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Humberto Barbosa: “Se morresse hoje, morreria feliz”

“Já atingi praticamente todas as metas que queria atingir.” (Humberto Barbosa)

Manuela Silva Reis
8 de julho de 2012, 10:00

O nutricionista eespecialista em antienvelhecimento Humberto Barbosa não aceita que sediga que descuramos o nosso corpo por falta de tempo. E um facto é que, além deensinar aos seus clientes qual o melhor regime alimentar, ensi­na-os, acima detudo, a aproveitar todos os minutos do dia. Ele é a prova de que o tempo tem deser bem gerido. Marido, pai e avô, este madeirense tem tempo para exercer todasas suas obrigações familiares com prazer e ainda trabalhar na sua Clínica doTempo, na linha do Estoril. Quando afirma que já descobriu o segredo dajuventude, fá-lo de forma categórica e difícil de refutar. E é acreditandonesta conquista que vive a vida sem sobressaltos ao lado da mulher e restantefamília, que faz questão de ter sempre a seu lado, como aconteceu nesta sessãofotográfica.
– Quando olha para trás, quais são as metas que atingiu e que o deixamfeliz?
Humberto Barbosa – O que lhe vou dizer é que já atingi praticamentetodas as metas que queria atingir. Se morresse hoje, morreria inteiramentefeliz. Tenho 50 anos e mantenho uma família unida que é o meu porto de abrigo.Mais do que família, somos todos muito amigos. Tenho reconhecimentoprofissional dos outros e o meu próprio, sinto-me completamente realizado naminha profissão. E mesmo nesta área, que está sempre em mutação e que temsempre novidades, já descobri a fórmula da longevidade, e essa é a mesma hámuitos séculos.
– Essa afirmação é arriscada...
– A menos que se acredite pia­mente nela. A fórmula é simples e baseia-se emquatro fatores essenciais: alimentação saudável, exercício frequente, controlode stresse e equilíbrio emocional.
– Mas isso é algo que todos nós sabemos mas que não fazemos.
– Hoje em dia gastam-se milhões de euros em laboratórios onde as pessoasprocuram o comprimido que dá mais anos de vida. Isso nunca vai ser encontrado,porque a verdadeira fórmula da longevidade está dentro de nós. O ser humanotenta viver à base do comprimido desresponsabilizando-se. Esta fórmula de quefalo pode ser cultivada por nós.
– Não sei se concorda, mas parece que as pessoas precisam  cada vez mais de ser ensinadas a procurar oequilíbrio emocional...
– O ser humano tem atualmente diversos problemas e um deles é perceber que aúnica pessoa que o pode fazer feliz é ele próprio. Se não temos a capacidade denos fazermos felizes, então somos fracos jogadores no que respeita às relações.
– O que quer dizer que o Humberto está a fazer um bom trabalho com a suavida, já que diz ter na família o melhor de todos os mundos e ainda por cimaama o que faz...
– Claro. Mas tive de saber fazer-me feliz primeiro. De outra maneira nãoconseguiria transmitir essa felicidade aos outros e receber também. Outro dosgrandes problemas é o facto de as pessoas dizerem que não têm tempo, mas todostemos as mesmas 24 horas. É preciso saber equilibrar.
– Tem tem­po?
– Não só tenho tempo co­mo tenho todo o tempo do mundo. Essencial é dormir oitohoras e depois sobram 16 para fazer coisas. É muito tempo, desde que saibamosdelegar funções e descentralizar. É preciso acreditar nos outros. Se assim for,as 24 horas chegam e sobram.
– E deu-se sempre bem enquanto pensou assim?
– Umas vezes tenho-me dado bem, outras vezes muito bem e ainda outrasexcelentemente. O segredo do sucesso é saber escolher as pessoas que nos rodeiam.
– Quando é que soube que a área da nutrição seria a sua especialidadeprofissional?
– Muito cedo, por volta dos 13 anos. Vivia no Funchal, onde conheci pessoas commais de 100 anos e outras com mais de 90, mas também conheci pessoas, como opai de um grande amigo meu, que morreu antes dos 50, com um ataquecardíaco.  Impressionava-me que algumaspessoas morressem tão jovens e outras tivessem tamanha longevidade. Apercebi-mede que as pessoas de muita idade se alimentavam do que cultivavam, faziam exercíciofísico porque andavam a pé para todo o lado, não usavam relógio e por isso nãotinham stresse, e com tudo isso eram felizes. Percebi que a fórmula dalongevidade tinha a ver com esses fatores. Embora não soubesse bem o que queriafazer, sabia que queria trabalhar dentro desta área. Depois fui para Inglaterraestudar, estive lá três anos em que fiz de tudo um pouco, até lavar pratos numhotel. Nessa altura tinha muito tempo para pensar no que queria fazer.
– Teve uma vida mais difí­cil do que têm tido, por exemplo, os seus filh­os...
– Dentro do possível, tentei passar aos meus filhos a filosofia de que nada seconsegue sem trabalho e sem sonho. Tiveram mesadas baixas e até assinavam umcontrato comigo e com a mãe em que es­tabelecíamos valores consoante as notas.Eles sabiam que se o pai saía todos os dias para trabalhar e ganhar a vida,eles também tinham os seus deveres, e um deles era estudar e ter boas notas.Mesmo hoje em dia sabem que na nossa empresa não basta ser filho do rei parareinar. As pessoas têm de ser eleitas pelo trabalho, profissionalismo ededicação. Acabaram por escolher profissões que cabem na nossa empresa. A minhafilha é advogada e trabalha no departamento jurídico, o meu filho mais velho édiretor de marketing e o mais novo é nutricionista. Mas sabem que nãoestariam cá se não fossem profissionais acima da média. Não há aqui a teoria do“consegue porque é filho de”.
– Como é que é ser avô de dois netos aos 50 anos?
– É ótimo. Ter tido filhos muito cedo foi bom a todos os níveis. Com esta idadeeles já estão crescidos e nós ainda estamos ótimos para fazer tudo. Quanto aosnetos, já disse aos meus filhos que estou muito contente com eles, mas que nãotiveram filhos para os avós os criarem. Hoje tenho energia para brincar com os meusnetos.

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