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Isabel de Santiago garante: “A minha vida afetiva e emocional é a minha prioridade”

A comunicadora na área da saúde acaba de lançar o seu primeiro livro de poemas, uma paixão antiga que partilha com os três filhos, Francisca, Maria Constança e Joaquim.

Andreia Cardinali
22 de abril de 2012, 11:00

Isabel de Santiago, de 40 anos, é o verdadeiro exemplo da mulher dos sete ofícios – já passou pelo direito, pela política, pela saúde e pela comunicação – e que não vira as costas a um novo desafio. Apaixonada por São Tomé e Príncipe, ilha onde nasceu, a comunicadora na área da saúde acabou de lançar o seu primeiro livro de poemas, no passado dia 17, intitulado Jaca em Escamas. Foi sobre a paixão, já antiga, pela escrita, e a relação com os filhos, Maria Francisca, de 13 anos, Maria Constança, de 12, e Joaquim, de nove, e com o namorado, o consultor comercial Francisco Norton de Matos, que a CARAS conversou com Isabel.
– Como surgiu a sua paixão pela escrita?
Isabel de Santiago – Nasceu um pouco comigo, pois escrevo desde sempre. Fi-lo a nível profissional, mas neste caso em concreto, a poesia é realmente o que vem de dentro e me apaixona. Comecei a organizar os textos que escrevia em folhas soltas, em pedaços de papel de mesas de restaurante que guardei, pois foram se calhar os primeiros deslumbramentos que tive. Julgo que desde os meus 18 anos que o faço. Por essa razão, fiz uma compilação de poemas, que se chama Retrato de um Adolescente, e que foi prefaciada por um querido amigo, o Urbano Tavares Rodrigues, mas que nunca foi editada, pois julgo que são textos de uma adolescência bastante revoltada, pois eu gostava de ser mais velha do que era.
– Então os poemas do livro Jaca em Escamas são de que época da sua vida?
São muito recentes, talvez dos últimos cinco anos. A vida é feita de ciclos e, quando escrevemos, por mais que não queiramos retratar um pouco da nossa alma, acabamos por fazê-lo. Há sempre um ‘confundimento’ – palavra que só existe na linguagem científica –, inevitável. No que escrevo dou muita primazia à mulher, que acho um ser superior – também faço questão de dizer que há umas que são seres francamente medíocres –, e à natureza. Entenda-se por isso muito daquilo que somos na nossa essência...
– E por que decidiu publicar este livro de poemas e não o que já tinha pronto há vários anos?
– Este é um momento de maturidade na minha vida. Não queria mostrar aquela que fui, pois esta que sou agora é aquela em que me revejo verdadeiramente. Estes poemas nasceram numa fase em que me sinto profundamente feliz.
– Este livro trouxe-lhe ainda uma parceria com a pintora Susana Bravo...
Sim, um dia, no Porto, fui jantar com o Francisco e vi um quadro dela que me deixou fascinada e não descansei enquanto não a conheci. Ficámos amigas, trocámos muita correspondência, até que a dada altura ela ficou a conhecer alguns dos meus poemas, que me pediu, para a ajudar a inspirar-se, já que estava numa fase complicada. Fiz uma coletânea dos que mais me encantavam e uns meses depois ela enviou-me
o primeiro quadro feito com base no que eu escrevi. Delirei! A partir daí temos criado em conjunto. Por isso, o meu livro conta com fotografias dos quadros que a Susana pintou.
– E as receitas do livro rever­tem para a sua terra natal...
Só podia ser assim. Ainda estou a angariar fundos para o projeto que tenho lá, uma Academia Desportiva, juntamente com o IDF. Acredito que devemos fazer tudo o que temos ao nosso alcance para ajudar os outros. É o bispo D. Manuel dos Santos que vai gerir os fundos e que está à frente do projeto.
– E com tantos projetos profissionais, como é que consegue ter tempo para a família?
A minha vida afetiva e emocional é a minha prioridade. E em primeira linha estão os meus adorados filhos, que fazem parte de quem sou e de tudo onde estou. Para onde quer que vá eles fazem parte de mim. E exigem cada vez mais que assim seja.
– Como é a sua relação com os seus filhos?
É de muita excitação. Cá em casa vivemos de uma forma muito organizada e com horários a cumprir. Dentro do tempo que me resta, tento o mais possível estar junto deles e até acompanhá-los nos seus afazeres e hobbies, como montar a cavalo. Eles são todos muito diferentes, mas muito carinhosos comigo. A Francisca é muito racional e tem imenso jeito para artes... A Concha é muito parecida comigo, pois é refilona e provocadora por natureza, e diz que quer ser atriz. O Joaquim é atleta federado do CIF e temos uma relação de amor única, pois ele faz-me os maiores elogios desta vida.
– Com uma vida tão preenchida, a maternidade é o que mais a realiza?
– Há uma divisão forte, uma vez que optei por não ser só mãe, pois jamais o conseguiria. Para mim, a minha carreira é muito importante, até para o meu equilíbrio emocional. No dia em que deixar de funcionar in­telectualmente, podem dar-me por terminada, para mim não faz sentido viver. Se não me estimular intelectualmente, não vale a pena... Claro que, como já referi, os meus filhos são a minha prioridade, mas quererei sempre conciliar a vida maternal com a profissional.
– E onde sobra tempo para a parte amorosa, neste caso, para o Francisco?
O Francisco está sempre comigo. O Francisco é um amante, um amigo... Muito do que escrevo nasce de um pedaço de nós e dedico-lho a ele. Sempre que podemos estamos juntos.
– Ao sucesso da relação aju­da o facto de cada um ter o seu espaço?
Foi neste percurso de vida que nos cruzámos e há muitíssimo mais romantismo. Eu sou uma pessoa solitária, convivo bem com a minha solidão, mas é fantástico quando estamos juntos.
– E como é a relação do Fran­cisco com os seus filhos?
É fantástica, eles tratam-no por ‘Piu’. E os filhos do Francisco – Margarida, de 19 anos, Francis­ca Maria, de 13, e Salvador, de nove, – também se dão muito bem com os meus.
– Era fundamental que os seus filhos gostassem do Francisco para que a vossa relação resultasse?
– É evidente. Nenhuma relação tem futuro se não houver uma empatia familiar. E o inverso sei que também é importante. Acima de tudo, somos pessoas de bem, e tudo o que seja terceiros elementos não contam para coisa nenhuma e temos a capacidade de desvalorizar o que não tem valor.

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