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Gracindo Jr. em palco com os filhos: Uma família de talentos

O ator, de 68 anos, está em Portugal com os filhos, também eles atores, Gabriel Gracindo, de 34 anos, Daniela Duarte, de 36, e Pedro Gracindo, de 26.

Inês Mestre
5 de maio de 2012, 14:00

Epaminondas Xavier Gracindo, mais conhecido por Gracindo Jr., é um dos mais aclamados atores brasileiros, filho de outro grande nome da representação brasileira: o ator Paulo Gracindo, que os portugueses conhecem de novelas como Gabriela, Roque Santeiro ou Rainha da Sucata. Paulo Gracindo morreu em 1995, aos 84 anos, e para lhe fazer uma homenagem o filho começou a sonhar com um espetáculo. Assim nasceu a peça Os Canastrões, na qual Gracindo Jr., de 68 anos, sobe ao palco com os dois filhos, também eles atores: Gabriel, de 34 anos, e Pedro Gracindo, de 26. A filha, Daniela Duarte, de 36, também é atriz, mas neste caso encarregou-se da produção executiva.
Pai e filhos vão estar no Casino de Espinho nos dias 27 e 28 de abril, e seguirão depois em digressão pelo país. Estivemos à conversa com esta família que vai na quarta geração de atores, pois o filho de Gabriel Gracindo e da atriz Fernanda Nobre, João, de 14 anos, também já se estreou na profissão dos pais.
– Porque escolheu Portugal para montar e estrear uma peça de homenagem ao seu pai?
Gracindo Jr. –
Porque esta é também uma peça que fala do que é ser ator e de como isso tem vindo a mudar ao longo dos tempos. E a base do nosso teatro está aqui. Nos finais do séc. XIX os portugueses chegaram ao Brasil com o teatro e para trabalharmos nas companhias portuguesas tínhamos de falar com sotaque português. Por isso, fazia sentido que fosse assim.
– O seu pai não queria que se tornasse também ator. Foi inevitável?
– Acho que sim. Na época do meu pai, em 1960, era normal que um pai que fosse ator não quisesse que o filho também o fosse porque não era uma profissão reconhecida, nem financeiramente nem pelo povo. Era uma profissão meio marginal. Mas depois de eu ter começado, unimo-nos como colegas e o grande encontro que tive com o meu pai foi a trabalhar.
– Como disse, os tempos hoje são outros. Sente orgulho pelo facto de os seus filhos terem escolhido a mesma carreira?
– Fico muito orgulhoso e, tal como aconteceu com o meu pai, esta é uma forma de nos aproximarmos. Porque eles têm o mesmo tipo de compreensão pela profissão que eu, o mesmo amor pela poesia, pe­lo sonho, pela alucinação. Temos uma linguagem mais parecida.
– E é mais fácil trabalhar com eles?
– Não é que seja mais fácil, mas é uma coisa mais rara. Poder construir um espetáculo que pertence a esta família é muito forte e emocionante. E acredito que isso passe para o público, pois há uma energia que ‘rola’ entre nós. É diferente de trabalhar com um grande colega. Aqui são personagens interpretadas pelos meus filhos, com uma herança do meu pai.
– O seu neto João também já é ator...
– É muito engraçado. A carreira hoje tem promessas melhores do que no meu tempo. Pode
dar-nos um emprego, um padrão de vida bom. E o meu neto querer ser ator já não é grave, é bom. E também é bom ver que ele já tem algumas coisas realizadas e de boa qualidade. Fico muito feliz.
– Dá conselhos aos seus filhos?
– Não, acho que eles é que me dão a mim! Às vezes não os aceito muito bem, mas eles dão!
– O que gostava de fazer que aos 68 anos ainda não tenha feito?
– Acho que construo a minha vida no dia-a-dia. O que mais gostaria de fazer era este espetáculo aqui, e levá-lo para o Brasil. E é o que estou a fazer. Que mais me motiva na vida? Vou descobrir quando acabar este trabalho, ou durante esse trabalho. Uma das coisas boas de se ser ator é podermos inventar. Nós temos sonhos e vivemos esses sonhos. Vivemos dentro de sonhos projetados.
– É um homem de sonhos, portanto...
– O tempo todo! Há oito meses sonhávamos em fazer um espe­táculo em que contássemos a vida do meu pai, a vida de um ator. Fomos falando e agora estamos aqui e isso nasceu da ideia de fazer, do sonho de fazer. E acho que é essa a vida de um ator.
– Faço à Daniela, ao Gabriel e ao Pedro a mesma pergunta que fiz ao vosso pai. Por terem crescido neste meio, era inevitá­vel que se tornassem atores?
Pedro Gracindo – Acho que ser ator não é algo que um pai deseje para um filho porque é uma escolha louca, difícil e arriscada. Por outro lado, sempre respirámos isto, sempre vivemos no teatro, e acabou por ser inevitável, tanto que estamos aqui! Mas também é uma escolha.
– O apelido ‘Gracindo’ torna as coisas mais fáceis ou há um sentido de responsabilidade maior?Gabriel Gracindo – Acho que é um pouco dos dois. Quando comecei sentia uma grande responsabilidade, mas também o carinho das pessoas. Sem dúvida que é algo que abre portas, mas há uma expectativa e temos de zelar pelo nosso nome, mesmo sem ter uma carreira. É uma herança muito forte e as pessoas esperam isso de nós. Ao mesmo tempo, é desafiador e faz-nos querer mais e exigir mais de nós próprios. É algo que não temos de negar, mas assumir.
Pedro – Somos como uma família de artistas de circo ou de carpinteiros. E isso é bonito e tem um lado poético.
Daniela – É emocionante trabalharmos todos juntos, mas por outro lado somos profissionais, acho que conseguimos desligar-nos disso quando é preciso.
– Trabalhar com o vosso pai é mais fácil ou difícil?
– Não comento! [risos]
Gabriel – Há uma troca, uma exigência, uma crítica construtiva... É mais difícil, mas ao mesmo tempo é muito mais encantador. Há uma emoção maior e no teatro tudo fica mais à flor da pele. Mas acho que é muito construtivo.

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