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Adelaide de Sousa e Tracy Richardson: Segundo filho ainda é uma possibilidade

Juntos há 11 anos e casados há nove, a apresentadora, de 43 anos, e o fotógrafo, de 51, gostavam que Kyle, de dois anos, tivesse um irmão, mas garantem que não será nenhum drama se tal não acontecer.

Cláudia Alegria
13 de junho de 2012, 17:00

O nascimento de um filho é, para todos os pais, uma experiência única. No caso de Adelaide de Sousa e de Tracy Richardson, a chegada de Kyle às suas vidas esteve envolta num misto de emoções. Antes de esboçarem sorrisos de alegria e de felicidade por ouvirem o primeiro choro do bebé, tiveram de lidar com a incerteza, a frustração e o pânico, já que mãe e filho correram risco de vida, devido à opção de ter um parto natural em casa, que foi mal acompanhado. Passados dois anos e meio, a apresentadora da SIC e o fotógrafo estão absolutamente convictos de que Kyle foi uma enorme bênção nas suas vidas. Durante um fim de semana passado em família, no Algarve, a CARAS ficou a conhecer um pouco melhor este casal extraordinário, que nos surpreende sempre com a sua integridade e capacidade de verbalizar opiniões de forma tão sincera e honesta.
– Neste fim de semana, o Kyle parece ter acrescentado a palavra ‘hotel’ ao seu léxico. Ele tem lidado bem com a aprendizagem de duas línguas, o inglês e o português?
Adelaide –
Sim, acho que não tem sido um problema para ele. Se calhar demorou um bocadinho mais a começar a falar mas, agora, percebe bem com quem é que fala e em que língua o deve fazer. No ATL que frequenta, as educadoras estavam a estranhar ele falar pouco, mas, de repente, soltou a língua. Conta tudo, fala imenso. Demorou mais tempo a assimilar, mas agora não noto nele dificuldade nenhuma em entender ou em expressar-se em qualquer uma das línguas. Se lhe pedir para dizer ao pai algo que me tenha acabado de contar, ele faz a tradução imediata, que é uma coisa incrível. É aí que percebemos a maravilha que é o nosso cérebro. Fico maravilhada com esta plasticidade das crianças.
– Tracy, assim terá sempre quem lhe faça as traduções, uma vez que ainda não fala português...
Tracy –
[risos] Acho que temos de ter outro bebé daqui a um ou dois anos para que, quando o Kyle se cansar de traduzir, o irmão o possa fazer!
– Com que frequência vai ele ao ATL?
Adelaide –
Duas vezes por semana. A ideia é que vá aumentando a frequência até ao final do verão e depois passar a ir todos os dias. Ele gosta muito de lá estar, diverte-se imenso, e elas dizem que está bem adaptado e preparado para o passo seguinte. É importante fazer as coisas com alguma lentidão, para não precipitar nada. No meu caso, lembro-me de não ter gostado nada de ter ido para o jardim de infância, precisamente por não ter tido esse tempo de transição, e essa má experiência talvez tenha condicionado toda a minha experiência futura na escola, da qual nunca gostei. Odiava a escola, queria sair o mais rapidamente possível, todos os anos fazia marcas no caderno com os meses que faltavam até ao final do ano. Fiz isto até ao 12.º ano.
– Foi assim um sacrifício tão grande andar na escola?
Foi horrível! Na escola primária inventava desculpas para me ir embora. Dizia que tinha de ir ao dentista e cheguei a falsificar a assinatura do meu pai... Preferia ir para casa brincar sozinha do que ficar na escola. E foi sempre assim. Não sei se poderá estar relacionado com o facto de a minha entrada na escola ter sido abrupta, com o ter vindo de Moçambique para Portugal, e todas essas mudanças repentinas.
– Veio para Portugal com que idade?
Com sete. Mas já em Maputo não gostava de ir à escola. Era horrível, batiam nos miúdos com colheres de pau, como antigamente se fazia, e eu não gostei nada de estar ali com pessoas que não conhecia. Quando vim para a primária agravou-se essa minha repulsa, por causa de todas as mudanças, por nos chamarem retornados, tudo. Por isso, estou a fazer o possível para que o meu filho veja a escola como um sítio aprazível, um local de brincadeira, de aprendizagem, de experiências.
– Já voltou a Moçambique entretanto?
Sim, quando gravei a Joia de África.
– Como foi regressar a um sítio do qual guarda boas recordações, mas que está completamente diferente?
Diferente, mas também muito familiar. É uma experiência estranha, porque logo ao aterrar no aeroporto reconhecemos imensas coisas, do cheiro aos ambientes. É estranho, surreal, reconfortante, mas, ao mesmo tempo, inquietante. É uma dualidade, um paradoxo, entre o adorar aquela terra e desejar voltar, mas pensar como foi possível deixarem-na chegar àquele ponto. Maputo é uma cidade linda, feita a régua e esquadro, muito organizada em termos urbanísticos, mas está muito negligenciada. Ter lá ido foi um amargo-doce, embora ainda tenha esperança de, um dia, haver condições para lá ir com a família ou, quem sabe, mudar de vida e ficar lá. Não sei, está tudo em aberto para mim.
– O Tracy encara bem a possibilidade de se mudar para Maputo?
Tracy –
Sim... Vivo em Portugal, tenho uma mulher e um filho maravilhosos, a minha vida é completamente diferente daquilo que imaginava há dez anos. Por isso, Maputo? É possível. Polo Norte? É possível também. Não sei. Quem me dera saber mais acerca do futuro, mas não sei.
– Diz ser fotógrafo, mas não vive da fotografia...
As coisas mudaram muito rapidamente. Costumava fotografar mulheres, imagens de beleza e, quando me casei, alguma coisa aconteceu, houve uma desconexão, e agora não consigo fazê-lo. Seria capaz de fotografar mulheres grávidas, famílias, crianças, casamentos, mas não imagens sexy. Há uma resistência e, quando fotografamos, isso não pode acontecer, temos de estar completamente ligados. Toda a minha vida quis escrever, por isso, com este nosso novo projeto, vamos ver como soa no papel o que me vai no coração.
– Que projeto?
Começámos um projeto em 2005 relacionado com o cancro da mama e, se o tivesse de definir em apenas uma palavra, seria encorajamento. É um livro para mulheres que acabaram de descobrir que têm cancro de mama, com aquele choque inicial de abrir a carta que contém o diagnóstico. É um presente para essas pessoas, porque é a história de como 12 sobreviventes recomeçaram do zero as suas vidas, e não só ultrapassaram o cancro, como também assuntos familiares, sexuais, financeiros e até relacionados com a mortalidade. Estas mulheres pensaram na morte aos 40 anos... Por isso, todo este projeto foi uma chamada de atenção para o facto de existir algo entre estes dois mundos, a terra e o céu. É uma forma de olhar para as suas histórias vitoriosas, que são uma inspiração incrível. Por isso, quis fotografar algo mais profundo. Estou mais velho, casado, mais calmo, e o mundo da moda já não é o mesmo para mim. Estou interessado noutro tipo de arte.
Adelaide – Foi ele quem idealizou o projeto, fotografou, alinhavou as entrevistas e escreveu a introdução, que é a perspetiva dele sobre o cancro da mama.
– Será a primeira vez que as pessoas po­derão ver fotos da sua autoria?
Sim. Um destes dias estive a ver fotos que tenho guardadas no meu computador. Nenhuma está impressa. E pensei: vou começar a imprimir, para que o Kyle tenha algo que era do pai. Se morrer, não quero que alguém o faça por mim. É algo meu, que revela a forma como olho para o mundo.
Continuam a falar na possibilidade de ter mais um filho?
Estava à espera de termos notícias para dar, mas não temos. Sei que o próximo filho vai ser tão extraordinário quanto o Kyle tem sido para mim. Ele precisa de alguém. A família dele é muito velha, eu não sou um jovem... Se pudéssemos ter feito isto de forma diferente, agora teríamos dez filhos...
Adelaide – Espero que aconteça, mas também temos de estar preparados para a possibilidade de não acontecer. Nesse caso, não será nenhum drama.

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