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Rita Ferro Rodrigues: “Não ficaria sossegada se tivesse só um filho”

A apresentadora da SIC está neste momento a dedicar-se a cem por cento aos filhos, Leonor e Eduardo.

Cristiana Rodrigues
22 de abril de 2012, 17:00

Terminou um período de trabalho muito intenso uma vez que Vizinho Mudei a Loja implicou muitas viagens e o Até à Verdade foi muito desgastante a nível emocional. Rita Ferro Rodrigues está agora a gozar um período de acalmia em que os filhos, Leonor, de nove anos, do seu relacionamento com o jornalista Daniel Cruzeiro, e Eduardo, de um, fruto do seu casamento com Rúben Vieira, são a sua maior prioridade. De­pois, como a “idade não perdoa”, como diz a apresentadora, de 35 anos, tem aproveitado para fazer alguns tratamentos para combater a celulite, andar de bicicleta, correr... Também tem posto a leitura em dia e paralelamente está a preparar algumas coisas para a SIC mas “com muita calma”.
– Este é um ano complicado...
Rita Ferro Ro­drigues –
Sim, em que é preciso ter a cabeça fria, porque não há dinheiro para cumprirmos todos os projetos que gostaríamos. Não podemos é confundir isso nunca com o sentirmo-nos de parte ou acharmos que não gostam de nós. Temos de ter alguma maturidade e segurança nas nossas capacidades para compreender a conjuntura em que estamos.
– Tem tido a capacidade de assegurar o futuro dos seus filhos?
Está a perguntar se poupo? Eu não tenho uma vida de luxo... Tudo o que tenho foi conquistado com trabalho. Os meus pais a única coisa que me ajudaram na vida foi quando me ofereceram a carta de condução e ainda bem, eu acho que as coisas têm de ser conquistadas. Tudo o que eles têm também foi fruto de muito trabalho. A minha mãe trabalhava desde os 15 anos, o meu pai perto disso. Tiraram cursos, foram sempre exemplo de trabalho e nunca de luxos, os nossos luxos eram podermos, de vez em quando, viajar todos juntos, irmos a uma livraria e o meu pai dizer que podíamos escolher os livros que queríamos ler naquele ano. E sempre fomos muito felizes.
– Os seus filhos também são educados assim?
Eles sabem viver com menos dinheiro se for preciso e isso é importante. A Leonor sabe que é um privilégio neste momento frequentar um colégio privado mas que se um dia a vida dos pais não permi­tir também terá de abdicar des­se privilégio...
– Mas há o mito de as pessoas pensarem que quem trabalha em televisão ganha muito dinheiro...
Há pessoas que ganham mui­to, mas é uma minoria, a maior parte das pessoas tem ordenados normais...
– Suponho que enquanto esteve envolvida em dois projetos televisivos ao mesmo tempo lhe sobrasse pouco tempo para a família...
Por isso neste momento ando a investir muito nos meus filhos, porque estive algum tempo sem poder ir buscá-los à escola, adormecê-los, acompanhá-los...
– Como é que os seus filhos encaram a sua ausência?
A Leonor compreende mui­to bem que a vida profissional é muito importante, que é isso que faz com que ela ande no colégio que frequenta, que possa ir de férias com os pais. Ela sabe que o trabalho é algo que valorizamos muito, tanto eu como o pai dela. Mas não vou dizer que não sofre com as minhas ausências. Sofre, claro. Ela tem muitas saudades e faz questão de o dizer, o que é muito saudável, mas também doloroso. Queixa-se, mas percebe, nunca me culpabiliza ou penaliza.
– Mas no fundo sente essa culpa?
Qualquer 'working mum' sen­te. Ser mulher nos dias de hoje é de facto um desafio enorme. Temos de equilibrar as nossas vidas profissionais, não falhar, não faltar para conseguirmos ser competitivas e valorizadas e ao mesmo tempo chegamos a casa e o trabalho continua. Parece que temos pouco tempo para aquilo que é o desfrutar da vida emocional dos nossos filhos.
– Portanto, está numa boa fase.
Não podia estar melhor! Tenho tempo para cuidar de mim, estou disponível para os meus filhos e para o meu marido. O Rúben também trabalha muito, tem horários muito complicados, por isso é um privilégio quando estamos os dois em casa.
– Não sei se pensa ter mais filhos, mas tem usufruído do Eduardo como se ele fosse o último bebé?
Não consigo pensar que nunca mais vou estar à espera de bebé porque adoro estar grávida, adorei os partos, tive experiências muito felizes [risos] Mas sim, cada vez que penso que o Eduardo pode ter sido o meu último filho penso como gostaria que ele não crescesse tão depressa...
– Tem desfrutado mais dele no sentido de ter maior descontração do que quando teve a Leonor, já que na altura tinha 25 anos?
É evidente que sim. Na altura, de repente vi a minha vida mudar bastante. Com o Eduardo já sabia o que é que me esperava e, curiosamente, custou-me muito menos não dormir aquelas primeiras noites.
– É daquelas mães que chega ao final do dia e está ‘em pulgas’  para abraçar os seus filhos?
Sem dúvida. Despeço-me deles de manhã e a meio da tarde, quando os reencontro, é como se não os visse há alguns dias. Aliás, quando estou no elevador já vou a tirar o casaco para quando entro em casa ir a correr para abraçá-los e enchê-los de beijos... Acho que é isto que define o tão extraordinário que é o amor dos pais pelos filhos. A paixão por um homem pode ou não terminar, a paixão pelos filhos é em crescendo. Aumenta de dia para dia. A Leonor e o Eduardo são as pessoas que mais vibram quando me veem.
– Li numa entrevista que aos 16 anos, altura em que começou a trabalhar em televi­são, se deixou deslumbrar. A sua filha, além de ter pais que trabalham em televisão, tem ainda o avô materno [Eduardo Ferro Rodrigues] na política e o avô paterno [o advogado Celso Cruzeiro] com alguma exposição pública. Acha que ela corre o risco de se deslumbrar também, de achar que pode conseguir tudo mais facilmente?
Acho, mas tanto eu como o pai temos feito um trabalho muito árduo e rigoroso para que isso não aconteça. Neste momento ela é até um bocadinho a antítese disso. A Leonor não costuma acompanhar-me a eventos públicos, mas se por acaso acontece, fica escondida... Ela até tem algum pânico por perceber que a mãe está exposta, pois já percebeu que isso lhe tira também parte da sua intimidade, liberdade, capacidade de crescer sem ser observada, portanto, ela própria se resguarda. Adorava que isso se mantivesse assim.
– Tem tempo para programas só de mulheres com a Leonor?
[risos] Tem graça porque quando o Eduardo nasceu a única coisa que ela me perguntou foi se iríamos continuar a fazer as coisas de meninas, porque ela achava que seria impossível. Mas sim, vamos ao cinema, ao cabeleireiro, pintar as unhas... Como também passamos um dia a conversar, a passear, a andar de bicicleta, só as duas.
– Perguntei-lhe isso porque um bebé absorve muito tempo e ela poderia sentir ciúmes...
É verdade, mas ela não tem ciúmes da minha relação com o Eduardo. Já eu, tenho um bocadinho de ciúmes da relação dela com o Eduardo [risos]. Ela chega a casa e ele não vê mais ninguém a não ser a irmã. E ela, se pudesse, andava sempre com o irmão atrás. Não o deixa chorar, não o contraria... Às vezes tenho de ser eu a dizer-lhe para ela ir fazer outra coisa de que também goste... Ele morre de saudades dela.
– Com o filho do Rúben há o mesmo forte laço afetivo?
Há. O Eduardo adora o Miguel, mas claro que é uma relação menos melosa. Com o Miguel ele prefere jogar à bola, brincar... e ele tem imensa paciência. Mas nem nós esperávamos outra coisa, pois tanto a Leonor como o Miguel, que são nossos padrinhos de casamento, pediram muito este bebé. O Eduardo não é só fruto de um sonho meu e do Rúben mas também deles.
– É um descanso saber que se dão bem, que são muito amigos uns dos outros?
Sou muito próxima dos meus irmãos e penso sempre que é um privilégio ter irmãos. Como mãe não conseguiria ficar sossegada se tivesse um único filho. Sei que muitas mulheres não podem ter por razões várias, mas pensar que um dia que eu não esteja cá eles estão uns para os outros é logo uma coisa que me consola.

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