Nas Bancas

Simone: “Conheço Portugal inteiro, do Minho ao Algarve”

A cantora brasileira conversou com Rita Ferro antes dos cinco espectáculos que irá dar em Portugal durante o mês de Abril.

Rita Ferro
8 de abril de 2012, 11:00

Chama-se Simone Bittencourt de Oliveira, mas todos a co­nhecem simplesmente por Simone. Nasceu em São Salvador da Bahia, em 1949, no dia de Natal. É a sétima filha entre nove irmãos. Já foi atleta: em rapariga, estudou educação física e foi colega de Pelé. Todos reconhecem a sua voz inconfundível a interpretar temas românticos, MPB ou sambas. A sua estreia oficial no Brasil coincidiu com o lançamento do seu primeiro disco e ocorreu a 20 de Março de 1973, em São Paulo, dia em que iniciou, no mesmo dia, um programa na TV Bandeirantes. Três anos depois, o grande sucesso da época, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, levou o nome da cantora aos quatro cantos do país com a canção O que Será. Seis anos depois, já conheceria a fama internacional com o tema da novela Malu Mulher, Começar de Novo. Depois disso não parou mais e tanto o seu sotaque baiano como o seu timbre metálico de mezzo-soprano, apimentado por uma sensual rouquidão, foram sempre evoluindo. Quando, em 1979, actua pela primeira vez no Canecão, a mais prestigiada sala de espectáculos do Rio de Janeiro, com mais de 120 mil pessoas, foi considerada a artista do ano, só superada por Roberto Carlos no seu espectáculo anual. Desde então, a sucessão de discos de ouro e de platina que mereceu atesta bem o carinho que o público lhe tem. Rita Ferro desafiou-a para uma entre­vista e Simone prestou-se a dá-la com a simpatia e a delicadeza que todos lhe reconhecem. Continua bonita. Muito bonita.
Rita Ferro – Querida Simone, Portugal está felicíssimo com a sua presença entre nós. Sente-se contente em Lisboa?
Simone – Muito. Me sinto em casa. Tenho muitos amigos portugueses. E há vinhos e petiscos portugueses de que não prescindo e que amigos daqui me mandam regularmente. É a minha forma de estar sempre junto de vocês.
– Quantas vezes já esteve aqui?
– Não sei, talvez umas dez vezes e sempre com enorme alegria. Conheço Portugal todo, inteiro, do Minho ao Algarve, e já visitei lugares deslumbrantes e que nunca mais esquecerei, como Monsaraz, Monsanto, Marvão, Óbidos e Évora. Vão ser dias óptimos, tenho a certeza.
– Quando e onde vai actuar? O público da CARAS precisa de saber...
– E vai saber, a agenda está cheia e os bilhetes estão-se a vender muito bem: dia 7 de Abril, no Casino de Tróia; dia 10 de Abril, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada; dia 12 de Abril, no Coliseu de Lisboa; dia 14 de Abril, no CAE, Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz; e, finalmente, no dia 15 de Abril, na Casa da Música, no Porto. Só têm mesmo é de escolher... [risos]
– Como são os portugueses?
– Enquanto público... se melhorar estraga! [risos] E enquanto pessoas... considero-as sweet & sour... Os portugueses têm uma ingenuidade genuína maravilhosa e são educados, gentis e também pacientes. Não invadem a privacidade. Não costumam ser expansivos, são reservados, mas, durante os shows, deixam a reserva de lado e tornam-se muito participativos, muito alegres e cantarolantes. A leitura que faço é a de que, ao mesmo tempo que têm essas reservas, nos shows sabem guardar respeito e, ao mesmo tempo, quando é para participar participam maciçamente. São muito especiais, me entendo muito bem com o público português. É um velho amor.
– Quer falar deste seu novo espectáculo?
– Bom, sem querer estragar a surpresa, apenas digo que ele lembra a gastronomia portuguesa, ou seja, será tão saboroso quantos os doces e vinhos portugueses!
– Que sente quando olha o seu percurso, desde a estreia até agora?
– Sinto um imenso orgulho e, quando lembro a minha estreia, ocorrem-me sempre as palavras que a minha mãe me dizia, tão deci­sivas para a força que foi necessária para chegar aonde cheguei: “Você nasceu com carácter, seja dig­na de si!”
– Cursou Edu­cação Física e foi colega de Pelé – que guarda desses tempos?
– A sensação que tenho é a de que éramos felizes e sabíamos.  Eu era feliz e sabia. Nessa altura eu tinha um fusca que baptizei de  “Filomena”. Foram os melhores anos: dos 19 aos 22! Daí as minhas grandes lembranças: tudo era uma maravilha, tudo era um espectáculo! Que delícia...
– Foi jogadora profissio­nal de basquetebol, ainda pratica algum desporto?
– Não, não pratico. Longe vão esses tempos! Mas faço ginástica regularmente e grandes caminhadas sempre que posso. Andar a pé faz-me bem à cabeça, descontraio, relaxo, penso na minha vida e nas minhas músicas, e vou observando a vida e os outros da melhor forma que conheço: em silêncio. Por outro lado, a ginástica ajuda-me a estar em forma, o que é essencial nos dias que correm. Sem preparação física talvez não aguentasse as constantes solicitações da minha agenda artística. Não sou uma histérica do exercício, mas tento nunca me esquecer dele...
– Ainda é tímida ou já venceu essa barreira?
– Sim, ainda sou. Muito tímida. E a verdade é que nunca venci essa barreira. Sempre que entro em palco sinto as mesmas borboletas na barriga que sentia nos verdes anos.  Uma pessoa exigente consigo mesma tem necessariamente de duvidar do seu desempenho, até porque cantar não é uma ciência exacta. Há muitas variáveis que condicionam a voz e a presença em palco. Não somos robôs. Por vezes trabalhamos debaixo de pressões que o público nem imagina. Ou de problemas, de decepções e até de lutos. E há coisas nos bastidores que não correm bem e que influenciam necessariamente o sistema nervoso...
– Vou pedir-lhe nomes, só nomes para não abusar do seu tempo: cantores brasileiros preferidos?
Milton Nascimento e Elis Regina.
– E portugueses?
– Digo só um que vale por muitos: Amália Rodrigues.
– E estrangeiros?
– Nat King Cole e Shirley Horn.
– Morreria se não cantasse?
– [risos] Penso que não poderia responder a essa pergunta. Só experimentando e nunca me aconteceu...
– E o feminismo? Correu como previa?
– O que interessa é que, pouco a pouco, vá progredin­do.  Embora, em termos mundiais, progrida lentamente e continue a fazer vítimas. Mas é preciso não baixar os braços. É necessário somar forças e esforços e nunca desarmar. Há muito trabalho a fazer, continuam a morrer mulheres em nome do amor, da honra e da religião. Mas, por outro lado, quem diria que chegaríamos aqui e que conquistaríamos o que já conquistámos? Nesse sentido, correu melhor do que o previsto.
– Considera-se uma cantora romântica?
– Sim, absolutamente. Antes de ser cantora sou pessoa, e, como tal, sou muito, muito romântica. Penso que as minhas letras falam por mim...
– Como vê o Brasil de hoje? Está apreensiva ou optimista?

– Considero o Brasil o melhor e mais belo país do Mundo! E claro que estou optimista, tem tudo para dar certo. O povo está motivado, produz-se muito e com alegria. Agora é acreditar e trabalhar.
– Veste-se sempre de branco, algum simbolismo em particular?

– Só me visto de branco no palco, cá fora prefiro cores alegres.  Mas branco é a cor que mais se harmoniza comigo e também a que mais me favorece.
– No fim dos espectáculos, costumava distribuir rosas brancas pelo público, ainda o faz?
– Claro, sempre! Desde que a produção não seja forreta [risos]. No mínimo distribuo três dúzias de rosas. Brancas e sem espinhos.
– E Deus, Simone? Continua seu amigo?

– É o meu melhor amigo.
Nota: por vontade da autora, este texto não segue as regras do novo acordo ortográfico

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras