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Recorde a última entrevista de Bernardo Sassetti à CARAS

No passado mês de novembro, antes de os ‘3 Pianos’ voltarem a subir ao palco do CCB, a CARAS falou com Bernardo Sassetti, Pedro Burmester e Mário Laginha. Releia a entrevista.

Marta Mesquita
11 de maio de 2012, 14:50

Bernardo Sassetti "morreu na sequência de um queda de uma falésia" na zona de Cascais. O corpo foi encontrado ontem, mas a data da morte ainda não foi confirmada.
Recorde a última entrevista do pianista e compositor à CARAS, em novembro último.
Em 2006, Mário Laginha, Pe­dro Burmester e Bernardo Sassetti subiram ao palco do CCB para dois concertos. Agora, os três pianistas voltam a partilhar o palco, a 20 e 25 de novembro, estando esta última data praticamente esgotada. Antes de voltarem ao CCB, vão atuar na Sala S. Paulo, no Brasil.
A CARAS esteve à conversa com os três pianistas, que contaram o que se pode esperar destes concertos a seis mãos.
– Este reencontro dos ‘3 Pianos’ vai ser muito diferente daquele que aconteceu em 2006?
Mário Laginha
– Não vai ser muito diferente do que se passou quando tocámos juntos há uns anos. Apenas vamos tocar um reportório novo, não vamos repetir peças. Dá-nos sempre muito prazer tocarmos juntos. E como não abusámos disso, mantém-se a frescura. É um reencontro muito apetecido.
– É divertido trabalharem juntos?
Pedro Burmester
– Sim, porque nos damos muito bem e gostamos uns dos outros. Apesar de termos percursos diferentes, há muitas coisas que nos unem e somos pessoas divertidas por natureza. Tiramos prazer de tocar juntos e para mim isso é fundamental para que se faça boa música.
– Como é que chegam à escolha do reportório?
Bernardo Sassetti
– São ideias que vão surgindo, gostos de cada um... Depois, as sugestões são postas na mesa e temos reações geralmente muito positivas às propostas dos outros. Não há um estilo realmente definível nas nossas escolhas, há é uma vontade muito forte de se fazer música.
Mário Laginha – Na realidade, a reunião final para escolhermos o reportório foi durante as férias e estava tudo de fato de banho [risos].
– Mas às vezes não há choques de egos e de opiniões?
– Não temos lutas de egos e isso é fundamental. Todos queremos o mesmo: que a música que fazemos nos satisfaça.
Pedro Burmester – Há egos, porque nesta profissão é impossí­vel não haver, mas sentimo-nos confortáveis com os egos uns dos outros.
– Quando há um trabalho de equipa, o facto de serem amigos ajuda?
Bernardo Sassetti
  – É muito melhor quando somos amigos! Existe logo à partida uma confiança no outro que só se cria quando há esta amizade. Se bem que música é música e conhaque é conhaque... Entre nós há generosidade em cima do palco. E isso cria-se com a confiança.
Pedro Burmester – E com o passar do tempo essa condição torna-se cada vez mais importante. Lembro-me de há 20 anos tocar com grandes músicos, de não haver uma relação de amizade e de não achar isso importante. E com a idade começamos a dar valor à relação pessoal que criamos com quem trabalhamos. Essa proximidade  potencia o que se dá à música.
– Tem sido fácil para vocês conciliarem o vosso lado profissional com o pessoal?
Mário La­ginha
– Essa pergunta seria mais bem respondida pelas nossas mulheres. Qualquer mulher que se case com um pianista sabe que vida vamos ter. Eu não posso parar de viajar. Mas estão aqui três casos que mostram que é possível conciliarmos tudo e sermos bem sucedidos.
Pedro Burmester – Penso que se tivéssemos outras profissões não seria diferente. As relações que se criam funcionam independentemente de sermos artistas ou não. Até pode ser uma vantagem para a relação estarmos menos em casa.
Bernardo Sassetti – Dou muita importância ao tempo de qualidade que posso ter quando tenho menos trabalho. As crianças de qualquer casal de artistas habituam-se muito facilmente a este tipo de vida e ficam fascinadas com o mundo do palco e das artes.

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