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Reynaldo Gianecchini depois do cancro: "Estou disposto a encarar qualquer desafio"

Após oito meses a submeter-se a tratamentos de quimioterapia, o ator goza agora de um período de descanso antes de regressar ao trabalho. Em junho, Gianecchini vai iniciar as gravações da novela ‘Guerra dos Sexos’.

Redação CARAS
27 de março de 2012, 12:44

Há oito meses, Reynaldo Gianecchini, de 39 anos, deparou-se com uma difícil e dolorosa batalha. Com espírito de guerreiro, o ator lutou contra um tipo raro de cancro – o linfoma não-Hodgkin de células T angioimunoblástico – e com otimismo enfrentou sessões de quimioterapia e superou um autotransplante de medula óssea. O resultado da perseverança foi a conquista da cura e o recomeço de um novo capítulo da sua história. “É como se estivesse a organizar uma grande festa para celebrar a vida, o carinho e o amor. Recuperei o ânimo e estou disposto a encarar os desafios que tenho pela frente”, diz Gianecchini, que transformou o tratamento numa lição de vida. “Quando soube da doença, fui determinado a viver tudo que eu tinha que viver. Sou assim: vivo com intensidade. Foi um período de reflexão, de autoconhecimento e de entendimento do sentido da vida”, confessou nesta entrevista que decorreu no Kurotel – Centro Médico de Longevidade e Spa, em Gramado. “Depois de tantos químicos, é hora de desintoxicar e recompor o corpo do stresse por que passou.” Na companhia da mãe, Heloisa Helena, de 70 anos, o ator aproveitou os momentos de descontração para se exercitar. “Sempre adorei fazer exercício e já posso fazer de tudo, desde que respeite o ritmo do corpo. Quero dar mergulhos no mar e apanhar sol. Não o podia fazer por causa do cateter. Como já o retirei, vou concretizar estes desejos em breve.”
A nova fase vem acrescida de transformações na forma de encarar a vida: “Não tinha noção do carinho que as pessoas têm por mim. Hoje, vejo o ser humano com outro olhar e sei que o importante é viver o presente, com amor e harmonia.” Nesta entrevista também houve espaço para o ator falar da sua vida sentimental e diz que não tem pressa para viver uma paixão. “Não penso nisso. Acho que as coisas acontecem, independentemente de querermos ou não. Podemos virar a esquina e encontrar a pessoa que vai mudar a nossa vida. Gosto de ser surpreendido. Mas estar sozinho  também tem um lado bom”, confessa o ator em exclusivo para a CARAS.
– Ao longo do tratamento, de que é que teve mais saudades?
Gianecchini –
Não fiquei com pena por não poder fazer certas coisas. Por outro lado, sempre fui participativo no tratamento e procurei outras atividades, como a leitura e a reflexão. Foi bom viver esse período fora da vida acelerada, tive muitas alegrias e fui muito amado.
– Hoje, quais são as restrições?
Preciso evitar riscos, como ficar em ambientes fechados por muito tempo, o que pode transmitir gripe, por exemplo. Tenho muita atenção com a minha alimentação e já voltei a fazer algum exercício físico. É como se eu fosse um bebé que precisa de cuidados, pois não tenho muitos anticorpos. Estou curado, mas ainda preciso de acompanhamento médico nos próximos cinco anos.
– Os amigos foram essenciais?
Sim. Reencontrei amigos que a vida distanciou, e percebi como essas amizades eram profundas. Alguns amigos de infância reapareceram e até houve pessoas que não conhecia e que me ajudaram.
– A sua mãe foi uma figura muito presente. Os laços fortaleceram?
Foi incrível! Sempre tive uma relação de valor e de proximidade com meus pais. Não sei o que seria da minha vida nesse período sem a minha mãe ao meu lado. Ela é uma guerreira.
– Cultivou sonhos e planos nesse período de afastamento?– Tive vontade de ter aulas de canto e dança. Já o fiz no passado e isso traz-me alegria. Também quero ficar mais perto da natureza, viajar. Curtir a vida.
– Há pessoas que, ao se submeterem à quimioterapia, decidem, por prevenção, proceder ao armazenamento de esperma. Fez isso?
Conversei sobre isso com o médico e quem passa por este tratamento realmente pode ficar estéril, mas não achei necessário fazê-lo. Quero ter filhos, sei que a hora vai chegar e confesso que, depois da morte do meu pai e da doença, a continuidade da vida é algo em que penso com mais intensidade.
– O conceito de felicidade também se alterou?
Essa palavra ganhou um novo significado. Para mim, a felicidade agora é viver intensamente o dia-a-dia, sem criar expectativas. As pessoas agarram-se ao passado ou ao futuro e esquecem-se do presente, da simplicidade que traz a felicidade.

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