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Miguel Stanley: “Estou muito contente por já não ser empresário em Portugal”

O médico dentista, de 38 anos, admite que fechar a mega clínica que tinha em Santos foi uma lição de humildade, e diz que agora que é apenas consultor numa nova clínica tem mais tempo para fazer aquilo de que gosta: pôr as pessoas a sorrir.

Cláudia Alegria
29 de janeiro de 2012, 14:00

Dias antes de estrear o seu programa, Dr. White – exibido na SIC aos sábados à noite –, foidivulgado na imprensa que os bens da clínica que Miguel Stanley tinha naAv. D. Carlos I, em Santos, estavam penhorados e seriam levados a leilão devidoao incumprimento de pagamentos às finanças. “É muito fácil criticar eapontar o dedo, e vivemos num país em que muitas pessoas tiram prazer dadesgraça alheia”, critica o médico dentista, defendendo-se:
“Tenho orgulho no trabalho que temos desenvolvido e estou confiante que, nainstância própria, vamos conquistar aquilo que merecemos, que é estar em paz.” Aos38 anos, o autor de alguns sorrisos famosos – como o de Paulo Portas oude Cristiano Ronaldo – marcou encontro com a CARAS para nos falar doprograma que idealizou, e no qual se propõe a mudar a vida de 56 concorrentes,mas também da sua vida pessoal, que partilha com a galerista norte-americana AlanaHaddi, dez anos mais nova, com quem planeia formar família.
– Qual é a primeira coisa em que repara quando conhece alguém?
Miguel Stanley – Observo a linguagem corporal e tento perceber se apessoa está confortável consigo própria, através da maneira como se apresenta eme aperta as mãos, o sorriso, o brilho nos olhos... Ou seja, se está viva ou apagada.Gosto de pessoas vivas.
– Tendo em conta a sua profissão, como consegue evitar olhar para os dentesdos outros?
– Nos primeiros anos de profissão olhava, mas, com o passar do tempo, fuitreinando para não olhar quando estou fora da clínica, e comecei a dar maisatenção à pessoa em si. Talvez isso que me tenha ajudado a desenvolver outrasáreas que hoje em dia dirijo na clínica: cirurgia plástica, nutrição,dermatologia, psicologia clínica.
– Deixou, então, de ser médico para passar a ser gestor?
– Não. Estou em prática privada há 13 anos, tenho um leque muito grande declientes pelos quais tenho o maior respeito. Passo grande parte do meu dia comomédico-dentis­ta mas, com organização e um trabalho de equipa inacreditável,consigo gerir as outras áreas também, portanto é uma combinação das duas.
– Consegue delegar tarefas?
– Nunca tirei um curso de ges­tão, portanto, é tudo à base de experimentação:se não resultar, volto atrás. Não tenho é medo de arriscar. Prefiro ‘bater coma cabeça’ e aprender do que não tentar. Tive de aprender a delegar.
– A clínica White está fechada?
– Sim, fechou há um mês. En­tretanto, um grupo de investidores internacionais,que acreditou nas minhas capacidades de crescimento como médico e na minhaequipa, tornou possível uma clínica nova em Miraflores, na qual se encontramtodos os elementos da equipa que está no programa Dr. White. A clínicapertence a um novo grupo e estou muito contente por já não ser empresário emPortugal. Já não sou o dono da clínica, sou consultor, e posso voltar a fazeraquilo que faço melhor, que é pôr as pessoas a sorrir. Tenho mais tempo paraser médico dentista, para gerir a minha equipa e para estar feliz, que éimportante também.
– Deve ter-lhe custado muito fechar a porta da sua clínica...
– Foi a maior lição da minha vida, foi uma lição de humildade. Sou umapessoa muito pragmática. Sou cirurgião, portanto, quando há um problema,excisamos o problema, suturamo-lo, e a pessoa fica curada. Na altura, estavamais preocupado com as cerca de 40 pessoas a quem dou trabalho do que comigo. Eunão me podia ir abaixo. Foi um negócio muito arrojado, mas tive de conduzir opercurso da melhor forma possível. Se tive pena? Trabalhei muito, não tivepena, aprendi muito.
– Não acha arriscado expor-se com a estreia de um programa com a suaassinatura na mesma altura em que é divulgada uma dívida avultada relacionadacom a clínica?
– Primeiro, a dívida pode parecer grande para muita gente, mas é proporcionalao meu negócio. Sou conhecido por não falar publicamente sobre a minha vidapessoal, como tal, achei importante não dar muita atenção a essas notícias.Acho que, por ser conhecido, houve um exagero da parte dos media emrelação a este caso, cuja origem parte de grupos que não têm interesse em queeu ou a minha clínica tenhamos sucesso. Estou perfeitamente confiante etranquilo. Não há nada que não esteja bem documentado e que não esteja acima damédia no que diz respeito à conduta. O que quero deixar bem claro é que fuialvo de uma série de circunstâncias que dificultaram muito o processo da White.Não foi por má gestão do negócio, não foi nunca pela qualidade dos nossos atosmédicos, antes pelo contrário. Mas volto a reiterar: tenho orgulho no trabalhoque temos desenvolvido e estou confiante de que, na instância própria, vamosconquistar aquilo que merecemos, que é estarmos em paz.
– Pessoalmente também procura o culto do corpo e a busca da perfeição comoalgumas das pessoas que o procuram?
– Tenho fases. Não chamaria culto... É público que, durante muitos anos,trabalhei como mane­quim para pagar as propinas da faculdade. Venho de umafamília em que cada um de nós precisa de trabalhar para pagar as suas coisas.Nunca ninguém me deu nada e ainda bem que assim foi, tenciono educar os meusfilhos da mesma forma... Mas desde 1998 que deixei de me preocupar com a minhaimagem. Obviamente que, por aparecer na televisão e estar todos os dias com osmeus pacientes, tenho de ter uma aparência minimamente cuidada. Gosto decomprar roupa bonita, embora acabe por vestir sempre a mesma coisa, e emrelação ao corpo, cuido da minha dieta com a ajuda da Dra. Iara Rodriguese o personal trainer Pedro Batista, mas, devido às minhasobrigações internacionais, que incluem palestras e congressos, não tenho muitotempo disponível. No entanto, uma das minhas determinações para 2012 é voltarao ginásio, não pelo culto do corpo, mas para estar saudável e sentir-me bem.
– Quem é que o faz sorrir neste momento? Já apresentou algumas namoradas...
– Tenho uma namorada norte-americana. É uma grande ami­ga, alguém que me põebom disposto, principalmente porque partilhamos o sentido de humor.
– Vivem juntos?
– Ela vive comigo quando está em Portugal, mas eu também passo muito tempo emLos Angeles. É dona de uma galeria de arte com bastante sucesso em BeverlyHills, e procura arte em todo o mundo para expor na galeria. Eu também tenhouma paixão por arte.
– Em novembro de 2005, em entrevista à CARAS, dizia que era muito novo paraser pai. E agora?
– Já lá vão muitos anos [risos]. Acho que já estou pronto... Sinto que aaventura que foi a construção do projeto White, a idealização, conceção,construção e execução do programa Dr. White foram desafios tão grandesque a paternidade deve ser fácil! Estou a brincar. Sim, estou pronto e acho queseria uma grande alegria tanto para os meus pais como para os pais dela.

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