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Paula Lobo Antunes: “Sou séria e distante, não deixo que entrem facilmente no mundo das minhas emoções”

Por detrás desta atriz que gosta de se desafiar em cada personagem, está uma mulher reservada e contida, como deixou explícito nesta conversa com a CARAS.

Marta Mesquita
10 de junho de 2012, 10:00

Paula Lobo Antunes, de 36 anos, filha do conhecido neurocirurgião João Lobo Antu­nes, estudou Biologia Médica, mas acabou por descobrir que a sua verdadeira vocação era representar, ingressando num curso de teatro em Londres. De regresso a Portugal, a atriz conquistou o seu lugar na ficção nacional, sendo uma das caras mais assíduas das telenovelas portuguesas.
No palco, no cinema ou na televisão, Paula Lobo Antunes é uma atriz que não tem medo de se expor e que gosta de se desafiar em cada personagem. Contudo, na vida de todos os dias é uma pessoa “resguardada, secreta”, conta, explicando: “Vivi sempre, sempre dentro do meu ‘eu’ e do meu mundo imaginário”, explica. A este seu lado mais reservado a atriz acrescenta uma dose de superstição, herdada da sua avó materna.
Apesar de não gostar de falar da sua vida privada, nomeadamente do seu namoro com o também ator Jorge Corrula, Paula conversou com a CARAS e revelou um pouco mais sobre a mulher, ou “miúda”, como ainda se considera, que é no seu dia-a-dia.
– Nos últimos meses, participou na novela Remédio Santo, na peça Closer e no filme A Teia de Gelo. Que balanço faz da sua carreira?
Paula Lobo Antunes
– Tenho construído uma carreira bastante completa. Acho que o ideal para qualquer ator é ter a possibilidade de trabalhar em várias plataformas. Claro que a minha formação é em teatro e voltar aos palcos foi quase como regressar a casa. Já não fazia teatro há quatro, cinco anos, mas é como andar de bicicleta, não se esquece. A peça [Closer] era muito emocional, sentimental, mas nunca levei isso para casa. Construímos as personagens, mas a partir do momento em que o público bate palmas, a personagem já não está lá.
– Lida bem com a vulnerabi­lidade e com a exposição de subir a um palco?
– Quando comecei na representação, vinha de um meio académico e tinha muita dificuldade em ser vulnerável, que foi uma das coisas que tive mesmo de arrancar dentro de mim. Antes de entrar em palco, digo um mantra que, resumindo, é isto: “Um ator, para se expressar no seu completo, precisa de ser mais vulnerável do que na vida.” Temos mesmo de nos despir de todos os preconceitos e deixar os fantasmas pessoais fora do palco. E é por isso que digo sempre o meu mantra e tenho as minhas superstições. A vulnerabilidade que mostramos é essencial para o público acreditar naquela personagem.
– Na vida custa-lhe mostrar as suas fragilidades?
– Na vida real sou uma pessoa bastante contida. Gosto muito de mostrar as minhas fragilidades nas personagens, mas como Paula, não. Sou séria e distante e não deixo que entrem facilmente no mundo das minhas emoções. É uma forma de me defender.
– E sempre foi assim tão reservada?
– Sim, sempre fui assim. A minha mãe diz-me que eu estava sempre fechada no meu quarto e, se chorava, fazia-o sozinha... Nunca expus as minhas emoções, daí ter sido tão difícil quando me tornei atriz trabalhar essa vulnerabilidade. Sempre fui muito resguardada, secreta. Vivi sempre dentro do meu ‘eu’ e do meu mundo imaginário.
– E como é que é esse seu mundo?
– Tenho amigos muito íntimos, que me conhecem muito bem, não são muitos, são talvez uns cinco ou seis, e tenho a minha família, que é enorme. São essas pessoas que conhecem as minhas fragilidades e sensibilidades. Sou Capricórnio com ascendente em Capricórnio, o que se calhar ainda acentua o facto de ser sensível e muito resguardada. Posso ter um ar um bocadinho frio, distante, mas quando deixo as pessoas entrarem na minha vida, percebem que sou uma lamechas!
– Falou de superstições. É uma pessoa muito supersticiosa?
– Sou e tenho muitos rituais. Quando estou a fazer teatro isso nota-se imenso. Entro sempre em palco com o pé direito, tenho o meu mantra que digo antes de começar a representar, tenho uma lista de definições da personagem que repito constantemente... E tudo tem uma ordem. Faço sempre uma saudação ao sol, que vem da minha prática de ioga. É algo que me dá energia e que me ajuda a estar centrada.
– E de quem é que herdou esse seu lado mais supersticioso ou místico?
– A minha avó materna era das pessoas mais supersticiosas que conheci e quando vim dos Estados Unidos passei muito tempo com ela, que me transmitiu essa forma de estar. Sempre fui muito interessada nessas superstições. Nunca sento 13 pessoas à mesa, não abro um chapéu-de-chuva dentro de casa, não parto espelhos... Sei que não morro se não fizer estas coisas, mas sinto-me melhor se as fizer. Não sou prisioneira das minhas superstições, mas fazem parte de mim. Às vezes precisamos de amuletos que nos ajudem a acreditar mais em nós próprios.
– Posso deduzir que gosta de rotinas?
– Mais ou menos. A rotina maça-me e cansa-me. Claro que há coisas nas rotinas que me fazem sentir segura, mas não gosto que essa sensação de segurança ponha em causa a minha espontaneidade. Já me aconteceu acabar umas gravações e sem nada planeado meter-me num avião para Paris. Gosto de correr alguns riscos calculados e sou uma pessoa destemida, mas não sou tresloucada.
– Tem 36 anos. Ainda se sente muito menina ou já é uma mulher?
– Ainda me sinto uma miúda e de vez em quando visto-me e comporto-me como tal. E isso é muito próprio dos atores, porque o nosso trabalho é brincar, fingir e isso traz ao de cima a criança que há em nós.
– Tem uma relação sólida com o ator Jorge Corrula. Já faz sentido pensar em casamento ou em ter filhos?
– Não penso nisso. Quero ser feliz, trabalhar e ter saúde. Não tenho grandes aspirações pessoais. Ser mãe vai acontecer quando chegar o momento. Não gosto de fazer planos. Vivo o dia-a-dia.
– Acredito que ao longo destes anos o Jorge se tenha tornado uma das pessoas que mais a apoia e que melhor a conhece...
– Rodeio-me de pessoas que me apoiam incondicionalmente, mas há certas coisas que não são para partilhar, porque senão torna-se muito invasivo. Quando as perguntas envolvem outras pessoas não gosto muito de comentar... Não tenho o direito de partilhar algo que vivo com o Jorge. Só posso partilhar algo que seja exclusivo da minha pessoa. E num casal somos dois.
– Depois da promoção do filme A Teia de Gelo, o que se segue?
– Agora preciso mesmo de férias e de ter tempo para mim.
– Assusta-a ficar sem trabalho?
– Um ator não pode parar nem pode dizer que está sem fazer nada, porque trabalho gera trabalho. Se está parado tem de dizer que está a estudar! Um ator tem sem­pre coisas para ler, aprender... E nunca nos podemos apoiar no último trabalho que fizemos, por melhor que tenha corrido. Temos sempre algo a provar.
– Tirou o seu curso de teatro em Inglaterra. Faz sentido pensar numa carreira internacional?
– Já fez sentido, mas entretanto fiquei por cá. Não sei o que vai acontecer a seguir. Hoje em dia o trabalho em Portugal está cada vez mais reduzido, os apoios culturais são lastimáveis... Mas gostava de fazer produções próprias.

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