Nas Bancas

Maria de Vasconcelos: "Defendo incondicionalmente o tempo que dedico à família"

Maria de Vasconcelos, que se tornou conhecida como parceira de Nuno Markl no programa “O Homem que Mordeu o Cão”, criou o CD "As Canções de Maria" com a ajuda das filhas, Mathilde, de sete anos, e Manon, de cinco.

Andreia Cardinali
31 de março de 2012, 18:00

Para tornar o estudo mais apetecível e divertido, quando andava no sétimo ano de escolaridade Maria de Vasconcelos criou uma canção que a ajudou a memorizar os verbos transitivos. Desde então, e até ao dia em que acabou os estudos, a psiquiatra usou essa ‘artimanha’ para lhe facilitar a aprendizagem. Hoje, com 41 anos e mãe de duas raparigas, Mathilde, de sete anos, e Manou, de cinco (nascidas do seu casamento com o francês Xavier Colette, de 40 anos), a ex-radia­lista partilha o seu ‘truque’ com as filhas, que sempre que têm alguma dificuldade escolar lhe pedem para fazer uma canção. E assim nasceu o CD As Canções de Maria (acompanhado por um livro ilustrado por Nuno Markl), gravado por Maria em parceria com as filhas e destinado a crianças dos quatro aos oito anos.
– Como é que as canções que fez para ajudar as suas filhas acabaram num disco?
Maria de Vasconcelos –
Tudo começou quando a Mathilde tinha quatro anos e me perguntou quais eram os planetas. Nessa altura ela andava doida com a canção Biquíni às Bolinhas Amarelas e eu aproveitei, peguei nos planetas, fiz uma letra e encaixei-a naquela melodia. No ano seguinte, a educadora dela pediu-me para ir à sala cantar. Eles estavam a falar do corpo humano e eu peguei nesse tema e fiz duas canções, uma sobre o aparelho cir­culatório e outra sobre o urinário. Foi um grande sucesso entre os miúdos e os pais começaram a fa­lar-me em editar. No ano a seguir, a Mathilde entrou para o primeiro ano e ia começar a aprender a ler. A primeira coisa que eles aprendem a seguir às vogais são os ditongos e eu fiz uma canção sobre isso, que é o primeiro single de As Canções da Maria. Ela cantou-a na escola, conquistou o corpo docente e toda a gente me disse que se justifi­cava expandir a ideia. E assim fiz. Depois, para poder completar o álbum e ter mais músicas, pedi à diretora os manuais escolares e perguntei quais eram as maiores dificuldades que as crianças tinham, para perceber o que podia fazer mais. Peguei naquela informação toda e, em duas semanas, fiz 32 canções, das quais escolhi 15. A ideia é continuar com este projeto, pois não esgotei tudo. E à medida que os anos forem avançando irei percebendo outras necessidades das crianças.
– Essa facilidade em escrever para crianças tem que ver com o facto de ter duas filhas?
Faço canções desde sempre, mas é claro que escrever para crianças é diferente, as coisas têm de ser adaptadas àquela idade. Se eu não fosse mãe, nem tivesse filhas destas idades, provavelmente não chegaria assim às crianças, por isso, sim, acho que tem muito que ver com a maternidade.
– Portanto, elas são as suas ‘cobaias’...
[risos] Sim, elas ajudam-me imenso. Peço-lhes opiniões e valorizo-as imenso. Muitas das coisas que estão nas canções foram elas que me explicaram ou sugeriram. Tem sido muito engraçado.
– Este projeto trouxe uma maior proximidade entre vocês?– Foi muito giro tê-las comigo neste projeto, mas não trouxe mais proximidade, pois ela já existia em pleno. Somos uma família muito unida. Tenho o privilégio de passar muito tempo com as minhas filhas, pois organizei a minha vida de forma a estar com elas a partir da hora em que saem da escola. Eu e o meu marido temos muito tempo de qualidade com elas. Fazemos muitas coisas com elas e esta foi só mais uma. Defendo incondicionalmente o tempo que dedico à família. Tenho as minhas horas de mãe e não abdico delas.
– Uma vez que a maternidade a preenche tanto, pensa repetir?
Adorava ter quatro, cinco ou seis filhos, mas teríamos de mudar a nossa vida em muitos sentidos, tornar-se-ia tudo mais complicado.
– E sobra-lhe tempo para pro­gramas a dois com o seu marido, ou tudo é feito com elas?
Temos imenso tempo a dois. Não somos apenas pais. Deitamos as nossas filhas cedo, o mais tardar às 20h00, e temos o resto da noite para estarmos os dois. Organi­zámos a nossa vida profissional de forma a podermos ir buscá-las à escola, estarmos com elas e termos também tempo para nós. E se precisamos de sair, deixamo-las com uma baby-sitter.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras