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Joaquim de Almeida: "Para já, estou a gostar de estar assim, solteiro... semi-solteiro"

Com quase 55 anos, o ator só quer poder continuar a trabalhar, ver os filhos crescerem e gozar a vida.

Inês Neves
4 de fevereiro de 2012, 10:00

Joaquim de Almeida passou uma temporada em Portugal, onde celebrou o Natal com os filhos, e foi nessa ocasião que conversou com a CARAS. O ator falou dos filhos, Lourenço, de 19 anos, e Ana, de nove, do seu papel de pai e do seu novo estatuto de solteiro, já que terminou o namoro com a francesa Karolyne Leibovici, embora não saiba se é definitivo.
– Com que frequência vem a Portugal?
Joaquim de Almeida –
Geral­mente, costumo não deixar passar dois meses sem cá vir, nem que seja só por uns dias, por causa dos meus filhos. Sobretudo por causa da minha filha. O Lourenço está a estudar na Escócia.
– Ela não se queixa?
Queixa-se, e quando o faz, lá venho eu. Geralmente, ao fim de mês e meio, dois meses de ausência, ela queixa-se, e sei que é altura de vir.
– E compreende as suas ausências?
Agora já começa a compreen­der. Pergunta-me por que não faço mais filmes em Portugal e eu digo que os filmes que o pai faz não se fazem cá e que não gosto de fazer televisão cá. Ela cresceu com essa realidade, mas cada vez quer-me cá mais, é normal. E há alturas em que tenho de estar mais tempo fora e isso custa mais. Mas explico-lhe tudo.
– Nunca se sentiu um pai ausente?
Não. Acho que sou mais presente que a maioria dos pais que vivem aqui. Muitos deles só veem os filhos de manhã cedo e à noite e nem sempre ao fim de semana. Eu, quando cá venho, como agora, que passei cá um mês, estou praticamente todos os dias com ela. E o tempo que passamos juntos é de qualidade. E agora, com o Skype, é muito mais fácil. O meu filho está na Escócia e falamos cerca de quatro vezes por semana, às vezes durante hora e meia. Já pomos os computadores no meio da sala, andamos de um lado para o outro a fazer as nossas coisas e a falar. E com a minha filha também. Acabamos por ter uma relação muito próxima.
– E assim vai acompanhando o crescimento deles...
Sim. O Lourenço, quando era miúdo, fazia os trabalhos de casa comigo através do Skype. Com a minha filha... temos uma relação engraçada. Falamos sobre a escola, também a ajudo nos trabalhos de casa. Consigo estar sempre a par das coisas deles. Portanto, não sou um pai tão ausente quanto isso.
– Há uma ideia de glamour muito associada à vida em Holly­wood, com festas e convívio com muitos famosos. O Joaquim leva esse tipo de vida?

Isso é o que aparece nos jornais. Glamour há pouco em Hollywood. Eu tenho uma certa alergia ao Hollywood aristocracy, que são aqueles que nasceram, vivem lá e se conhecem todos. Fazer parte desse núcleo de pessoas torna muito mais fácil o trabalho... Claro que há festas e há períodos em que tenho de comparecer, mas não vou muito. E muito do que se vê nas revistas são as pessoas que querem ser vistas.
– Como é então o seu dia-a-dia lá em Los Angeles?
Depende... Eu vivo em frente à praia. Faço um bocado de exercício de manhã, vou para casa, tomo o meu banho turco, depois leio coisas que tenho de ler, vou almoçar com os amigos. Também ‘faço voz’ e, de vez em quando, tenho de ir a audições. Quando não estou a trabalhar, tenho uma vida muito pacata. Vou ao cinema, deito-me cedo. Quando há trabalho, trabalha-se bastante. Não tenho paciência para festas, gosto de ir a casa de amigos jantar. A maior parte dos meus amigos não são atores e muitos não são sequer do cinema. Não tenho uma vida muito diferente de quando estou cá.
– Trabalhou ao lado de mulheres muito bonitas. Chegou a apaixonar-se por alguma?
Quando era mais novo, agora já não. Agora é muito mais trabalho. [risos] Nunca me senti à vontade para ter uma relação com outra atriz. Às vezes havia uns ‘amorzecos’ durante os filmes, mas eram coisas temporárias, prolongá-las seria esquisito. É uma profissão muito competitiva... Nos Estados Unidos há uma série de gente que parece adorar esse tipo de vida e andam uns com os outros, e cá também não é muito diferente. Mas eu prefiro ter amigos fora do meio, separar o trabalho da minha vida pessoal.
– Namora há cerca de três anos com Karolyne Leibovici...
Na verdade acabámos há seis meses, porque ela quer ter filhos e eu não. Mas agora vem visitar-me a Lisboa...
– O que pode implicar uma reconciliação e fazê-lo mudar de ideias…
Não. Já tenho dois filhos, que adoro, e chegam-me perfeitamente. Vou fazer 55 anos e não me apetece de maneira nenhuma começar de novo, voltar a ter preocupações com bebés. Quero que os meus filhos cresçam e que eu tenha uma vida sossegada. E ela vive em Paris, quer dizer... isso é outro problema. Não é uma coisa que me dê um conforto enorme andar de um lado para o outro. Não me parece que retomemos o namoro, não mudei de ideias sobre ter mais filhos. Quando nos conhecemos eu disse-lhe logo que não queria. Mas as pessoas devem achar que uma pessoa muda.
– Mas continuam amigos?
Continuamos amigos. Es­crevemo-nos e tudo. Segundo ela diz, não há homens em Paris, pelo menos à altura. Mas eu almoço muitas vezes com as minhas ex-mulheres e os filhos. Dou-me muito bem com elas. Dou-me melhor agora que estamos separados do que quando estávamos juntos. Há pessoas que cortam relações completamente. Eu não tenho problema nenhum, aliás, acho que é bom e saudável e importante para os filhos. É importante que os filhos sintam que há uma certa harmonia entre os pais.
– E agora que está solteiro... não se aborrece de estar sozinho?
Estou solteiro... semi-solteiro. Tenho amigas. Vamos vendo. Sobretudo agora, começo a pensar que tem de ser alguém na Ca­lifórnia ou em Portugal, é a minha rota mais direta. Mas, para já, estou a gostar de estar assim sozinho. É verdade que também não gosto de estar muito tempo sem companhia e não tenho tempo nem idade para andar aos engates, mas há sempre um romance no ar...

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