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Lili Caneças: "Não acho que esteja uma velha feia, estou bem conservada e cuidada”

No mês em que completou 68 anos, Lili garantiu à CARAS que este ‘lifting’ ao pescoço foi a sua última cirurgia plástica.

Cláudia Alegria
2 de maio de 2012, 02:31

Fez a primeira intervenção estética aos 57 anos, um peeling que lhe devolveu um rosto liso, sem rugas. Dez anos depois, Lili Caneças voltou a pôr a sua imagem nas mãos dos cirurgiões da Corporación Dermoestética, desta vez para fazer um lifting ao pescoço e uma blefaroplastia, submetendo-se a uma nova anestesia geral com fins estéticos. Com 68 anos anos acabados de fazer, garante à CARAS que esta foi a sua última cirurgia plástica.

Durante aquela que foi a primeira produção fotográfica após a operação, Lili Caneças pôde finalmente ver-se ao espelho maquilhada e não escondeu o entusiasmo com os resultados da mesma que, frisa, só estarão  completos seis meses após a cirurgia.

– Passou os últimos dois meses em recuperação. Como é que se sente? Hoje foi a primeira vez que se maquilhou...

Lili Caneças – Sim, estava muito expectante para saber co­mo ia ficar, porque estou há dois meses de cara lavada. Fiz uma blefaroplastia, isto é, tirei rugas das pálpebras superiores, que agora estão muito mais pequenas mas,  para as rugas saírem, alguma coisa tinha que se cortar... E estava na expectativa de ver como ficavam os meus olhos maquilhados.

– Gostou do resultado?

– Gostei imenso. Estava com medo de não gostar, de me achar com uma cara diferente, de ter modificado a expressão, mas não, a minha expressão está exatamente na mesma, embora note que o olhar ficou ligeiramente diferente. Acho até que a maquilhagem ficou um bocadinho melhor agora que tenho menos rugas.

– É importante reconhecer-se quando se vê ao espelho?

Exatamente. Imagine o que seria só reconhecer a voz. Acho que é importante que a pessoa se sinta bem, que fique com a autoestima em cima, que não se sinta diminuída ou envelhecida. Ouço muitas vezes as pessoas falarem de quando eram novas... Quando era nova eu era uma pessoa e agora sou outra, mas não acho que esteja uma velha feia. Pelo contrário, acho que, para a minha idade, estou bem conservada e cuidada, acho que se pode ver ainda alguma beleza. Às vezes olho para pessoas da minha idade e não consigo sequer imaginar beleza nelas: vejo um corpo envelhe­cido, degradado, pouco cuidado, e não estamos a falar de estratos sociais, de pessoas com ou sem dinheiro, tem a ver com a essência, o interior  de ca­da pessoa. Eu lembro-me de que a minha mãe deixou de ir à praia a partir dos 50 anos porque achava que já não devia mostrar o corpo, que estava velho e feio.

– A Lili, pelo contrário, não deixou de ir à praia e expôs-se tanto ao sol...

Que acabei com a minha pele! Não usava proteção, muito pelo contrário, usava um óleo para ativar o bronzeado. Nessa altura estava na moda, ninguém sabia que o sol era prejudicial. Achávamos que o sol era a cura de todos os males, a fonte da nossa energia e beleza, porque foi assim que fomos educados. Chegava ao ridículo de, quando parava nos semáforos, baixar os vidros do carro para apanhar mais uns raios de sol. Eu vivia atrás do sol. No inverno ia para casa de amigos meus com casas estupendas nas ilhas Maurícias ou no Brasil para poder apanhar sol e estar bronzeada. Até que um dia, depois de ver as minhas rugas numa produção fotográfica que tinha feito para a CARAS, decidi fazer o peeling. Foi aí que começou esta parceria com a Corporación Dermoestética, de quem sou imagem para a Península Ibérica há 11 anos.

– Guarda as fotografias dessa altura, de quando tinha a pele muito danificada pelo sol?

Guardo sim. Detesto ver a minha cara e a minha pele... Foi aí que me começaram a chamar Gunilla von Bismark, que está tão mal quanto eu porque não deixou de apanhar sol. As pessoas têm de perceber que, se continuam a apanhar sol, não vale a pena fazem liftings, porque cada vez ficam mais feias e enrugadas, com umas caras mais estranhas.

– Esteve três horas com anestesia geral e oito horas nos cuidados intensivos. Quando tempo permaneceu no hospital?

Fiquei duas noites no hospital de Saint Louis, que não conhecia e fiquei a adorar: é pequeno, só tem 36 quartos, e sentimo-nos acarinhadas. Há sempre alguém a entrar no quarto para saber se precisamos de alguma coisa.

– O pós-operatório é muito doloroso?

Quando acordei da anestesia foi doloroso, mas passa depressa porque não nos deixam ter dores, dão-nos logo um analgésico.

– Não fazer mais intervenções estéticas foi uma resolução que tomou?

Sim, porque não quero ficar como a duquesa de Alba. Adoro a duquesa de Alba, aliás, mais do que ela, adoro o marido, que é lindo de morrer. Ainda tenho esperança de, se o Alfonso Diaz ficar viúvo, co­mo temos amigos em comum, poder ser a próxima duquesa de Alba! [risos] Mas, como dizia, quando olho para ela, que era uma mulher tão bonita... Não quero che­gar ao exagero de ficar deformada por excesso de plásticas ou devido a plásticas mal feitas. Chega um ponto em que as pessoas têm que parar. Já disse à minha filha Rita que se eu começar a dizer que preciso de mais alguma coisa tem ordem para me internar! Como sei que ela tem bom senso e gosta de mim, não quer com certeza ver-me fazer figuras ridículas.

– Falou certamente com os seus filhos antes de avançar para esta cirurgia. Eles concordaram?

Os meus filhos concordam sempre comigo. Eu sempre fui uma boa mãe, dei-lhes a melhor educação do mundo, temos uma relação muito boa, como deve, aliás, ser a relação entre mães e filhos. Vivi 17 anos para os meus filhos, dei-lhes carinho, afeto e tudo o que há de melhor no mundo, e é evidente que eles têm de gostar de mim, assim como eu gosto deles. Os meus filhos sabem que, para mim e para a minha autoestima, era muito importante fazer este lifting, porque detesto a velhice e as rugas. Na velhice tudo acontece, e o único encanto é a sabedoria que vamos adquirindo ao longo dos anos. Eu dou-me ao trabalho de decorar um verso todos os dias, vou ao ginásio duas vezes por semana, preocupo-me com a alimentação, bebo imenso sumo de laranja, como salmão, frutas  e legumes. Como a esperança de vida das mulheres hoje em dia é de 85 anos e como não há limite de idade para se trabalhar – eu entrei para a televisão aos 57 anos –, tenho que envelhecer a gostar de me ver, já que pretendo trabalhar até ao fim da minha vida. Durante estes dois meses em que estive a fazer rigorosamente nada, só comi, dormi e andei a pé, já estava a enlouquecer.

– Olhando para as fotografias que tirou aos 30 anos, reconhece a sua cara ou acha que está muito diferente?

Não, não estou muito diferente. A minha cara está igual, o mesmo nariz, os olhos, a boca, o formato do rosto. Os meus traços estão absolutamente iguais. O que acontece é que mudava tanto a cor do cabelo, os penteados e a maquilhagem, que há fotos em que não me reconheço. Se estiver sem maquilhagem, fico com uma cara muito semelhante.

– Calculo que um dos maiores receios de quem faz cirurgias plásticas seja ficar irreconhecível...

Deve ser um horror uma pessoa não se reconhecer. No meu caso, acho que o facto de ter tirado as rugas e feito o peeling me deu um ar jovem que não teria nunca se não fizesse esta intervenção. Mas também com o que fiz, não havia razão para ficar assim tão diferente. Agora que até vejo melhor, graças à microcirurgia ocular que fiz, vejo-me ao espelho e digo: estás fantástica!

– A Lili, mais do que ninguém, notará as diferenças. Já se habituou à sua nova imagem?

Agora já não noto nada, porque já passaram dois meses. Nos primeiros dias nem olhei para o espelho. Esperei que passassem todos os hematomas. Usei uma cinta elástica à volta da cabeça e do pescoço durante três semanas, e só depois passei a tirá-la gradualmente durante umas horas. Como tenho dito, já que a pessoa se sujeita a isto e perde dois meses da sua vida – e a única coisa que eu não tenho é tempo a perder, o tempo é o meu luxo – é para obedecer a tudo o que me dizem. Sou tão disciplinada que eu própria prolongo os prazos que os médicos aconselham, porque quero que as coisas resultem. Por exemplo, disseram-me para não tomar banho de imersão, que eu adoro, nem fazer banho turco ou sauna durante o primeiro mês e, até hoje, já passaram dois meses, continuo a tomar duche...

– Passou estes dois meses em casa?

Não, estive no Grande Real Villa Itália, em Cascais, num quarto lindo do 4.º andar, com uma vista deslumbrante, e onde fui tratada como uma princesa. Estive lá a recuperar, e daí surgiu o boato que eu estava a viver num hotel.

– E tenciona acabar os seus dias num hotel?

Não sei... Lembro-me de que, quando era jovem, gostava imenso da Coco Chanel, que era uma mulher fantástica. E a coisa mais inteligente que ela fez foi ter ido viver para o hotel Ritz da Place Vendôme. Não tinha com que se chatear: recebia ali os seus amigos como se fosse em sua casa. Vou refletir nesta possibilidade!

– E para quando o seu regresso ao trabalho?

Não quero arranjar um hobby para passar o tempo ou fazer vo­luntariado porque sou solidária. Gosto de trabalhar e de ser remunerada pelo meu trabalho, porque acho que o trabalho dignifica o ser humano.
Agradecemos a colaboração de: Cabeleireiros Isabel Queiroz do Vale, Haity, Loja das Meias, Marc Jacobs, MultiÓpticas, Pousada Cascais Cidadela Historic Hotel, Ricardo Preto e Xterior

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