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Elmano Sancho: “Não sou um eterno insatisfeito, gosto é da ideia de poder fazer várias coisas”

A CARAS quis conhecer melhor este ator, de 30 anos, que goza já de alguma projeção internacional.

Inês Neves
29 de abril de 2012, 11:00

Começou por tirar o curso de Economia, mas logo Elmano Sancho percebeu que era em cima de um palco que se sentia realizado. Assim, seguiu o seu desejo de representar: fez formação em Portugal, Espanha, França e Brasil ao longo de cinco anos e hoje vive entre Lisboa e Paris, onde está a conquistar o seu lugar como ator. Já pisou os palcos destes e de outros países (incluindo o Irão, o Japão ou a Turquia) e em 2008 foi selecionado para integrar a primeira Companhia Teatral Europeia. Entre 2009 e 2010 pertenceu ao elenco da prestigiada Comédie Française. Atualmente integra os Artistas Unidos e está em cena no D. Maria II com a peça A Morte de Danton.
– Como é que um licenciado em Economia se torna ator?
Elmano Sancho – Mesmo sem conhecer ou sequer ir muito ao teatro, já tinha esse desejo desde novo, mas achei que com 18 anos era muito cedo para arriscar. Decidi tirar o curso de Economia, mas depressa percebi que não era o mais adequado para mim. Quando acabei o curso, concorri ao conservatório em Lisboa e centrei-me na formação como ator. Dois anos depois fui para o conservatório de Madrid, depois passei um ano no Brasil, na Escola de Comunicações e Artes de São Paulo. Voltei para Portugal e fiz uma série para a RTP, Nome de Código: Sintra. Logo de seguida fui para o conservatório em Paris.
– Porquê a necessidade de tanta formação?

– Porque, mais do que a credibilidade, dá-me segurança. E eu precisava dessa segurança para me expor. Durante a formação, não estava necessariamente à procura de trabalho, mas foram surgindo convites e acabei por estar envolvido em alguns projetos em França, Itália, Espanha e cá.
– A família apoiou essa decisão ou encarou-a como um ato de rebeldia?
– Os meus pais sempre me apoiaram. A minha mãe achou estranha a mudança de rumo porque viu o que eu trabalhei para acabar o curso, que foi bastante exigente. E depois por causa da instabilidade que esta profissão traz. Ao contrário do que se possa pensar, não tirei o primeiro curso porque o meu pai me obrigou, mas porque quis. Sabia lá eu o que queria aos 17 anos... E sempre tive necessidade de poder fazer várias coisas, ainda hoje sou assim. Entretanto, acabei por fazer também um curso de tradução.
– É um eterno insatisfeito?

– Não me vejo como um eterno insatisfeito. Gosto da ideia de poder fazer várias coisas. Para mim, é difícil estar sempre a fazer o mesmo. Gosto muito de fazer teatro e claro que quero continuar a ser ator, mas se pudesse sair de um projeto e estar dois ou três meses a trabalhar como tradutor, seria ótimo. Isso acaba por funcionar como um escape, por me libertar e ajudar a estar mais disponível para o projeto seguinte. Conciliar as duas coisas seria a melhor solução. Tal como estar aqui uns meses, depois ir para Paris, Itália... Seria a fórmula perfeita.
– O mediatismo inerente à profissão também o estimulou, ou vê isso como uma desvantagem?
– Não posso dizer que seja uma desvantagem, porque não sei o que é ser mediático. Mas prefiro ser discreto e quero é ser reconhecido pelo meu trabalho, não quero alimentar mais do que isso. Quando escolhi o teatro, não foi mesmo por causa dessa dita fama, acho que os meus cinco anos de formação mostram isso. Agora, se a fama trouxer trabalho, ótimo. Eu quero é trabalho e bom.
– Ou seja, nem em pequeno desejou ser aquele ator que aparece na televisão...

– Não. Aparecer na televisão e ser conhecido nunca foi a minha motivação. Aliás, só fiz televisão uma vez. Ainda não procurei esse mercado, não quer dizer que não o faça ou que não goste, simplesmente não é esse o meu veículo, prefiro teatro e cinema. Agora, que a televisão acaba por nos dar muita visibilidade e por causa disso se consegue mais facilmente trabalho em cinema... sim.
– Entretanto, foi nomeado para o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) na categoria de melhor ator pela peça Não Se Brinca Com o Amor.
– Fiquei muito feliz e surpreendido por uma pessoa como eu, quase desconhecida do público, ser nomeada para um prémio como este. Porque muitas vezes, quando via as nomeações da SPA ou dos Globos de Ouro, por exemplo, percebia que, de certa forma, se tratava sempre de pessoas mais conhecidas, talvez por terem estado em produções com mais visibilidade. Talvez tenham reparado em mim por estar numa estrutura como os Artistas Unidos.
– Foi um sinal de reconhecimento...

– Não vi a nomeação como uma recompensa individual daquele trabalho, mas sim de todo o percurso que fiz até aqui. E pensei: valeu mesmo a pena. Tudo o que consegui e fiz até hoje é fruto do meu trabalho e empenho. Procurei muito a minha sorte, nada me caiu no colo. Fui à luta e fui persistente, porque é muito fácil desistir quando as coisas não estão a correr bem.

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