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Rita Gonçalves, Mariana Lobato e Diana Neves vão de vela aos Jogos Olímpicos

A equipa ‘Tacking to London’, composta pelas três praticantes de vela, vai representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres. A CARAS conversou com as atletas sobre esta façanha.

Marta Mesquita
26 de maio de 2012, 15:34

Rita Gonçalves, de 31 anos, Diana Neves, de 25, e Ma­riana Lobato, de 24, começaram a praticar vela por brincadeira, com os pais, mas o que era apenas um programa familiar tornou-se, com os anos, uma verdadeira paixão, que as fez abdicar de carreiras profissionais, dos estudos e do tempo de lazer. Este empenho deu os seus frutos e a equipa feminina de vela Tacking to London prepara-se agora para viver o maior sonho de qualquer atleta: representar o seu país nos Jogos Olímpicos. A CARAS conversou com as três atletas, que competem na classe Match Racing, sobre o desafio de levar um sonho à vela até Londres.
– Representar Portugal nos Jogos Olímpicos só pode ser um sonho tornado realidade...
Rita Gonçalves
– Para mim  é, sem dúvida, um sonho que se torna realidade, principalmente desde que iniciei a vela de competição. Os Jogos Olímpicos é o topo da carreira de um atleta.
Diana Neves – Sim! Estamos muito contentes. É o culminar de um longo percurso. Conseguimos o apuramento em dezembro e isso só aumentou a nossa motivação para chegarmos mais longe. E agora que temos os barcos em Cascais, podemos treinar em casa, e estamos a fazê-lo da melhor forma possível.
Mariana Lobato – No momento em que nos apurámos ficámos mesmo contentes. E agora é continuar a trabalhar.
– O que é que vos atraiu na vela?
Rita
– Há a vela de lazer e a de competição. A de lazer permi­te-nos aproveitar o que de melhor tem o mar, tirarmos partido da natureza e sentir aquela sensação de liberdade que no dia-a-dia não sentimos. Mas eu adoro a vela de competição, porque sou uma pessoa bastante competitiva e, por isso, é uma modalidade que me preenche muito. E aliar a liberdade à competição é algo de extraordinário! O melhor de tudo é que quando vou para o mar divirto-me imenso. E temos de tirar prazer daquilo que fazemos!
– Acredito que não seja fácil lidar com a competitividade que existe num nível já tão exigente como é aquele em que estão...
Diana
– Somos as três muito competitivas e nem podia ser de outra maneira, caso contrário, não estaríamos a competir em tão alto nível. Por isso é que fazemos tantos sacrifícios para melhorarmos. Vamos para o mar mes­mo com frio, alteramos as nossas dietas, temos treinos físicos muito in­tensos e tudo isso exige muita perseverança.
– Que sacrifícios é que tiveram de fazer para conseguirem chegar ao apuramento para os Jogos Olímpicos?
Rita
– No início do projeto tínhamos de ter uma grande força de vontade para fazer esses sacrifícios. Sou engenheira civil e até agosto do ano passado conciliei o meu trabalho com a vela, com muito boa vontade da minha entidade patronal! Mas mais tarde tive que me dedicar totalmente à vela e abdicar da vida profissional. Depois, temos de dedi­car todo o nosso tempo à modalidade. Em norma, vamos ao ginásio cinco dias por semana, duas horas por dia. À tarde, temos o treino de mar, que são mais três horas. No estágio, fazemos duas sessões de treino de mar, mais as reuniões com o treinador. Isto é um trabalho a tempo inteiro...
Mariana – Eu sou mais nova e calhou bem ter este projeto nesta altura, porque consegui acabar mesmo a tempo a licenciatura em Publicidade e Marketing. Nos últimos dois anos, foi complicado conciliar tudo, mas tive muita ajuda dos meus colegas.
Diana – E eu sou engenheira de energia e ambiente e estava a fazer o doutoramento, mas como não conseguia conciliar com a vela, tive de o pôr um bocadinho de lado até aos Jogos Olímpicos.
– O apoio da família e dos amigos é certamente fundamental para conseguirem investir neste sonho...
Rita
– Fundamental mesmo! Passamos muito tempo fora do país. O ano passado devemos ter estado cá apenas cem dias, o que é muito pouco. Este sonho também tem de ser partilhado pelas pessoas que nos rodeiam. É o nosso sonho, mas também é o deles. E nesse aspeto temos as três muita sorte.
– A vela é sobretudo uma competição em equipa. Gostam de trabalhar juntas?
Mariana
– Sim, é como se fosse um casamento a três. Temos de ter muito espírito de equipa, senão não conseguiríamos estar onde estamos. É muito exigente, porque passamos muito tempo juntas e temos de estar sempre conscientes de que dependemos umas das outras.
– A vela também vos tem moldado enquanto pessoas?
Diana
– A vela dá-nos uma aprendizagem social enorme, sobretudo por estarmos em equipa, e isso é algo que nos fica para a vida. E também conseguimos aceitar desafios mais facilmente, porque nos tornamos mais confiantes. Mesmo quando tudo parece impossível, conseguimos dar a volta e não desistimos. A vela não nos permite ser pessoas resignadas.
Rita – Esta vida de atletas torna-nos pessoas independentes e lutadoras. É uma experiência muito enriquecedora.
– Estão a trabalhar para o pódio ou não ousam sonhar tanto?
Diana
– O nosso objetivo era sermos apuradas, portanto, a partir daqui é tudo ótimo!

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