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Isabel Megre de Sousa Coutinho, uma mulher que dedica a vida a ajudar crianças em risco

Há nove anos que começou a ajudar a Associação Novo Futuro, da qual hoje é presidente.

Inês Neves
1 de abril de 2012, 16:00

A ligação de Isabel Megre de Sousa Coutinho à Associa­çãoNovo Futuro começou há nove anos, quando se tornou madrinha das crianças dacasa do Estoril. Mas a sua vontade e empenho em querer ajudar mais e mais fezcom que se entregasse de corpo e alma, e a tempo inteiro, a esta causa. Hoje éa presidente da instituição e luta todos os dias para conseguir fundos econdições para abrir novos lares que recebam crianças que, por vários motivos,não têm quem tome conta delas.
– Como se envolveu com esta associação?
Isabel M. de Sousa Coutinho – Toda a vida trabalhei, mas a dada altura deixeide ter emprego, reformei-me. Como sempre fui muito ativa, não me conformei emficar em casa sem nada para fazer. Então, uma amiga, a Maria João Salgado,que já fazia parte da associação, perguntou-me se não queria ser voluntária.Aceitei logo, e comecei por ser madrinha da casa do Estoril. A madrinha é maisuma figura de afeto, que dá colo aos meninos, que vai à casa uma ou duas vezespor semana para saber se está tudo bem, para estar com eles, ouvi-los, transmi­tir-lhesvalores.
– Mas não lhe bastou ser apenas madrinha...

– Não. Senti necessidade de me entregar mais a esta causa. É difícil não ofazermos. Vamos conhecendo as crianças e achamos que podemos fazer sempre maispara as tirar da vida complicada que sempre tiveram. E vamo-nos
embrenhando cada vez mais e mais... É mesmo por amor às crianças que fazemosisto, porque há muitos contratempos e problemas. Mas basta pensar nelas paraganhar forças e andar para a frente e fazer face a todos os obstáculos, que sãomesmo muitos.
– É preciso ter sangue-frio para lidar com a dura realidade destas crianças,não é?

– Às vezes é muito complica­do, porque nos envolvemos afetivamente com elase é difícil desligarmos e não sentirmos os seus problemas. Contudo, tinha umcontacto mais próximo com as crianças quando era madrinha. Na altura, dava-lhesexplicações de Matemática, ajudava-as a estudar e elas falavam comigo,contavam-me os seus problemas. Ainda hoje mantenho contacto com muitas dessascrianças e as que ainda estão na casa telefonam-me e convidam-me para as festasde aniversário, Natal... As que já saíram, de vez em quando ligam-me a contaras suas coisas, pedem-me conselhos. E isso é muito bom. Para elas, fazemossempre parte da sua família, somos a sua família.
– Nunca sentiu vontade de acolher uma em sua casa?
– Não devemos envolver-nos a esse ponto. É muito difícil estabelecermosesse equilíbrio, entre o que se deve e não deve fazer. E muitas vezes temostendência para lhes dar muitas coisas para as compensar, o que também não sedeve. Mas há as chamadas famílias amigas, essas sim, que as levam aos fins desemana e nas férias.
– Mas deve ser complicado não levar os problemas destas crianças para casa?

– Isso é! Estamos constantemente a pensar nas crianças, em como resolver osproblemas delas, que são sempre muito delicados e complicados. Muitas vezes,quando surgem problemas, acabo por ir triste para casa. Porque é em casa quenos cai a armadura que temos de ter quando estamos na associação. Mas uma coisamuito importante é que sentimos que, de uma maneira geral, elas são felizes naassociação. Lá aprendem e são formadas de uma maneira que as prepara melhorpara a vida.
– A sua família também se envolve no trabalho da associação?

– Tenho três filhos e dez netos. Os netos ainda são muito pequeninos, porisso acho que ainda não têm bem consciência do que é o trabalho da avó naassociação, mas os meus filhos são sócios, envol­vem-se e, por vezes, ajudam-mea angariar produtos.
– Olhando para os seus filhos, que ti­veram uma boa infância, e olhando depoispara estas crianças, há um choque muito grande...

– Há, sobretudo nesta sociedade em que vivemos – ou em que vivíamos –, emque toda a gente tinha aceso a tudo. Há uma grande diferença, embora ascrianças da associação por vezes tenham coisas materiais que nem precisam deter, sobretudo porque não compensam o que lhe faltou sempre: afeto e carinho.
– E conseguiu que os seus filhos soubessem dar valor à educação e ao amor quelhes deu?

– Acho que sim, que eles sabem dar o valor. Eu não conto muito em casa oque se passa aqui na associação, mas eles vão-se apercebendo, até porque me vêmàs vezes mais preocupada. E sim, eles têm de dar valor àquilo que tiveram. Edão.
– É difícil convencer as pessoas a ajudar?

– Nem por isso. Em relação às empresas, temos é de estar sempre a pedir,porque aquilo que a Segurança Social nos dá não chega, cobre cerca de 40 porcento dos custos, e não é de todas as casas. Mas sim, as pessoas são muitosolidárias, o exemplo disso foi o concerto que organizámos no passado dia 10 noCampo Pequeno, que teve ajuda de muita gente, desde a empresa Música noCoração, que montou o espetáculo para nós, ao Campo Pequeno, que cedeu a sala,aos artistas, que participaram voluntariamente, à imprensa, que divulgou... Esó assim, com a ajuda de todos, é que conseguimos.
– E os seus amigos, é difícil convencê-los a ajudar?

– As minhas amigas às vezes perguntam-me por que é que eu, que trabalheitanto durante toda a vida, não estou agora em casa ou a passear. Mas eu nãotenho feitio para isso. Se posso ajudar os outros, por que não fazê-lo? E detanto nos ouvirem falar, a pouco e pouco algumas pessoas amigas também se vãoenvolvendo.

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