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Tasha de Vasconcelos: "Quero dar uma voz aos que não a têm”

A supermodelo diz sentir-se cheia de energia. Ajudar os que mais precisam é, afirma, a sua vocação na vida.

Inês Mestre
19 de maio de 2012, 14:00

"Gosto muito de estar aqui. Quando estou em Portugal sinto-me em casa”, diz a modelo internacional Tasha de Vasconcelos, de 45 anos, nascida em Moçambique. Bem disposta e com o ar sereno de quem, tal como ela própria confirma, parece ter encontrado a sua vocação na vida, Tasha falou à CARAS sobre a sua fundação, AMOR – Aide Mondiale Orphelins Réconfort (ajuda mundial e reconforto aos órfãos) e a parceria que estabeleceu com Alain Afflelou, fundador da marca de ótica com o mesmo nome: Tasha é a nova embaixadora e protagonista da campanha europeia Next Year da marca, e esta vai patrocinar a construção de um departamento de ótica pa­ra as crianças do hospital que a fundação AMOR tem no Malawi.
Tasha de Vasconcelos é também embaixadora da União Europeia para as Causas Humanitárias, um título que aceita com “muita honra”, como nos contou durante esta breve passagem por Lisboa.
Além de ser modelo, o seu trabalho humanitário é aquilo que mais a tem distinguido nos últimos anos...
Tasha de Vasconcelos
– Na minha vida tenho muito por que estar grata, mas também tenho muito para dar e quero servir os outros. Acordo todos os dias para servir os outros e dar uma voz aos que não a têm. Há um sentido na minha vida, eu sou apenas um instrumento para servir. Sou uma das supermodelos da nossa era e uma marca, e tenho muito orgulho em aproveitar isso para ajudar aqueles que precisam. E este proje­to com o Alain Afflelou é muito entusiasmante, pois vamos abrir uma clínica de oftalmologia no Malawi, para que aquelas crianças possam sonhar em ser jornalistas, modelos ou presidentes. Para que possam ler e ter formação.
Como se sente ao saber que através da sua fundação já ajudou tantas mães e recém
nascidos no Malawi?
– É fantástico saber que já baixámos a taxa de bebés que nascem seropositivos de 25 para 11 por cento no Malawi!
Está a ficar emocionada...
– Vêm-me as lágrimas aos olhos porque sinto que tenho um sentido na minha vida e que juntos estamos a mudar o mundo. Em África as pessoas dão-nos e ensinam-nos muito. Eles têm tão pouco quando comparados connosco e são felizes! Acordo todos os dias e apercebo-me de que tenho sorte em estar viva e que tenho de ser a ponte entre África e a Europa, a ponte entre a humanidade e o capitalismo.
Ajudar os outros é uma vocação?
– Eu sou uma marca, uma supermodelo, tenho o dom da beleza e uma carreira, mas a minha vocação encontrou-me. Porque eu passei por coisas que me tornaram mais forte. O facto de ter assistido a duas revoluções (em Moçambique, onde nasceu,  e na Rodésia, atual Zimbabué, onde se refugiou) e coisas terríveis poderiam ter originado em mim uma fraqueza, mas isso acabou por se tornar a minha força.
E acho que a altura em que vivemos é um grande momento para perceber que as coisas mais importantes na vida são as nossas raízes e a generosidade.
Ao trabalhar com mães e bebés não sente também a von­tade de ser mãe?
– Sim, claro! Se Deus quiser ainda poderei ser, e serei, mãe. Tenho demorado o meu tempo, mas isso é algo por que ansiar.
A sua fundação tem um no­me bonito, AMOR. Tem muito amor na sua vida?
– Estou apaixonada pela vida.
E tem namorado?
– Acredito que há um jardim privado na nossa vida e é bom mantê-lo assim.
O que mais gosta no nosso país?
– Estou muito contente por estar aqui. Assim que chego a Portugal sinto-me em casa, com vocês! Nós somos um povo de navegadores que percorreram o mundo e eu sou a nossa voz internacional. Tenho mais de 800 anos de história portuguesa através do meu pai e vou erguer a bandeira de Portugal bem alta. Mas gosto de tudo em Portugal, do som do fado, do coração do povo, da alma da história, da descoberta do mundo... E da comida! As minhas comidas favoritas são pastéis de Belém, toucinho do céu, caldo-verde, bacalhau e rissóis! Há muitas coisa boas e devíamos ter orgulho em ser portugueses.
Como se sente aos 45 anos?
– Com muita energia! Mas nunca me preocupei muito com a idade. Não queria ser outra coisa diferente do que sou agora e acho que esta é a altura mais entusiasmante da minha vida.
Não tem problemas em envelhecer?
– A minha mãe é uma inspiração para mim. Olho para ela e penso que a nossa vida está escrita na nossa cara. Acho que a minha cara mostra a minha felicidade e isso é que é importante. O facto de querer servir outras pessoas trouxe-me a maior das alegrias e também fez sobressair o que há de melhor em mim. E a beleza é uma luz que vem de dentro e que se nota na nossa cara quando ajudamos os outros. Não é a idade, tem a ver com aquilo que estamos a fazer, e quando estamos a fazer aquilo que era suposto, não sentimos que estamos a trabalhar.
Deve ser um orgulho ter o título de embaixadora da União Europeia para as Causas Humanitárias...
– É uma grande honra. Quero cumprir a minha missão com todo o meu coração e lutar por todos aqueles que não têm voz. Até 2015 estou ao serviço das causas onde for precisa. Na altura, [o presidente da União Europeia]Durão Barroso disse-me que me escolheu porque eu também fui uma refugiada e passei por muita coisa, tal como as pessoas que ajudamos. Por isso, quando falo, elas têm facilidade em ouvir-me, porque se identificam comigo.
Gosta de viver no Mónaco?
– O Mónaco é a segurança que eu sempre tenho procurado. Já vivo lá há 15 anos e gosto muito por causa do mar, porque é um local onde me sinto bem-vinda. E o Mónaco é um pouco como a Beira, onde nasci, é um local pequeno, uma vila. Vamos abrir os escritórios da AMOR no Mónaco em breve e vamos começar um baile anual a favor da fundação, e isso é entusiasmante. Tenho muito trabalho para fazer!

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