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Helena Sacadura Cabral: "Vivo um dia de cada vez"

Um mês depois da morte de Miguel Portas, vítima de cancro no pulmão, a economista apresentou o livro 'Aquilo em que Eu Acredito' e falou da forma como tem lidado com as saudades do filho.

Andreia Cardinali
9 de junho de 2012, 12:00

Foi no dia 24 de abril que morreu Miguel Portas, na sequência de um cancro do pulmão. Um mês depois, a mãe, Helena Sacadura Cabral, apresentou o livro Aquilo em que Eu Acredito, na Fnac do Chiado, no qual fala dos valores, atitudes, sentimentos e lições inspiradoras que tem tido ao longo da vida e que nunca a fizeram deixar de sorrir e dizer o que pensa. "Há muito tempo que eu pensava fazer um livro destes, mas depois surgiam outras coisas e fui adiando, até que chegou uma altura em que decidi que não adiaria mais. Este livro é um produto de dois anos de coisas que fui fazendo avulso e de textos que acabei por reescrever”, explicou a escritora.
Sempre rodeada pelos amigos, que fizeram questão de estar presentes neste dia, a escritora e economista falou emocionada da forma como tem encarado as saudades que sente do filho mais velho: "Tenho lidado com isso com dificuldade, vivo um dia de cada vez, tentando fazer aquilo que ele gostaria que eu fizesse, ou seja, trabalhar, continuar a minha vida, tratar dos vivos, dos netos e do outro filho. Faço aquilo que faz qualquer mãe que perde um filho. Há casos muito piores do que o meu, já que ainda gozei de um filho durante 50 e tal anos.”
Agradecida pelo apoio que tem recebido de todos os que a rodeiam, nesta fase mais triste da sua vida, a escritora garante ainda que a sua força tem de ser inabalável para conseguir ajudar a sua família, em especial, o filho Paulo Portas e os netos, André, de 18 anos, e Frederico, de 15, filhos de Miguel, a superar esta dor. "Não me posso dar ao luxo de contar muito com os outros, pois neste momento a minha família precisa muito de mim. O Paulo precisa que eu não o preocupe para ter a vida profissional dele sossegada e os netos que estão a acabar o ano em Bruxelas precisam, quando vierem, que eu esteja firme”, explicou Helena, partilhando ainda como vai buscar forças para viver o dia-a-dia: "Vou buscar forças à parte de cima, que me manda uns influxos de boa energia e vitaminas. Sou uma mulher forte e aguento os embates. Não me posso dar ao luxo de perceber se aguento ou não o que se está a passar, pois caso contrário posso desabar. Ninguém tem um precipício à frente e põe-se à beira dele, se não, pode mesmo cair. Com a ajuda das alminhas de cima e do meu pai e da minha mãe, tudo se vai resolvendo. Eles devem estar neste momento bastante satisfeitos a conversar com o neto.”
Escrita maioritariamente durante a doença de Miguel, esta mais recente obra de Helena foi dedicada ao seu pai e aos seus irmãos, estes últimos pilares essenciais durante os últimos meses de vida do filho: "Este livro não é dedicado ao Miguel, pois já o tinha feito noutras alturas, a ele e ao irmão, mas foi escrito durante uma altura muito complicada. Foi sobretudo  com o meu irmão mais novo e a minha cunhada que eu partilhei este momento mais difícil. Por isso, foi muito bem dedicado a eles."
Foi com a simpatia habitual que Helena explicou ainda que não receia ‘represálias’ relativas às opiniões que dá nesta obra: "Não tenho receio de nada e muito menos de dizer o que penso. Se nesta idade tivesse medo de represálias, já estava morta há muito tempo [risos]. Tenho tido represálias dos filhos, pessoais... Tenho medo de outras coisas, mas não disso."

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