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Joana Roque do Vale e Luís Soares Duarte em família

Ao lado dos respetivos filhos, os dois enólogos construíram uma vida feliz em ambiente rural.

Marta Mesquita
12 de maio de 2012, 10:00

Joana Roque do Vale, de 38 anos, nunca viveu em grandes cidades. Os primeiros anos da sua vida foram passados na casa da família em Torres Vedras e mais tarde foi morar para o Alentejo, onde o seu pai criou a empresa vinícola Roquevale, da qual é a enóloga responsável desde 1996. Mais tarde, quando conheceu o seu atual companheiro, Luís Soares Duarte, de 42 anos, tam­bém enólogo, mudou-se para Vila Real, passando a dividir-se entre o norte e o Alentejo.
Joana recebeu a CARAS na casa de Torres Vedras, na companhia de Luís, dos dois filhos deste, António, de 13, e Tomás, de oito, e dos seus próprios filhos, Artur, de dez anos, e Pedro, de oito, com os quais formou uma família feliz.
– Qual é a sua relação com esta casa?
Joana Roque do Val
e – Esta casa representa as minhas origens. Toda a minha família paterna nasceu aqui e até aos cinco anos vivi aqui. Depois, quando os meus avós morreram, o meu pai ficou com a casa. E nem que seja de 15 em 15 dias, tentamos vir cá com os miúdos. Eles adoram estar cá, sentem-se muito bem. Penso que vão herdar o hábito de cá vir aos fins de semana.
– E como é que nasceu a paixão da sua família pela vitivinicultura?
– Os meus avós paternos tinham uma pequena adega e o meu avô materno sempre fez vinho. Quando fomos para o Alentejo, o meu pai foi o presidente da Adega Cooperativa do Redondo durante nove anos. Em 89, decidiu criar a sua própria adega e foi quando surgiu a Roquevale. Nasci no meio da vinha e da terra e quando acabei o curso de Engenharia Alimentar já sabia que queria seguir Enologia.
– A Joana trabalha no Re­dondo, no Alentejo, mas vive em Vila Real. É fácil gerir a sua vida pessoal andando sempre entre o norte e o sul do país?
– Sim, hoje em dia as distâncias são curtas. E eu também trabalho muito com o mercado externo, já estava habituada a meter-me no avião e ir a Madrid, Barcelona, Brasil... Assim, ir de Vila Real ao Alentejo até é uma viagem mais pequena!
– Acredito que sendo o Luís também enólogo se tenham conhecido no meio profissional...
– Sim, éramos amigos e colegas profissionais há muitos anos. O Luís tem a sua produção e ainda é consultor de outras empresas nesta área. E como era difícil
andarmos sempre de um lado para o outro, optámos por viver no norte e eu deslocar-me ao Alentejo uma vez por semana.
– E há alguma competitivida­de profissional entre os dois?
– Não! Fala­mos muito e somos críticos dos vinhos um do outro, mas acaba por não haver competitividade, porque vendemos vinhos diferentes. E facilita muito trabalharmos na mesma área, porque há compreensão. Quando tenho de me ausentar para ir ao Alentejo, o Luís assegura toda a gestão familiar. É um excelente pai, um ótimo cozinheiro e consegue perfeitamente dar conta do recado. Quando é ele que tem de sair, fico eu com esse papel.
– Tendo os dois a mesma profissão, é fácil deixar o trabalho nas vinhas ou levam-no para casa?
– Tentamos separar as coisas. De manhã, ao pequeno-almoço, falamos muito de trabalho, mas ao final do dia dedicamo-nos um ao outro, aos miúdos e à casa. Mas gostava de fazer um vinho com o Luís. Seria um vinho que misturasse uvas das duas regiões... Mas ainda vamos ter de adiar esse projeto por mais algum tempo.
– Como é que é gerir uma casa com quatro rapazes?
– É fácil, porque dão-se todos bastante bem e têm idades muito próximas. Em casa, cada um tem o seu espaço. Depois, andam no mesmo colégio e acabam por conhecer os amigos uns dos outros. É uma família que funciona muito bem.
– E gosta de ser a única mulher da casa?
– Gosto. Claro que há alturas em que fico perto do desespero, mas passa depressa [risos]. Eles ajudam todos em casa e eu não sou uma pessoa muito difícil nem muito exigente. Gosto que haja disciplina, mas não preciso que esteja tudo impecável.
– Tem sido bom criar os seus filhos em ambientes rurais?
– Eles estão muito habituados à vida de campo e adoram ir comigo para a adega e para as vinhas. Em Vila Real, também temos uma pequena área de cultivo e tentamos transmitir-lhes o gosto pelas coisas da terra. Os meus filhos tornaram-se pessoas simples, que sabem que as galinhas põem ovos e que o leite vem das vacas. Para mim é um privilégio viver no campo e não conseguiria morar numa cidade. Acho que o campo nos dá a capacidade de superar os desafios mais facilmente, porque não vivemos o stresse da cidade.
– Esta profissão também lhe permite ser uma mãe mais presente...
– Sem dúvida. Consigo estar sempre presente, e quando não posso, eles vêm comigo para o meu local de trabalho, o que adoram!
– Que valores tentam passar aos vossos filhos?
– Tentamos passar-lhes princípios muito simples, como não ligar a coisas fúteis. Eles poderiam ter muito mais do que aquilo que têm, mas achamos que não devem ter. Também incentivamos muito a partilha e o respeito pelos outros. Numa família de seis, temos de saber respeitar o espaço do outro.

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