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Joana Seixas revela: “Ter uma família tornou-me uma pessoa melhor”

A atriz, que atualmente interpreta a personagem Carminho na novela da SIC ‘Dancin’ Days’, partilhou com a CARAS os motivos que a levaram a optar por uma filosofia de vida mais ecológica e alternativa.

Marta Mesquita
30 de junho de 2012, 10:00

A par do seu trabalho como atriz, Joana Seixas, de 35 anos,  tem-se dedicado, desde 2004, ao projeto Casa Verdes Anos, uma “escola muito especial”, que tem como filosofia permitir às crianças desenvolverem uma relação privilegiada com a Natureza, promovendo a alimentação vegetariana e biológica e a brincadeira livre.
Esta atitude mais ecológica e alternativa influencia toda a vida familiar da atriz, sobretudo no que diz respeito à educação do filho, Francisco, de dez anos, fruto da sua relação com João Reis. Joana assegura ainda que Diogo Laço, seu companheiro há três anos, e o filho deste, Xavier, de 12, também têm sido fundamentais nesta caminhada para se tornar uma mulher mais feliz e plena.
Foi durante uma manhã passada na Casa Verdes Anos, em pleno Monsanto, que a atriz partilhou com a CARAS as mudanças que a adoção deste estilo de vida mais saudável e em comunhão com a Natureza trouxe ao seu dia a dia.
– Como é que se envolveu no projeto Casa Verdes Anos?
Joana Seixas
– Tudo isto começou com o encerramento de uma escola no Príncipe Real. Vários pais gostavam de parte da filosofia que era ali praticada, mas estavam descontentes com o fundamentalismo aplicado. Resolvemos unir-nos para aproveitar a parte boa desse projeto. Então, juntámo-nos, alugámos um apartamento ao lado da Fundação Calouste Gulbenkian e começámos este projeto, que na altura era sobretudo para os nossos filhos. Contudo, começámos a ter mais procura e percebemos que tínhamos de mudar urgentemente de sítio. Um dia, vim a esta casa fazer um casting e em conversa com o produtor percebi que o espaço ia ficar disponível. Apresentámos o nosso projeto à Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, que nos acolheu e disponibilizou o espaço, mesmo sabendo que ainda iríamos começar o processo de legalização.
– E foi aqui que o vosso projeto pedagógico começou realmente a crescer…
– Sim, foi aqui que o projeto começou a florescer, sobretudo pelo contacto direto com a Natureza, que é uma das bases fundamentais. Faz todo o sentido ter esta floresta aqui ao lado. Durante três, quatro anos, isto funcionou apenas como jardim de infância, até que os nossos filhos cresceram e arriscámos uma primária em ensino doméstico, porque havia vários pais que faziam voluntariado cá. Fi­nalmente, no início deste ano, o projeto foi aprovado por todas as entidades competentes e atualmente temos cerca de 60 crianças. Agora iremos iniciar obras para ampliar o espaço e aumentar a nossa capacidade.
– E que tipo de filosofia procuram viver neste projeto?
– Esta escola tem uma filosofia alimentar vegetariana e biológica. Não quer isto dizer que todas as pessoas aqui sejam vegetaria­nas; eu não o sou. Nesta es­­cola não somos fundamen­talistas. Aqui, também se privilegia a brin­cadeira livre. Normalmente, as brincadeiras nas escolas são muito condicionadas, e aqui procuramos que as crianças usem a sua capacidade imaginativa de maneira livre, não chocando com a sua personalidade, desejos e vontades. Esta escola olha para as crianças como seres especiais. Claro que há regras de convivência em grupo, mas tendo sempre em conta as características individuais. Depois, tentamos que os materiais utilizados sejam o mais orgânicos, naturais e recicláveis possível. E toda esta forma de estar deve ser continuada em casa. No que diz respeito ao ensino, temos uma inspiração Waldorf, em que se aborda de uma forma muito específica as estações do ano, mas inspiramo-nos em várias pedagogias.
– Em que é que este tipo de pedagogia beneficiou o crescimento do seu filho, que estudou aqui até ao fim do ensino primário?
– Beneficiou em muita coisa, sobretudo na sua autoconfiança. O Francisco é uma criança muito tranquila, que sabe brincar sozinha e que gere as suas próprias vontades de uma forma muito saudável. Tem um grande equilíbrio em relação à alimentação. Foi uma escola que lhe trouxe uma grande liberdade de exploração da Natureza.
– E o que é que a levou a adotar este estilo de vida mais em comunhão com a Natureza?
– Antes de o Francisco nascer, tive um problema de estômago que me obrigou a consultar médicos e a tomar medicamentos. Percebi que não queria isso para a minha vida e comecei à procura de alternativas, tanto na medicina como na alimentação. E a pouco e pouco comecei a alterar a minha maneira de estar. Com o nascimento do meu filho, tudo isso se acentuou, porque queria também aplicar essa filosofia à vida dele.
– Pode dizer-se que ser mãe mudou mesmo a sua vida...
– Sem dúvida! E passar a fazer uma vida em família é muito diferente quando vivemos sozinhas ou com o namorado. Estamos constantemente a aprender e, acima de tudo, tento ser uma mãe atenta, que quer sempre melhorar. Gosto de fazer as coisas com convicção e de transmitir essa autoconfiança ao Francisco e ao Xavier, que é o filho do Diogo. E temos aprendido muito uns com os outros. Somos realmente uma família. O Francisco e o Xavier dão-se muito bem e o meu filho ganhou mesmo um irmão. Ter uma família tornou-me uma pessoa melhor. Sei bem o que não quero na vida. Tudo ficou mais claro na minha cabeça e sinto-me uma pessoa mais forte.
– O que é que tem aprendido com o Diogo?
– Tudo! Quando duas pessoas realmente se encontram na vida, é uma felicidade e uma sorte. O Diogo transformou a minha vida e a do Francisco. É fantástico quando alguém nos ajuda a destacar o que de melhor há em nós.
– Gostava de voltar a ser mãe?
– Claro que quero voltar a ser mãe e não estou à espera das condições ideais, porque isso não existe! Ter mais filhos faz parte dos planos.

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