisca tem o meu olhar muito crítico e é muito observadora. A Laura é mais abstrata. São muito diferentes, mas complementam-se muito. Não vivem uma sem a outra e protegem-se muito. A Francisca tem os pés muito assentes na terra, a Laura é muito mais aérea e vive fascinada pelas personagens do meu irmão [Manuel Marques].
– Apesar de falar da sua vida pessoal, tem conseguido resguardá-la o mais possível... Como se gere tudo isso equilibradamente?
  Tenho consciência de que a minha vida pública gera alguma curiosidade e aquilo que eu puder ir dando às pessoas que satisfaça a sua curiosidade, faço-o com gosto. Mas na minha vida privada há pessoas cujo projeto de vida não passa por uma vida pública e eu tenho de as respeitar. Antes de as minhas filhas terem a capacidade de dizer se querem ser fotografadas ou aparecer em qualquer revista, eu não vou abrir essa possibilidade. Respeito o desconhecimento que elas ainda têm em relação a este mundo e protejo-as até então.
– Casar-se faz parte dos planos?
Não, estamos muito bem assim. E neste momento em Portugal, do ponto de vista fiscal, nem sequer é benéfico casar [risos].Não é nada com que sonhe, acho que está muito bem assim. O casamento é olharmos pelas filhas maravilhosas que temos e para a família feliz que construímos todos os dias.
– E repetir a experiência da maternidade?
Não. Às vezes é preciso ler os sinais do Criador e acho que foram muito evidentes para mim: engravidei com alguma facilidade aos 37 anos e, no fim, tive um enorme susto, uma pré-eclâmpsia, podia ter corrido tudo mal... Tenho 40 anos, duas filhas saudáveis e mara­vilhosas, acho que está bem assim.

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