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Anabela Teixeira: "Acho que sou realmente amada"

A atriz, de 38 anos, vive uma relação muito feliz com o companheiro de há dez anos, o músico Frederico Pereira, com quem planeia ter um filho em breve.

Cláudia Alegria
3 de março de 2012, 10:00

No ano em que celebra 20 anos de carreira – estreou-se na minissérie A Viúva do EnforcadoAnabela Teixeira terá mais uma série de projetos para acrescentar ao seu vasto e rico currículo. Além de continuar a dar vida a Sofia Fragoso em Rosa Fogo, uma personagem dramática que luta contra um cancro, a atriz, de 38 anos, irá estrear um programa de televisão dedicado ao cinema e será ainda responsável pela primeira gala de entrega dos prémios Sophia  – uma evocação de Sophia de Mello Breyner Andresen, musa de todas as artes –, organizada pela recém-criada Academia Portuguesa de Cinema, da qual é vice-presidente. Projetos grandiosos para os quais Anabela conta com o incentivo e apoio incondicional do companheiro, o músico Frederico Pereira, a quem fez os maiores elogios durante esta conversa que teve com a CARAS num dos bares de Lisboa mais em voga por estes dias, a Pensão do Amor.
– O seu papel na novela aborda um tema muito intenso e dramático...
Anabela Teixeira –
Nunca tinha feito uma personagem com uma doença tão grave como o cancro. Eu não tinha noção, mas atualmente afeta uma em cada quatro pessoas. Nesse sentido, está a ser muito intenso emocionalmente para mim, porque me fez passar a ver a vida de forma diferente. É tão rápida que temos mesmo de a aproveitar.
– Baseou-se apenas em trabalho de investigação ou conheceu algum familiar ou amigo que tenha vivido esta angústia?
Infelizmente, acompanhei durante um ano os últimos tempos da vida de um familiar do meu marido, uma pessoa extraordinária, cheia de força e de esperança, que lutou imenso mas, infelizmente, não resistiu. Foi a única experiência que tive de perto. Depois, desde que a novela começou, houve uma série de partilhas de colegas atores, técnicos, amigos, pessoas na rua, que me começaram a contar as suas histórias e isso tem sido uma surpresa.
– É fácil distanciar-se dessas histórias, de se desligar, de não se envolver nos dramas?
Pois... Eu sou atriz, tenho que interpretar esta personagem e viver toda esta história da forma mais verdadeira possível para ser credível, mas faço todo um trabalho de casa que é muito intenso, desde o relaxamento à preparação de substituições de dor. Eu nunca tive cancro, mas já sofri, todos nós, seres humanos, sofremos em determinada altura da vida, portanto, no fundo tenho de ir buscar essas relações de circunstâncias. Quando chego a casa tento relaxar ao máximo, faço ioga, acupunctura, massagens, vou correr, faço ginásio, danças orientais, coisas que me divirtam, me deem prazer e me façam esquecer um bocado a dor e o sofrimento. Nestas alturas mimo-me muito, mais do que é normal, para haver um equilíbrio: um passeio especial com o meu amor, estar com os amigos, passear, ir mais vezes ao cinema, relaxar mais.
– Fazer ioga, acupunctura e dançar é uma busca pelo equilíbrio do corpo ou da mente?
Das duas. Quando vou fazer uma corrida, estou a trabalhar o corpo e a mente ao mesmo tempo, produzem-se hormonas espetaculares que nos trazem uma certa felicidade. O ioga também trabalha o corpo mas tem sobretudo a ver com o relaxamento. Tudo isto é tratar o corpo como um todo, cuja importância  aprendi desde que fiz uma viagem de sete meses e meio ao Oriente. Eu tinha 24 anos e acho que a minha vida mudou a partir daí.
– Sete meses e meio programados ou que se foram prolongando?
– Sete meses e meio enlouquecidos! [risos] Quando acabei o Conservatório, resolvi dar a volta ao mundo. Fui com um grupo de amigos ao Nepal, Índia, Hong Kong, China, Macau e Tailândia. Foi uma aventura programada e maravilhosa. Adoro viajar.
– Há atores que sentem o vazio das para­gens de gravações. Isso acontece consigo?
Tento ser pró-ativa e ter sempre projetos, mas o trabalho dos atores é, de facto, intermitente. Por isso, tento ter os meus projetos com amigos, pessoas de quem gosto e com quem partilho o mesmo tipo de entusiasmo, e fazer com que esses projetos avancem, criando grupos de trabalho. É o caso da Academia Portuguesa de Cinema, que resultou de um grupo de trabalho que se juntou.
– E que objetivos tem a Academia?
No fundo, somos o porta-voz do cinema que se faz em Portugal, mantendo uma relação com o público português. As pessoas dizem que o cinema português é uma ‘seca’, mas nem sequer o veem. Eu, como faço parte da comissão de notáveis dos Globos de Ouro há seis anos, tenho a sorte de ver todos os filmes portugueses, e adoro fazê-lo, poder ter um critério e falar dos filmes. E há realmente muito bons filmes portugueses. A Academia vai promover e premiar anualmente os filmes e os profissionais de cinema. Para mim, tem sido um trabalho muito intenso, que me ocupa imenso tempo, mas que me dá imenso prazer.
– Sente-se confortável a criticar os colegas?
– Não vejo isto como crítica, mas sim como uma análise do trabalho, o que pode ser uma coisa bastante positiva. Adoro que analisem o meu trabalho e que me ajudem a ser melhor atriz. O facto de serem atores a nomear e votar o trabalho dos colegas torna tudo mais credível. No fundo, são os próprios que sabem da sua arte que vão estar a analisar a arte dos colegas, e eu acho que isso vai tornar as pessoas ainda mais generosas no seu trabalho. Figurinistas, maquilhadores, anotadores, técnicos de som, eletricistas, pessoas que vão ter um espaço para ser premiadas.
– Mudando de assunto: o amor parece estar sempre muito presente na sua vida...
Acho que tenho muita sorte, acho que sou realmente muito amada e amo muito, e acho que o amor é a base de tudo. Quando as pessoas estão a morrer, as últimas coisas em que pensam no final da vida é em estar mais tempo com os amigos, com a família, com os filhos, em amar mais. Acho que essa é mesmo a coisa mais importante da nossa vida.
– O que é que a deixa realmente feliz?
Além do trabalho, saber que as pessoas que amo estão bem, que são algumas, deixa-me muito feliz saber que os projetos que imagino e com que sonho se concretizam, quando sinto que estou a criar arte. Dá-me imenso prazer essa sensação da criação, acho que é algo de transcendente criar, chegar ao público, tocar as pessoas, emocioná-las, dá-me muita felicidade sentir que aquilo que faço pode ajudar a preencher a vida de alguém, a tornar as pessoas menos sós, a animar as crianças, os idosos.
– A solidão assusta-a?
Gosto muito dos meus momentos sozinha e preciso do contacto com a natureza. Fui criada entre a cidade e a natureza, tenho esta ambivalência, e o meu contacto com a natureza sempre foi muito solitário.
– Mesmo tendo crescido com dois irmãos?
Sim, mesmo tendo irmãos por perto – um biológico, outro adotado – embora rapazes... Mas somos todos muito unidos, damo-nos todos muito bem, gostamos de cuidar uns dos outros.
– Em 2009 disse à CARAS que sentia falta de ter um filho. Sente o apelo da maternidade?
Há dez anos que eu e o Fred vivemos juntos, portanto, há dez anos que nos perguntam quando é que temos filhos...
– Isso incomoda-a?
Não, é normal. As pessoas, quando veem um casal que se dá bem, é normal perguntarem pelos filhos. Mas os meus amigos e a minha família já desistiram de perguntar...
– E um dia destes vai surpreendê-los?
Um dia destes claro que os vou surpreender. Nós gostávamos muito de um dia ser pais, é um dos nossos objetivos. O meu nutricionista diz que a minha idade biológica não é 38 anos mas sim 32. Eu acredito nele, até porque faço a alimentação que ele me indica, não só para ser magra e gira, modéstia à parte, mas também para ser saudável. Ora, se tenho 32 anos, ainda tenho muito tempo! [risos] Mas sim, pode acontecer ainda este ano...
– O trabalho tem sido prioritário...
É verdade que gosto imenso da minha profissão, mas acho que o meu filho vai ser muito feliz se a mãe for uma atriz felicíssima por fazer trabalhos maravilhosos. A realidade é que, se eu e o Fred tivéssemos tido um filho aos 27 anos, não seríamos tão equilibrados e realizados como somos neste momento na nossa profissão.
– Ao fim de dez anos, ele continua a elogiá-la?
Elogia-me todos os dias! [risos]. Ele é tão bonito, ainda hoje me elogiou, e eu a ele! Por acaso acho que tenho mesmo muita sorte neste amor. Somos muito românticos, cuidamos muito um do outro. Acho que, além de ser meu companheiro e de ser tudo aquilo que um marido deve ser, é também uma pessoa que me ajuda e apoia muito na minha profissão, dá-me opiniões, incentiva-me. É o meu público em casa, além da minha mãe e dos meus irmãos, que também me apoiam imenso.

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