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Catarina Furtado: Emoção e consternação durante viagem à Índia

“Um lugar místico, que atrai, mas onde é demasiado visível e chocante o contraste entre os 13% de ricos e os 410 milhões de pobres”. É desta forma que a apresentadora da RTP define o país.

Redação CARAS
13 de maio de 2012, 10:00

Há sete anos queCatarina Furtado partilha com os colegas do programa da RTP, Príncipesdo Nada – o realizador e produtor Ricardo Freitas e o repórter deimagem Hugo Gonçalves –, experiências, muito intensas quer do ponto devista físico quer do ponto de vista psicológico. Desta vez, a viagem teve comodestino a Índia, “um país que é um mundo, com cerca de 18 línguas oficiais e1600 dialetos, e em que a condição da mulher é ainda o problema que mais chocaquando nos debruçamos nas estatísticas e falamos com as pessoas nos locais ondevivem”, começa por dizer a autora e responsável pelas reportagens. Durantedez dias, a embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a População conheceualgumas das realidades sociais que afetam o país e ficou impressionada com onúmero de meninas que a ONU afirma terem morrido por negligência das famílias.Ou que não chegaram sequer a nascer “São 40 milhões. Chegam a ocorrer cercade 7000 feticídios femininos por dia. Apesar de o governo indiano e das ONGestarem a tentar travar esta realidade, o nascimento de uma menina é ainda umfardo para grande parte das famílias indianas. Porque persiste a sociedade decastas e o ritual de entrega de um dote por parte da família da noiva à famíliado noivo, entre muitos outros aspetos que remetem a menina e mulher para umterceiro plano de oportunidades e poder de decisão.”
Nesta viagem, que teve início em Nova Deli, Catarina Furtado e a sua equipavisitaram um projeto da ONG People to People numa favela com criançastrabalhadoras filhas de sem-abrigo: “Uma voluntária portuguesa, Márcia,mostrou-nos as condições terríveis de pobreza extrema e falta de acesso acuidados de saúde, higiene e educação destas cerca de 1500 pessoas.”
A apresentadora de televisão percorreu muito do interior da Índia, onde “seacredita que vivam 75% dos pobres do país”. Assistiu, também, aotrabalho do Life Line Express, “o único comboio-hospital do mundo queatravessa o país, e que oferece cirurgias e tratamentos gratuitos aos maisdesfavorecidos”. Catarina emocionou-se com “a forma comovente como asIrmãs Franciscanas Hospitaleiras dão acolhimento a cerca de 400 meninas queviviam em condições de vulnerabilidade e risco social” e realçou “otrabalho feito junto das comunidades locais sobre a saúde reprodutiva e anecessidade de envolver o homem nas mudanças de comportamentos que dizemrespeito à violação dos direitos das mulheres, ainda tão ignorados. A maioriadesses comportamentos são impensáveis no século em que vivemos!”
Catarina Furtado chama ainda a atenção para o facto de a Índia, um país com 1,2mil milhões de pessoas, ser “um lugar místico, que atrai, mas onde édemasiado visível e chocante o contraste entre os 13% de ricos e os 410 milhõesde pobres”. “Sendo um dos países emergentes, é importante colocar as questõesda discriminação da mulher na ordem do dia”, concluiu.

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