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Marta Gautier alia a psicologia ao humor e cria espetáculo sobre as mulheres

‘Vamos lá Então Perceber as Mulheres... Mas só um Bocadinho...’ é um monólogo cómico que aborda as situações quotidianas da vida dos casais e das famílias.

Marta Mesquita
05 Maio 2012, 10:00

Marta Gautier inspirou-se na sua experiência en­quanto psicóloga clínica, mulher e mãe de duas crianças ainda pequenas e criou o espetáculo Vamos lá Então Perceber as Mulheres... Mas só um Boca­dinho... Neste monólogo cómico a psicóloga, especialista em psico­terapia individual e com formação em competências parentais, expõe os receios, as fragilidades e todo o potencial das mulheres, abordando de maneira divertida várias situações quotidianas da vida dos casais e das famílias.
Com este espetáculo em exibição – esta semana, a 24, no Teatro Confluência, em Cascais, a 17 de maio, no Cinema São Jorge, em Lisboa, e nos dias 23 e 30 de maio novamente no Teatro Confluência – conversámos com a psicóloga.
– Como surgiu a ideia de subir a um palco para falar sobre as mulheres?
Marta Gautier
– Sendo psicóloga, recebo no consultório muitas mulheres, e tudo isto surgiu a partir daí e da minha experiência pessoal. Neste espetáculo passamos pela adolescência, depois falamos do momento em que as mulheres se casam, têm filhos... O humor pode desbloquear muitas coisas...
– E é um espetáculo para ajudar os homens a perceberem as mulheres ou é para estas se perceberem a si próprias?
– Do que tenho percebido pelo público, é um espetáculo para casais. As mulheres que vão sem os maridos depois voltam com eles. Quem vê o  monólogo sente um alívio, porque tem ali alguém a exprimir o que sente, mas que muitas vezes não consegue verbalizar. Até para mim este espetáculo é terapêutico, por isso é que o faço desde novembro.
– Na sua opinião, e tendo em conta os desabafos de quem vai ao seu consultório, qual é o principal problema na comunicação entre homens e mulheres?
– Acho que um dos maiores erros é pensarmos logo, quando nos irritamos: “Caramba, como é que ele/ela foi capaz de fazer isto? Se fosse eu não faria assim!” Pensar que a pessoa que amamos tem de agir como nós é um dos maiores erros que se pode ter numa relação. Não devemos organizar o mundo segundo a maneira como faríamos as coisas, ou estaremos sempre desiludidas.
– Diz-se mui­to que os homens não percebem as mulheres, mas a verdade é que muitas vezes elas também não se percebem a si próprias...
– Pois, não nos percebemos... E o facto de querermos atingir a perfeição dificulta tudo. Por exemplo, vamos de viagem com a família e queremos que todos cantem no carro. E porquê? Porque essa é a imagem que temos na cabeça de como seria essa situação idealmente, pois é assim que acontece nos filmes. E na verdade temos é vontade de ler uma revista e não falar com ninguém.
– A Marta explora muito a necessidade de autoaceitação no seu livro Gosto de ti Assim...
– Exatamente. É um livro que fala de uma mulher que sofreu e que tem de fazer uma viagem por  aquilo que passou. Só quando fazemos as pazes com o passado é que conseguimos aceitar quem somos e perdoar as nossas falhas. É muito difícil aprender a dizer: “Errei, paciência.”
– É difícil para as mulheres aceitarem as suas falhas porque há a ideia de que hoje em dia têm de ser supermulheres...
– A sociedade não nos exige nada, somos nós que exigimos! Às vezes não é possível conciliar tudo! Tive de trabalhar o dia inteiro e não vi os meus filhos. Tenho pena, mas é assim! O trauma só acontece quando se faz um drama disso. Os miúdos veem a culpabilidade na nossa cara e nos nossos gestos. E aí percebem que podem explorar isso. Se agirmos com naturalidade, assumindo os seres limitados e imperfeitos que somos, os miúdos entendem-nos melhor. E se quem cria rapazes tem esta atitude, mais tarde eles entenderão melhor as suas mulheres.
– E consegue aplicar todos estes conhecimentos na sua vida?
– O meu interesse pela psico­logia tem a ver com o aprender a amar melhor. Na minha vida já passei por muita coisa e descobri algumas verdades. Primeiro, o amor resolve tudo, depois, não há nada mais importante do que o amor. Quando tenho um desafio e fico angustiada a pensar se faço assim ou de outra maneira, se esquecer tudo e pensar apenas que vou amar, tudo acontece. E isto tem a ver com os sorrisos que podemos fazer surgir, com as palavras que até poderíamos dizer, mas que não dizemos para não ferir alguém... É escolher compreender o outro, que é das coisas que mais nos comovem, mais retorno nos trazem e que nos faz mais felizes.

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