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Inês Coelho: Uma cidadã do mundo (muito) bem relacionada

A jornalista explica como nasceu a sua empresa, Connect, a primeira rede social privada do género.

Inês Neves
12 de fevereiro de 2012, 15:00

Inês Coelho tem 30 anos, é portuguesa, mas vive entre Londres, Nova Iorque, Lis­boa, Rio de Janeiro e São Paulo e conhece as mais variadas celebridades nas mais diversas áreas. Os amigos chamavam-lhe Inês Connect e começaram a pedir-lhe dicas sobre as cidades onde viveu e contactos relacionados com as pessoas que conheceu. Daí surgiu a ideia de criar a sua própria empresa virtual: o site Connect (www.connect-ic.com), uma rede social privada onde se compram e trocam favores na área do lifestyle. A par disso, Inês criou também um blogue (connect-ic.blogspot.com) onde diariamente escreve sobre pessoas, lugares, tendências.
– É aquilo a que se chama uma cidadã do mundo...
Inês Coelho –
Pode dizer-se que sim. A minha mãe é brasileira e o meu pai, português. Eu sou portuguesa, vivi no Brasil até aos 12 anos e depois voltei para cá. Aos 18 fui estudar para Londres. Agora vivo entre Nova Iorque, Londres e São Paulo, mas menos. Gosto muito de Portugal e venho cá frequen­temente, sinto mesmo essa necessidade, preciso de vir comer peixe, de vir ao cabeleireiro... sou muito fiel às minhas coisas e aos meus amigos. Sou uma nómada, mas não vivo sem as pessoas. E como consigo gerir a Connect de qualquer parte do mundo...
– Afinal, o que é a Connect?
É um clube, uma rede social privada onde só entra quem é convidado. Não se paga anuidade nem mensalidade porque não é uma questão de as pessoas terem ou não dinheiro, mas sim de serem bem conectadas dentro do seu meio de lifestyle – cinema, arte, música, entretenimento, moda e por aí fora –, onde há a tendência para as pessoas pedirem favores. Bilhetes para a primeira fila do Fashion Week de São Paulo, para concertos, entradas em festas privadas... É uma empresa onde a pessoa se possa sentir à vontade para pedir um favor, mas em troca dê outra coisa. Ou seja, todo o conhecimento, informação, favor, tem um peso, um valor, que é determinado pelas próprias pessoas que pedem e fornecem os favores. Por exemplo, inicialmente, compram 1000 pontos, que são 100 euros, e depois acumulam-nos ou trocam através da sua interatividade.
– E quem está nesse clube? Celebridades?
Algumas estão. Mas não posso dizer nomes, não tenho autorização. Há celebridades, pessoas do mundo financeiro, diretores de revistas conhecidas e internacionais...
– Onde trabalhou para ter acesso a essas pessoas? Conhece muitas celebridades?
Antes de criar a Connect era diretora de marketing do Brompton Club, que é um clube privado em Londres. E um dos sócios é o Guy Ritchie, ex-marido da Madonna, que é meu amigo. E sim, conhe­ço o George Clooney, a Madonna, fiz uma festa de Halloween com a Paris Hilton, estive com o príncipe William... Mas pessoas são pessoas. Não gosto de pessoas mal-educadas nem burras. De resto, gosto de pessoas.
– Leva uma vida invejada por muitos, sempre em  viagens, festas...
Sim, vivo num mundo muito glamoroso e quem lê o meu blogue deve achar que tenho a vida mais maravilhosa do mundo. E tenho, de facto, uma vida ótima. Mas sempre trabalhei muito e acreditei que temos de fazer o que gostamos. Quando estava em Londres, tirei o curso de leiloeira. Depois, fui trabalhar para uma revista de arte durante o dia e à noite trabalhava num restaurante indiano. E ao domingo ainda fazia de ama. Mas quando comecei nessa revista, o meu objetivo era chegar à Vogue, o que acabou por acontecer mais tarde. Ouvi muitos ‘nãos’ e criei uma certa fortaleza que me ensinou a viver em diversas circunstâncias... Sou muito o reflexo disso e os meus amigos também. Desbravar caminho e fazer as coisas à minha maneira... tenho isso em mim.
– Agora está a tirar partido de toda essa luta...
Sim. Consegui tudo por mérito meu. Quando se olha de fora, pensa-se que tenho uma vida espectacular e que sempre fiz o que quis, mas isso tem um preço. Agora tenho a vida que quero: viajo, ando de avião particular, fico em lugares maravilhosos, conheço pessoas fantásticas... Mas lutei por isso.
– E qual é o preço? Não ter estabilidade para manter uma relação, por exemplo?
Sim, é muito difícil, e não, não estou disposta a pagar esse pre­ço, porque sou muito emocional. Mas agora, como consigo gerir a Connect de qualquer parte, tal­vez este ano fique mesmo a viver em Londres ou em Nova Iorque e viajar menos. Mas qualquer pessoa que faça parte da minha vida, que se apaixone por mim, tem que entender o que eu tenho e sou. Independentemente da Connect, essa vontade de viajar e de andar sempre de um lado para o outro está em mim. Eu tenho o meu pai a viver em São Paulo, a minha mãe em Lisboa, a minha irmã no Rio, os avós em Nova Iorque... A pessoa com quem estou agora entende isso e tem uma vida semelhante. Tem de ser. Já tive comigo pessoas que não tinham e não funciona.

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