Nas Bancas

Sandra Faleiro: “Estou sempre à procura de me surpreender”

A atriz, que recebeu o Globo de Ouro para Melhor Atriz de Teatro, revela quem é fora dos palcos.

Marta Mesquita
24 de junho de 2012, 10:00

Sandra Faleiro, de 39 anos, sempresoube que seria artista. Apaixonada pelo bailado, pelo teatro e pela pintura,foi a vida que acabou por levá-la até aos palcos, estreando-se como atriz em1988, na peça A Rua. Mais de duas décadas depois, a atriz e encenadoraconquistou um lugar de destaque na representação e venceu este ano o Globo deOuro de Melhor Atriz de Teatro pelo desempenho na peça Quem Tem Medo deVirgina Woolf?.
Se no campo profissional Sandra é uma mulher realizada, o mesmo acontece na suavida privada. Casada há sete anos com o ator e encenador Bruno Bravo, emãe de Beatriz, de 12 anos, que nasceu de uma anterior relação, e deJoão, de quatro, a atriz garante que a sua casa é o palco que a faz maisfeliz.
– Como é que a representação entra na sua vida?
Sandra Faleiro – Sempre quis ser artista. Já em miúda gostava depintura, de bailado e de teatro. Com 19 anos, fui para o conservatório, e atéessa altura estive dividida entre o teatro e a pintura. Mas, como já trabalhavana área da representação, a minha escolha acabou por ser natural. Agoracontinuo a pintar em casa. Pinto, faço escultura, desenho…
– A sua personalidade acabou por ser muito influenciada por esta sua paixãopelas artes?
– Foi. Em miúda era muito tímida, gaguejava um bocadinho e tinha dificuldadesde comunicação. E o teatro ajudou-me a desabrochar e a comunicar melhor. Fuiuma privilegiada, porque este contacto com as artes faz-nos pensar. Por isso éque acho que todos deveriam ter aulas de representação. Crescer pode ser muitoviolento e difícil e o teatro ajuda a catalisar emoções que de outra formaficam fechadas em nós. Desde o ano passado que trabalho com um grupo amador deteatro e é maravilhoso ver as mudanças que se operam naquelas pessoas, que sãoprofessores, psicólogos, advogados...
– Então, para si, o palco acaba por ser uma terapia…
– Sim, o palco e a vida. Eu estou sempre a aprender, a pôr as coisas em causa.Crescer bem dá muito trabalho. Quando estamos a fazer uma peça, analisamos aspessoas e a sociedade, e mesmo fora do palco faço isso. Faz parte da minhapersonalidade.
– Acredito que essa atitude de permanente análise dê muito trabalho e tragaalgumas desilusões. Como lida com as frustrações?
– Todos temos de viver com frustrações. A melhor educação que posso dar aosmeus filhos é ensiná-los a aprenderem a lidar com as frustrações. Às vezes édifícil, mas nunca ponho a cabeça debaixo da almofada. Enfrento as coisas eresolvo-as.
– Então esse ar de mulher angelical é só mesmo aparência…
– Sou muito lutadora, empreendedora e tenho muito mau feitio. Estou sempreenvolvida em novos projetos e não faz parte da minha natureza estar parada.Estou constantemente à procura de me surpreender.
– Mas ainda há alguma coisa em si daquela menina tímida que gaguejava?
– De vez em quando ainda há. Não vou muito a festas, porque fico aflita commuitas pessoas à minha volta. Não me é confortável sair da minha zona desegurança. Não lido bem com muita confusão e dispersão. Fico um bocado aflitacom conversas de circunstância.
– As coisas ditas fúteis aborrecem-na?
– Não! Também sou superfútil e gosto de ter conversas fúteis. Também gosto deser muito parva! [Risos] Quando estou deprimida, vou comprar sapatos! É típico!E divirto-me com esse lado. Não me levo muito a sério.
– É uma atriz muito requisitada. Tem sido fácil conciliar a profissão com ofacto de ser mãe?
– Muitas vezes trabalho com o meu marido e temos a sorte de ter um grandeapoio familiar, senão não poderia fazer tanto teatro como faço. Se tivesse deoptar, a segurança e o bem-estar dos meus filhos seriam sempre a prioridade.Ser mãe foi uma porta que se abriu na minha vida. E é o meu maior desafio.Ainda estou a ensaiar e a aprender a ser mãe todos os dias. E eles estão aaprender a ser meus filhos.
– Acredito que o desafio seja maior quando já se tem uma adolescente emcasa…
– É, sem dúvida! Às vezes a minha casa é um campo de batalha, mas é normal,porque ela quer confrontar-me. Mas estou a conseguir manter o diálogo, o que éfundamental.
– Ganhou o Globo de Ouro para Melhor Atriz de Teatro. Dá importância aosprémios?
– Os Globos de Ouro distinguem o percurso que fazemos. Fiquei con­tente porganhar, porque foi um reconhecimento do meu trabalho. A minha família, então,ficou muito feliz! E gosto de os ver assim. Agora, o que isto me vai trazer?Não sei… Em Portugal, este tipo de coisas não tem grandes consequências. Umator aprende a lidar com o presente e o que conta é o que estamos a fazeragora, não é o passado nem o futuro. E cada vez mais é assim, até noutrasprofissões.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras